Rita Sá Machado, diretora-geral da Saúde
Rita Sá Machado, diretora-geral da SaúdeFOTO: Reinaldo Rodrigues

DGS acompanha surto de hantavírus no navio cruzeiro que classifica de "baixo risco" para Portugal

Rita Sá Machado revela que "não existem medidas preventivas para Portugal", uma vez que elas "estão a ser equacionadas" apenas "dentro do navio cruzeiro”.
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A diretora-geral da Saúde afirmou esta terça-feira, 5 de maio, que o surto de hantavírus num navio cruzeiro ao largo de Cabo Verde, que já fez três mortos, é uma “situação circunscrita”, que representa atualmente um baixo risco para Portugal.

Rita Sá Machado adiantou à agência Lusa que a Direção-Geral da Saúde (DGS) está a acompanhar a situação com a Organização Mundial de Saúde (OMS), no âmbito das suas funções e do Regulamento Sanitário Internacional.

Segundo a OMS, foram confirmados pelo menos dois casos de infeção e cinco casos suspeitos por hantavírus a bordo do navio, que permanece ao largo de Cabo Verde.

“A situação atualmente é uma situação circunscrita e por isso mesmo é uma situação que atualmente desempenha um baixo risco para Portugal”, afirmou Rita Sá Machado.

“Não existem medidas preventivas para Portugal. Existem sim medidas que estão a ser equacionadas, neste momento, dentro do navio cruzeiro”, declarou.

A Organização Mundial de Saúde disse hoje que a hipótese mais provável é que a infeção de hantavírus no navio ao largo de Cabo Verde tenha ocorrido fora do cruzeiro.

Questionada sobre esta hipótese, Rita Sá Machado explicou que o período de incubação habitual do hantavírus é entre duas a quatro semanas, mas há períodos “mais atípicos”, que poderão ser entre uma a oito semanas.

Segundo a responsável, a fonte mais provável de infeção é o contacto com os aerossóis da urina, de fezes ou de saliva de roedores, já que os passageiros do navio cruzeiro tiveram “alguma aproximação à vida selvagem e por isso mesmo poderá ter havido contacto”.

Esta também é a hipótese colocada pela OMS como sendo a fonte provável de infeção. Contudo, há outras possibilidades que não podem ser descartadas, afirmou.

“Por isso, é importante, quando se implementam as medidas, estas terem em conta que, por enquanto, ainda é uma fonte desconhecida”, defendeu.

Sobre a possibilidade avançada pela OMS da infeção se poder ter transmitido de pessoa para pessoa, a diretora-geral afirmou ser “uma situação rara”, mas que já aconteceu no passado, explicando que há diferentes tipologias de hantavírus.

Porém, o facto de os primeiros casos surgirem quase todos na mesma altura, indica que a fonte de infeção é comum. “Se nós estivéssemos a falar de uma fonte de infeção entre passageiros, poderíamos já ter mais algum tempo de infeção”, argumentou.

Rita Sá Machado defendeu que o importante é esperar pelos próximos dias e perceber a evolução da situação.

“Quando nós estamos a olhar para um surto, o que é muito relevante é exatamente olharmos para aquela que é um pouco a história cronológica dos acontecimentos, para podermos então chegar a alguma conclusão”, sustentou.

Relativamente ao português que se encontra no navio, disse que apenas sabe que é de nacionalidade portuguesa, mas não reside em Portugal.

O navio, com 149 pessoas (88 passageiros) de 23 nacionalidades fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.

Segundo a OMS, os relatos de doença a bordo foram recebidos entre 06 e 28 de abril, sobretudo febre e sintomas gastrointestinais, com rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.

Os dois casos confirmados são o de uma mulher que teve contacto próximo com o passageiro que morreu no dia 11 de abril e o de um passageiro que foi retirado do navio e transportado para Joanesburgo, onde está em estado grave nos cuidados intensivos.

 A OMS avalia atualmente como baixo o risco para a população global decorrente deste surto e diz que continuará a monitorizar a situação epidemiológica e a atualizar a avaliação de risco.

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