Os bombardeamentos têm deixado os ucranianos sem energia e, consequentemente, sem aquecimento.
Os bombardeamentos têm deixado os ucranianos sem energia e, consequentemente, sem aquecimento.FOTO: EPA/STRINGER

Governo da Ucrânia condena "chantagem" e "ultimatos" da Eslováquia e da Hungria sobre corte de eletricidade

A Ucrânia diz que a possível suspensão do fornecimento de eletricidade, numa altura de ataques russos às infraestruturas energética ucranianas, “ameaça a segurança energética de toda a região”.
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O Governo ucraniano condenou este sábado, 21 de fevereiro, a “chantagem” e os “ultimatos” da Eslováquia e da Hungria, que ameaçaram suspender o fornecimento de eletricidade de emergência, caso a Ucrânia mantenha encerrado o oleoduto que transporta petróleo russo para os dois países.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, num comunicado citado pela agência EFE, defende que a possível suspensão do fornecimento de eletricidade, que acontece no contexto de ataques russos contra a infraestrutura energética ucraniana, numa altura em que o país enfrenta condições de frio extremo, é “provocadora, irresponsável e ameaça a segurança energética de toda a região”.

O ministério ucraniano alega que, com a concretização da ameaça, os governos da Hungria e da Eslováquia não só estariam a “beneficiar o agressor”, a Rússia, mas também a prejudicar as suas próprias empresas.

“A Ucrânia está em contacto constante com representantes da Comissão Europeia sobre os danos causados pelos ataques diários da Rússia contra a infraestrutura energética ucraniana. Também fornecemos informações sobre as consequências desses ataques contra a infraestrutura do oleoduto Druzhba aos governos da Hungria e da Eslováquia”, refere o ministério no comunicado.

O governo da Ucrânia assegura que, não só está a trabalhar para reparar as infraestruturas danificadas, mas também propôs “vias alternativas” para fornecer petróleo não russo à Hungria e à Eslováquia.

“Ao mesmo tempo, à luz das ameaças infundadas e irresponsáveis que chegaram de Budapeste e Bratislava nos últimos dias, a Ucrânia está a considerar a possibilidade de ativar o Mecanismo de Alerta Precoce como parte do acordo entre a Ucrânia e a União Europeia”, acrescentou o ministério.

Em comunicado, o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, advertiu hoje a Ucrânia que, caso na segunda-feira não retome o fornecimento de petróleo russo para a Eslováquia através do oleoduto Druzhba, irá pedir “às empresas eslovacas responsáveis que interrompam o fornecimento de eletricidade de emergência à Ucrânia nesse mesmo dia”.

Um dos pontos do oleoduto afetados pelos bombardeamentos russos foi o nó de ligação de Brody, o oeste da Ucrânia, de onde o petróleo é bombeado para a Eslováquia e a Hungria.

A Hungria e a Eslováquia alegam que o oleoduto já está em condições de retomar o fornecimento de petróleo russo aos dois países da Europa Central, que têm isenções para importar crude de Moscovo.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, anunciou na sexta-feira que irá bloquear o empréstimo de 90 mil milhões de euros da União Europeia à Ucrânia até que Kiev retome o fornecimento de petróleo russo para a Hungria pelo oleoduto Druzhba.

A Hungria, juntamente com a Eslováquia, é o aliado mais próximo de Moscovo na União Europeia e compra pelo menos 65% do petróleo e 85% do gás à Rússia.

Quase quatro anos após a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, realizaram-se, na terça e na quarta-feira, conversações diretas entre Moscovo e Kiev, mediadas por Washington, qualificadas como difíceis por ambas as partes e que terminaram sem progressos tangíveis.

As conversações trilaterais visam pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, iniciada com a invasão ordenada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, em 24 de fevereiro de 2022, naquele que é o mais grave conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

As negociações continuam bloqueadas pela exigência russa de que Kiev se retire do Donbass, região industrial no leste da Ucrânia atualmente quase totalmente sob controlo das forças russas.

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