Flávio Bolsonaro diz que não vai “cometer o mesmo erro” do pai e regressar ao Brasil
O candidato derrotado na segunda volta das últimas presidenciais brasileiras, Flávio Bolsonaro, afirmou que não pretende regressar ao Brasil, para não repetir aquilo que considera ter sido um erro do pai, o antigo Presidente Jair Bolsonaro, que voltou ao país em 2023 e acabou condenado a 27 anos de prisão.
Numa entrevista ao jornal Folha de São Paulo, divulgada na sexta-feira e citada pela agência EFE, Flávio Bolsonaro disse ter aprendido com a experiência do pai. “Aprendo com os erros e os acertos do presidente Bolsonaro e não vou cometer o mesmo erro”, declarou o senador, que viajou para os Estados Unidos após a derrota eleitoral, desrespeitando uma ordem judicial que o impedia de sair do Brasil.
Jair Bolsonaro regressou ao país no início de 2023, depois de três meses nos Estados Unidos. Segundo o filho, tomou essa decisão "porque sabia que era inocente e acreditava que passaria por um processo justo", mas foi condenado pela justiça a 27 anos e três meses de prisão após ser considerado culpado por tentar um golpe para permanecer no poder após perder as eleições de 2022.
Na entrevista à Folha de São Paulo, Flávio Bolsonaro voltou a pôr em causa a legitimidade da vitória de Lula da Silva, apesar de o resultado ter sido reconhecido pelas autoridades brasileiras e pelas forças políticas, incluindo o Partido Liberal, que suportou a candidatura de Bolsonaro. “Nem Lula nem eu podemos afirmar com 100% de certeza que alguém foi eleito presidente do Brasil", comentou o candidato derrotado.
Lula venceu com 51,79% dos votos, contra 48,21% do senador, uma diferença superior a quatro milhões de votos, mas Flávio contestou o alargamento do horário de votação, decidido pelo Supremo Tribunal Federal. Agora, à Folha de São Paulo, voltou também a admitir que poderá liderar a direita nas próximas eleições, mas considerou que o pai, Jair, será o candidato natural “se recuperar os seus direitos políticos”, suspensos até 2060.

