Após uma primeira volta das municipais marcada pela abstenção elevada (42%) e por bons resultados dos extremos - à esquerda com a subida d’A França Insubmissa (LFI) e à direita com o Reagrupamento Nacional (RN) a melhorar nos seus bastiões - as atenções voltaram-se esta segunda-feira (16 de março) para a formação de alianças para a segunda volta, já no próximo domingo (22 de março). A contagem decrescente para o fecho dos acordos termina esta terça-feira (17 de março) às 18h00 locais e as negociações entre adversários nem sempre são fáceis. Nas eleições municipais francesas, caso um candidato não alcance a maioria absoluta na primeira volta, todos os que tiveram mais de 10% dos votos têm direito a figurar no boletim da segunda volta. Em teoria é possível uma nova corrida a seis. A não ser que haja acordos para desistirem a favor de outro candidato (normalmente à esquerda ou à direita), deixando a corrida de preferência reduzida a dois. Apesar de atravessar momentos conturbados, no rescaldo da morte de um ativista de extrema-direita em Lyon, alegadamente após ser agredido por membros da extrema-esquerda, a França Insubmissa de Jean-Luc Mélenchon fez melhor do que o previsto. O partido conseguiu mesmo ganhar à primeira volta em Saint-Denis, a segunda maior cidade na região de Paris. Já a extrema-direita do RN, de Marine Le Pen, ganhou em Perpignan. Apesar de não haver um “acordo nacional” com os socialistas ou os Verdes (que estão em queda), esta segunda-feira (15 de março) já havia anúncios de alianças à esquerda. Em Toulouse ou Lyon, a esquerda moderada anunciou acordos com a LFI. Mas, em Marselha, o presidente da câmara, Benoît Payan, à frente de uma aliança de esquerda que não inclui os insubmissos, recusa um acordo. O RN, que ficou em segundo, espera conseguir conquistar a segunda maior cidade francesa..Elogiada lá fora e mal-amada em casa, Anne Hidalgo diz adeus a Paris .Em Paris, sem a autarca socialista Anne Hidalgo no boletim, o também socialista Emmanuel Grégoire (numa aliança com os ecologistas e comunistas) conseguiu quase 38% dos votos, mais 12 pontos do que a ex-ministra d’Os Republicanos Rachida Dati. E recusou uma aliança com a LFI, que ficou em terceiro e já disse que nesse caso vai continuar na corrida. Já o candidato centrista do Horizontes estava a dialogar com Dati.