O presidente do Governo das Canárias rejeitou esta quarta-feira, 6 de maio, que o navio de cruzeiro Hondius, onde foi detetado um surto de hantavírus, faça escala no arquipélago e pediu uma "reunião urgente" ao primeiro-ministro Pedro Sánchez.O Ministério da Saúde espanhol informou na terça-feira que as Canárias iriam receber a embarcação dentro de três a quatro dias, mediante um protocolo definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC). Fernando Clavijo considerou, no entanto, que a decisão de Madrid não se baseia em "nenhum critério técnico". Carece de "informações suficientes para manter a calma e garantir a segurança da população das Ilhas Canárias", afirmou em declarações à rádio Onda Cero. Nesse sentido, pediu uma "reunião urgente" com o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez. “Não posso permitir que entre nas Canárias”, reforçou, citado pelo El País. Clavijo criticou o governo espanhol por “deslealdade institucional” e falta de profissionalismo por não o ter mantido informado sobre a situação. Afirmou ainda que a ministra da Saúde, Mónica García, não lhe deu explicações sobre os critérios seguidos pela OMS.O Ministro da Política Territorial, já veio, porém, assegurar que o Governo tem estado em "contacto permanente" com o presidente do executivo das Canárias. Ángel Víctor Torres, citado pelo El País, afirmou que estava previsto que o navio fosse transferido para os Países Baixos, "mas as circunstâncias mudaram na sequência de uma comunicação oficial vinculativa da OMS, que "transmite ao Governo de Espanha a necessidade de esse navio ser encaminhado para o porto mais próximo do nosso país", e que o mais próximo de Cabo Verde, "que, neste caso, são as Canárias". A imprensa espanhola avançou, entretanto, que Pedro Sánchez convocou para esta quarta-feira uma reunião de urgência sobre a situação referente ao navio de cruzeiro, enquanto o Partido Popular (PP), pela voz de Carmen Fúnez, já veio exigir "informações corretas e constantes" do Governo. "Numa crise sanitária, a clareza é essencial. A confusão em torno do hantavírus é inaceitável. Partilhamos com o Governo a necessidade de transmitir tranquilidade, mas exigimos informações concretas e constantes. O nosso apoio aos afetados, especialmente aos 14 espanhóis", escreveu Fúnez, secretária adjunta de Saúde e Política Social do PP, nas redes sociais. . Segundo a informação do Ministério da Saúde espanhol, divulgada na terça-feira, o navio de cruzeiro iria ser recebido pelas Canárias, dando conta que "o porto de chegada exato" ainda não tinha sido determinado.Em comunicado, o Ministério da Saúde espanhol afirmou que aceitou receber o navio nas Canárias "em conformidade com o direito internacional e no espírito do humanitarismo", dando conta que o ECDC estava "a realizar uma inspeção minuciosa ao navio para determinar quais as pessoas que precisam de ser retiradas com urgência de Cabo Verde". "Os restantes seguirão para as Canárias, onde a previsão é de chegada em três ou quatro dias. O porto específico ainda não está definido", explicou o Ministério da Saúde.Uma vez no porto espanhol, a tripulação e os passageiros "serão devidamente examinados, receberão os cuidados necessários e serão transferidos para os respetivos países"."Tanto o atendimento médico como as transferências serão realizados em espaços e transportes especiais, especificamente preparados para esta situação, evitando qualquer contacto com a população local e garantindo a segurança dos profissionais de saúde em todos os momentos", garantiu ainda.De acordo com o Governo espanhol, a OMS explicou que Cabo Verde não pode realizar esta operação e que as Canárias são "o local mais próximo com as capacidades necessárias"."A Espanha tem a obrigação moral e legal de prestar assistência a estas pessoas, entre as quais se encontram vários cidadãos espanhóis", acrescentou o Governo. .Hantavírus detetado em navio é a estirpe transmissível entre humanos.A estirpe de hantavírus detetada num dos passageiros do navio de cruzeiro, transferido para um hospital na África do Sul, é a andina, a única transmissível entre humanos, informou esta quarta-feira o Ministro da Saúde sul-africano numa comissão parlamentar.Dois dos passageiros do navio de cruzeiro afetado com um surto de hantavírus foram transferidos para Joanesburgo, um faleceu e o outro permanece hospitalizado.“Os testes iniciais mostram que se trata, de facto, da estirpe andina. Esta é a única estirpe, entre as 38 estirpes conhecidas, que pode ser transmitida de uma pessoa para outra”, explicou o ministro da Saúde, Aaron Motsoaledi..A OMS reportou no domingo três mortes ligadas a um possível surto de hantavírus, que pode causar síndrome respiratória aguda, a bordo do navio.Na segunda-feira, 4 de maio, fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou à Lusa que há um cidadão português a bordo, tratando-se de um membro da tripulação que, até ao momento, não requereu nenhum pedido de ajuda diplomática. .MNE confirma que há um cidadão português a bordo do cruzeiro em que já morreram três pessoas. O navio, com 149 pessoas (88 passageiros) de 23 nacionalidades fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.Segundo a OMS, os relatos de doença a bordo foram recebidos entre 6 e 28 de abril, sobretudo febre e sintomas gastrointestinais, com rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.A OMS avalia atualmente como baixo o risco para a população global decorrente deste surto e diz que continuará a monitorizar a situação epidemiológica e a atualizar a avaliação de risco..DGS acompanha surto de hantavírus no navio cruzeiro que classifica de "baixo risco" para Portugal.OMS procura mais de 80 passageiros do avião onde viajou mulher infetada com hantavírus