Estudantes voltam às ruas na quinta-feira
Estudantes voltam às ruas na quinta-feiraSEBASTIEN NOGIER / EPA

Estudantes convocam duas novas jornadas de protesto em França para terça e quinta-feira

Organizações prometem "jornada negra" com bloqueios de liceus, na semana em que as aulas voltam após uma pausa de outono. Ministro diz que "os bloqueios não são ilegítimos, mas são ilegais".
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 As organizações estudantis francesas convocaram duas novas jornadas de mobilização e bloqueio de instituições de ensino para terça e quinta-feira em França, num braço-de-ferro com o Governo que já dura há mais de um mês.

Esta segunda-feira, após a pausa letiva de outono, a adesão aos protestos foi “residual”.

A União Nacional dos Estudantes de França (UNEF) convocou esta segunda-feira uma "jornada negra" para terça-feira nas universidades, com assembleias-gerais e bloqueios, e apelou também para uma mobilização em massa nas ruas para quinta-feira, coincidindo com a greve sindical em defesa do poder de compra e dos serviços públicos no país.

“O Governo não quer ouvir-nos? No dia 3 de novembro, jornada negra nas universidades: compareçam nas assembleias e bloqueiem as vossas faculdades. No dia 5 de novembro, vamos todos para a rua”, escreveu a organização numa mensagem divulgada nas redes sociais.

Este apelo junta-se às convocatórias de outras organizações estudantis e de alunos do ensino secundário, que anunciaram bloqueios para segunda, terça e quinta-feira, bem como a participação na jornada de greve geral de 05 de novembro, promovida pelos sindicatos franceses.

O regresso às aulas, após 15 dias de férias de outono, decorreu esta segunda-feira de forma relativamente tranquila, tendo os bloqueios sido “residuais”, segundo o ministro da Educação, Édouard Geffray, que defendeu o direito dos alunos que assim o desejem a aceder às salas de aula.

“A prioridade absoluta é que os alunos possam ir às aulas”, afirmou Geffray numa entrevista à emissora France Inter, na qual apelou para a “responsabilidade coletiva” dos estudantes e das organizações que apoiam os protestos.

O ministro reconheceu o direito de manifestação, mas alertou que nenhum estudante pode impedir os colegas de irem às aulas, sobretudo os que se preparam para os exames de conclusão do ensino secundário e para o ingresso na universidade.

“Os bloqueios não são ilegítimos, mas são ilegais”, afirmou.

Segundo dados do Ministério da Educação, às 09:30 (08:30 de Lisboa), apenas 41 escolas — cerca de 1% do total — permaneciam bloqueadas, e não se registaram distúrbios em três quartos dos departamentos franceses.

No entanto, a União Sindical das Escolas (USL) indicou, por volta das 12:00 (11:00 de Lisboa), que mais de 150 estabelecimentos de ensino estavam bloqueados em todo o país.

O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, mostrou-se disposto a voltar a receber representantes dos estudantes do secundário na próxima semana, de acordo com fontes do seu gabinete citadas pela estação BFMTV.

As mobilizações surgem depois de o executivo ter anunciado, há exatamente uma semana, várias medidas para responder às reivindicações do setor educativo.

Entre elas, destacam-se: maior transparência nos critérios de admissão e rejeição de candidaturas através do Parcoursup, a plataforma de acesso à universidade; a eliminação das cartas de motivação; a renovação de infraestruturas degradadas nas escolas; e a redução do número de alunos por turma.

Geffray defendeu as medidas e expressou dúvidas de que o Governo tenha condições para ir mais além a curto prazo, dado que faltam seis meses para as eleições presidenciais e o executivo tem pouca margem de manobra orçamental.

“Não vejo como poderemos fazer mais de imediato”, admitiu o ministro, em resposta às exigências das organizações estudantis, que reclamam um investimento adicional de 10 mil milhões de euros na educação e a revogação do Parcoursup.

Paralelamente, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, manifestou o seu apoio às forças de segurança mobilizadas durante as manifestações e agradeceu-lhes o trabalho numa carta.

“Quero expressar o meu enorme reconhecimento pelo seu extraordinário empenho, tanto mais admirável por se manter ao longo do tempo”, escreveu Nuñez na mensagem divulgada pela imprensa.

O ministro destacou a mobilização policial durante três fins de semana consecutivos, que, segundo indicou, obrigou muitos agentes a trabalhar durante períodos de descanso ou férias, por vezes com prejuízo da sua vida familiar.

Nuñez defendeu ainda a atuação dos polícias perante as críticas sobre a gestão da ordem pública e as denúncias de violência policial.

“Enquanto outros observam e comentam, vocês estão no terreno, sem se desviarem da vossa missão ao serviço do interesse geral”, escreveu o ministro francês.

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