Qual é o "futuro do financiamento europeu às operações de segurança em Cabo Delgado, no norte de Moçambique?", questionaram esta sexta-feira, 20 de março, os eurodeputados do PSD numa pergunta dirigida à Comissão Europeia, num "momento em que a ameaça terrorista ainda não foi eliminada”.A pergunta parte da delegação do PSD no Parlamento Europeu, mas é apoiada também pelos eurodeputados Ana Pedro, do CDS, e Francisco Assis, do PS, e "reflete a preocupação face a uma situação com implicações diretas para Moçambique e para os interesses estratégicos da União Europeia na região".Os eurodeputados sociais democratas questionam Bruxelas numa altura "em que o apoio europeu às forças ruandesas destacadas na região, no valor de 40 milhões de euros financiados através do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz, expira em maio de 2026, sem que haja até ao momento qualquer garantia formal de renovação".Perante este cenário de incerteza, o eurodeputado do PSD, Hélder Sousa Silva, afirma: "Está em causa a segurança de Cabo Delgado e, em última análise, a estabilidade de Moçambique. Esta decisão não pode ser tratada como uma questão puramente bilateral entre a UE e o Ruanda".Hélder Sousa Silva alerta ainda para o risco de a ameaça terrorista nesta região no norte de Moçambique se alastrar, caso o apoio europeu não seja garantido.Nesse sentido, os eurodeputados questionam a Comissão Europeia sobre "se existe vontade política de apresentar uma proposta de renovação do apoio financeiro" e pretendem saber "como é avaliado o impacto de uma eventual retirada das forças ruandesas sobre a estabilidade da região".Querem ainda saber "quais os investimentos de empresas europeias em curso" na região "e que mecanismos alternativos estão a ser considerados para garantir a continuidade do apoio à segurança em Moçambique".A estabilidade conquistada em Cabo Delgado nos últimos anos, recorda o eurodeputado Hélder Sousa Silva, fez com que se recuperasse alguma normalidade entre comunidades, levando a que populações deslocadas regressassem às suas casas, que crianças voltassem a frequentar as escolas, "depois de anos de terror", explica a posição dos eurodeputados PSD, que aguardam agora uma resposta formal da Alta Representante para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas. “Retirar agora o financiamento que sustenta essa segurança seria abandonar as populações de Cabo Delgado num momento em que a ameaça terrorista ainda não foi eliminada”, alerta o social democrata Hélder Sousa Silva.