A base aérea Prince Sultan
A base aérea Prince Sultan USAF

EUA recorrem a tecnologia ucraniana para travar drones iranianos

Adoção da plataforma Sky Map na Base Aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita, surge após falhas nas defesas norte-americanas que resultaram em ataques fatais.
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As forças militares dos Estados Unidos introduziram, nas últimas semanas, tecnologia avançada anti drone desenvolvida na Ucrânia, no contexto da guerra com a Rússia, para reforçar a segurança de uma base aérea estratégica na Arábia Saudita.

A notícia é avançada esta quarta-feira, 22 de abril, pela Reuters, que cita fontes próximas do processo. A plataforma de comando e controlo Sky Map está já operacional na Base Aérea Prince Sultan e tem como objetivo travar ataques de drones que têm causado elevados danos materiais e a morte de, pelo menos, um militar norte-americano.

A decisão de adotar o sistema Sky Map — desenvolvido pela empresa ucraniana Sky Fortress — é um reconhecimento do avanço tecnológico da Ucrânia após quatro anos de guerra contra a Rússia. Segundo a Reuters, oficiais ucranianos deslocaram-se pessoalmente à base saudita para dar formação aos militares dos EUA sobre como operar esta plataforma, que é amplamente utilizada para detetar e intercetar drones de fabrico iraniano, como os modelos Shahed, que o regime de Teerão tem fornecido ao exército de Vladimir Putin.

A Base Aérea Prince Sultan localiza-se a cerca de 640 quilómetros do Irão e tem sido alvo de sucessivas vagas de ataques. A vulnerabilidade do local ficou exposta em março de 2026, quando um avião de radar E-3 AWACS foi destruído e vários aviões de reabastecimento KC-135 foram danificados num ataque.

Revés político para a administração Trump

Esta movimentação ocorre apenas um mês após o presidente dos EUA; Donald Trump, ter rejeitado publicamente uma oferta de ajuda do seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelenskiy.

Na altura, Trump afirmou em entrevista Fox News que os EUA "não precisavam de ajuda na defesa contra drones".

No entanto, analistas do Hudson Institute ouvidos pela Reuters sublinham que existem lacunas persistentes na cobertura de defesa aérea dos EUA a nível global, o que terá forçado o Pentágono a procurar soluções "testadas em campo" na Ucrânia.

Como funciona o sistema

O Sky Map utiliza o processamento rápido de dados de radares e de uma rede de mais de 10.000 sensores acústicos, permitindo uma resposta imediata com drones intercetores.

A base conta ainda com os sistemas Merops, drones intercetores da empresa Project Eagle (que, no entanto, deu problemas pois durante um teste um dos aparelhos terá perdido o controlo e colidido com um bloco de instalações sanitárias); o Coyote, intercetores da RTX (anteriormente Raytheon), utilizados para defesa de curto alcance; e o FAAD, uma plataforma de comando da Northrop Grumman que fornece dados de rastreio de ameaças.

Apesar do investimento recente de 350 milhões de dólares (cerca de 328 milhões de euros) por parte do Pentágono para reforçar as defesas contra drones, a integração do software ucraniano é vista como uma peça vital para colmatar falhas que os sistemas tradicionais norte-americanos e estes mais recentes não estão a conseguir resolver.

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