Oscar Puente, ministro dos Transportes de Espanha, anunciou o novo pacote de ajudas, acompanhado de melhorias técnicas
Oscar Puente, ministro dos Transportes de Espanha, anunciou o novo pacote de ajudas, acompanhado de melhorias técnicasFoto: J.J. GUILLEN/EPA

Governo espanhol aprova 30 milhões de euros em ajudas para vítimas do desastre ferroviário de Urda

Dinheiro será distribuído pelas vítimas do acidente em apoios diretos e imediatos, num esquema nos mesmos moldes dos que se aplicaram após o outro acidente de Adamuz.
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O governo espanhol aprovou esta terça-feira (3) um pacote de ajudas para as vítimas do acidente ferroviário de Urda, província de Toledo, que matou 69 pessoas após o choque entre dois comboios de alta velocidade.

Após a reunião de Conselho de Ministros, o ministro dos Transportes, Oscar Puente, anunciou que 30 milhões de euros serão destinados em ajudas diretas e imediatas às vítimas, num modelo que promete ser semelhante ao modelo adotado pelo Governo em acidentes anteriores.

"O esquema de ajudas é o mesmo que se articulou para o caso do acidente de Adamuz", afirmou Puente, referindo-se ao incidente que matou 46 pessoas na mesma linha Madrid-Sevilha.

"Além disso, vamos incorporar medidas para evitar que as consequências de um acidente se agravem devido aos aumentos de preços que dificultam o acesso aos bens e serviços necessários", acrescentou o ministro.

Isto inclui, por um lado, uma ajuda direta de pouco mais de 72.121 euros por pessoa morta e o mesmo valor como adiantamento do seguro. Por outro lado, nos casos de lesões corporais, os benefícios são estruturados de acordo com a gravidade, com valores que variam entre pouco mais de 2.404 euros para ferimentos ligeiros e mais de 84.141 euros para os mais graves.

Estas ajudas, sublinhou ainda o ministro dos Transportes, serão urgentes, não podem ser tributadas nem reembolsadas e são compatíveis com outras ajudas. Naquilo a que Pedro Sánchez chamou de um "escudo de ajudas", está previsto ainda que as baixas dos trabalhadores afetados pelo acidente, serão consideradas "acidente de trabalho" a partir do momento do ocorrido.

Menos frequência de comboios até novo sistema de segurança

Para além das ajudas às vítimas, o Governo decidiu também fazer mudanças no funcionamento da circulação ferroviária dessa zona, pelo menos de forma temporária. Uma destas é uma redução da frequência da circulação de comboios entre Madrid e Sevilha até que o sistema de controlo ferroviário seja substituído.

O sistema atual, conhecido pela sigla LZB, estava planeado para ser substituído pelo novo ERTMS 2 desde 2020, altura em que 780 milhões de euros tinham sido destinados para esse efeito. O LZB dessa linha já tem mais de 30 anos de uso, já que esse troço -- o primeiro da alta velocidade espanhola -- foi inaugurado em 1992. E, nos minutos antes do choque entre os dois comboios, tinha falhado.

Esta redução da frequência ferroviária deverá durar até ao início de 2027, altura em que se prevê que a substituição esta totalmente completa, indicou o jornal El País. Para compensar a redução de carreiras, o governo planeia a introdução de comboios em composição dupla para "diminuir o menos possível a capacidade".

Para além da falha do sistema, o erro humano de um dos controladores também foi apontado como estando na base da colisão, já que um dos controladores terá ordenado o comboio da Renfe avançar a toda a velocidade numa altura em que outro, da empresa Iryo, tinha parado sem conseguir arrancar devido a uma falha técnica.

Oscar Puente, citado pelo jornal El País, anunciou que serão introduzidos "mecanismos de validação cruzada" em casos semelhantes, ou seja, em que falhas afetam a situação. Qualquer decisão deste género, lê-se, terá supervisão e terá de ser validada por um outro controlador ferroviário.

O ministro contou ainda que a entidade gestora da infraestrutura ferroviária Adif está a investigar se esta ordem dada por um dos controladores já foi dada por costume, já que o sistema LZB falhou 170 vezes desde o início deste ano, 14 no troço de 25 quilómetros que separava os dois comboios quando foi dada a orfem de avançar.

Para Puente "pode haver algum caso excecional" no passado em que esta ordem, que contraria as regras previstas para a ferrovia, tenha sido dada., Porém, o ministro avançou que "parece que não se trata de um comportamento sistémico".

Com Lusa

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