O juiz responsável pela investigação a Begoña Gómez decidiu processar a mulher do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, por alegados crimes de tráfico de influência, corrupção empresarial, peculato e apropriação indevida, mas não por exercício ilegal da profissão.Segundo a ordem judicial, citada por vários meios de comunicação espanhóis, o juiz Juan Carlos Peinado concedeu a todas as partes envolvidas cinco dias para "apresentarem quaisquer moções que considerem pertinentes quanto à abertura do julgamento, mediante a apresentação das respetivas conclusões provisórias".A investigação deste processo durou quase dois anos e esta decisão surge a meses da aposentação do juiz Peinado, em setembro.Esta decisão foi tomada depois de o juiz ter intimado as partes (defesa, acusação e autores), a 1 de abril, para as informar da sua decisão de reenviar o caso para julgamento por júri, caso chegue a ser julgado..Espanha. As dores de cabeça judiciais da família Sánchez.O juiz rejeitou o adiamento do inquérito numa decisão que arquiva o processo por exercício ilegal da profissão e mantém o processo contra Cristina Álvarez, assessora de Gómez, pelas mesmas infracções, e contra o empresário Juan Carlos Barrabés por tráfico de influência e corrupção empresarial.De acordo com a ordem judicial, citada pela EFE, o juiz considerou haver provas suficientes para processar Gómez por tráfico de influências para obter uma cátedra na Universidade Complutense de Madrid, alegando que não encontrou um caso semelhante numa democracia e que a conduta de Gómez "parece mais característica de regimes absolutistas".Sustentou ainda que, desde que Pedro Sánchez se tornou primeiro-ministro, "foram tomadas certas decisões públicas" favoráveis à cátedra e ao seu projeto, "que poderiam ter sido obtidas através de uma exploração singular da sua posição de influência".Em relação à acusação de corrupção, refere ainda a agência espanhola, o juiz considera que foi "a força motriz por detrás da angariação de fundos privados e, indicativamente, não para a cátedra na universidade pública (que era apenas de fachada), mas para a integrar no seu património pessoal", para o qual ofereceria como "contrapartida" a vantagem competitiva das empresas, todas elas participantes em inúmeros processos de concursos públicos.Assim, o patrocínio ou financiamento da cátedra "poderá ser apenas a 'fachada' de uma remuneração oculta para futuras vantagens privadas ou comerciais indevidas, relacionadas com contratos públicos ligados ao estatuto de primeiro-ministro do marido da mulher investigada".A acusação de exercício ilegal da profissão (enquanto diretora de mestrados e cursos na Universidade Complutense de Madrid) cai porque o juiz considera que "existem apenas indícios fracos, sem múltiplos e sólidos indícios"..Sánchez diz que “momento não é fácil”, mas rejeita antecipar eleições.Resposta do GovernoO ministro da Presidência, Justiça e Relações com o Parlamento, Félix Bolaños, manifestou a sua "absoluta confiança" de que um tribunal superior "imparcial" acabará por reverter a decisão do Juiz Peinado, porque "onde não há nada, por mais que se tente agitar as coisas, nada pode ser estabelecido".O ministro não poupou críticas ao juiz em declarações aos jornalistas: "Penso que ele envergonhou muitos cidadãos, envergonhou muitos juízes e magistrados no nosso país", afirmou, citado pela RTVE.