Irão nega que acordo com os EUA esteja próximo e fala em divergências “profundas e amplas”
FOTO: EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

Irão nega que acordo com os EUA esteja próximo e fala em divergências “profundas e amplas”

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano disse não ser possível um entendimento em apenas algumas semanas de negociações.
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O Irão afastou esta sexta-feira, 22 de maio, que “um acordo esteja próximo” com os Estados Unidos para encerrar a guerra na região do Golfo, enquanto confirmava visitas a Teerão de enviados do Paquistão e do Qatar no âmbito do processo negocial.

“Não podemos necessariamente dizer que chegámos a um ponto em que um acordo esteja próximo”, declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão na televisão estatal.

Esmaeil Baghaei observou que as divergências com os Estados Unidos são “profundas e amplas”, impedindo um acordo em apenas algumas semanas de negociações.

Os comentários do porta-voz da diplomacia de Teerão surgem a sequência da chegada à capital iraniana do chefe do Exército paquistanês, Asir Munir, mediador do diálogo entre as partes, no dia em que confirmou também a presença de uma delegação do Qatar.

Asir Munir chegou esta sexta-feira à tarde a Teerão, onde o ministro do Interior paquistanês, Mohsin Naqvi, se encontra desde quarta-feira, a tentar aproximar posições da República Islâmica e dos Estados Unidos.

O Irão está a considerar uma nova proposta dos Estados Unidos, disse Baghaei na quarta-feira, acrescentando que ocorreram várias "trocas de mensagens" nos últimos dias.

Segundo os meios de comunicação do Irão, Teerão exige a Washington que ponha fim ao conflito em todas as frentes - incluindo os confrontos no Líbano entre Israel e o grupo xiita Hezbollah -, suspenda as sanções, liberte os bens iranianos congelados, forneça indemnizações pelos danos de guerra e reconheça a sua soberania sobre o estreito de Ormuz.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, comentou hoje que foram registados "ligeiros progressos" nas negociações, mas alertou que não pode ser estabelecido um sistema de portagens numa via navegável internacional como o estreito de Ormuz.

Ao confirmar a visita de uma delegação do Qatar, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão elogiou os "esforços valiosos" de vários países para "evitar uma escalada ainda maior" do conflito, embora tenha ressalvado que o interlocutor oficial continua a ser o Paquistão.

Estas movimentações diplomáticas decorrem dois dias depois de o Paquistão ter entregado a mais recente proposta dos Estados Unidos e de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter classificado o último documento enviado pelas autoridades iranianas como "totalmente inaceitável".

As partes mantêm um frágil cessar-fogo desde 08 de abril - que interrompeu o conflito iniciado por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra a República Islâmica - e realizaram a única ronda de conversações formal, três dias depois em Islamabad, que não produziu resultados, e desde então prosseguem negociações indiretas.

O Irão continua a exercer ameaça militar no estreito de Ormuz, atingindo os preços globais de bens petrolíferos, enquanto os Estados Unidos impuseram um bloqueio naval aos portos iranianos como forma de asfixiar a economia da República Islâmica.

As negociações são centradas no estreito de Ormuz, no programa nuclear e de produção de mísseis de longo alcance do Irão, bem como no seu apoio a grupos armados no Médio Oriente, e nos bens iranianos congelados no estrangeiro e sanções internacionais contra Teerão.

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