Os Estados Unidos disseram à Ucrânia que só oferecerão garantias de segurança para um acordo de paz se Kiev ceder à Rússia o Donbass, nome pelo qual é conhecida a região leste do país, garantiu esta quinta-feira, 26 de março, o presidente Volodymyr Zelensky em entrevista à Reuters, acrescentando que Donald Trump está a pressionar a Ucrânia numa tentativa de terminar rapidamente a guerra iniciada pela invasão russa.“O Médio Oriente tem definitivamente um impacto no presidente Trump e, acredito, nos seus próximos passos. Infelizmente, na minha opinião, o presidente Trump ainda opta por uma estratégia de pressionar ainda mais o lado ucraniano”, referiu ainda o líder ucraniano.Os Estados Unidos, a Rússia e a Ucrânia realizaram este ano três rondas de negociações de alto nível em Abu Dhabi e Genebra, tendo as reuniões seguintes sido adiadas devido ao início da ofensiva militar norte-americana no Irão. Mesmo assim, no fim de semana passado, uma delegação ucraniana encontrou-se com a equipa de negociação dos EUA na Florida, reunião que a Casa Branca descreveu como “construtiva”. “Continuamos a discutir questões-chave e os próximos passos no âmbito das negociações”, publicou no X o líder da delegação negocial ucraniana, Rustem Umerov.De acordo com Zelensky, existem duas questões ainda por resolver com os Estados Unidos quanto às garantias de segurança - o financiamento da compra de armas à Ucrânia para sustentar a sua dissuasão militar e a resposta dos seus aliados perante uma futura agressão russa.“Os norte-americanos estão preparados para finalizar estas garantias a um nível elevado assim que a Ucrânia estiver pronta para se retirar do Donbass”, acrescentou o presidente ucraniano, que já disse inúmeras vezes que esta é uma exigência de Moscovo que considera ser uma “linha vermelha”. “Gostaria muito que o lado americano compreendesse que a parte oriental do nosso país faz parte das nossas garantias de segurança”.Zelensky agradeceu ainda à Casa Branca por manter o fornecimento de sistemas de defesa antimíssil Patriot, apesar do aumento da procura por estas armas devido ao conflito no Médio Oriente, embora lamente que “não é suficiente para as nossas necessidades”.No entanto, o Washington Post noticiou esta quinta-feira que o Pentágono está a avaliar a possibilidade de desviar armas da Ucrânia para o Médio Oriente, pois a guerra no Irão está a esgotar algumas das munições mais críticas para os militares norte-americanos. Na lista estarão mísseis intercetores de defesa aérea que têm sido comprados aos EUA pelos aliados através da NATO. .Zelensky fala em “paz digna e duradoura” na véspera de novas conversações com EUA e Rússia