Os socialistas e aliados conseguiram manter as três maiores cidades francesas - Paris, Marselha e Lyon - na segunda volta das eleições municipais, realizada este domingo, cuja votação deu aos partidos tradicionais esperanças de um bom resultado nas presidenciais do próximo ano. Vencedor por uma larga margem em Paris, o socialista Emmanuel Grégoire, 48 anos, antigo vice da presidente da câmara cessante Anne Hidalgo, celebrou a vitória dirigindo-se à Câmara Municipal numa bicicleta de aluguer. “Paris decidiu permanecer fiel à sua história”, afirmou, após vencer com 50,52% dos votos, o que lhe vai permitir continuar o “reinado” iniciado em 2001 pelos socialistas na capital francesa. Já a pensar nas presidenciais - eleição em que será escolhido o sucessor de Emmanuel Macron -, Grégoire garantiu que “Paris será o coração da resistência” a qualquer união entre a direita tradicional e a extrema-direita.A sua rival, a ex-ministra de direita Rachida Dati, obteve apenas 41,52%, apesar do apoio do candidato de centro-direita e da desistência da candidata de extrema-direita. Este resultado, bem como o falhanço do ex-dirigente de futebol Jean-Michel Aulas em Lyon, representam derrotas para Macron. De registar ainda que o PS derrotou François Bayrou, ex-primeiro-ministro de Macron, na cidade de Pau. Por outro lado, o partido presidencial obteve uma vitória animadora em Bordéus, com o ex-ministro Thomas Cazenave.Ainda à direita, em Le Havre, o ex-primeiro-ministro de Macron e potencial candidato presidencial, Édouard Philippe, desafiou as sondagens e conseguiu ser reeleito.Em Marselha, o autarca socialista Benoît Payan, que se ergueu como baluarte contra o Reagrupamento Nacional (RN), de extrema-direita, também venceu com larga vantagem. Após um empate técnico na primeira volta, obteve 54,34% dos votos, 14 pontos à frente do rival de extrema-direita, Franck Allisio, que, por sua vez, esmagou a candidata da direita e do centro. “[Esta] cidade que alguns acreditavam perdida, que alguns acreditavam conquistada pelo RN, mostrou esta noite o seu melhor rosto, que era capaz de resistir, que era capaz, mais uma vez, de permanecer unida”, reagiu Payan.Mas o grande aviso dos eleitores para as presidenciais de 2027 foi o fracasso das alianças entre a esquerda tradicional e a França Insubmissa (LFI, de extrema-esquerda), com os eleitores a optarem pelos candidatos do centro e da direita em bastiões socialistas, como Clermont-Ferrand, Brest, Toulouse, Estrasburgo, Poitiers, Limoges e Tulle. Lyon, palco de outra das vitórias da esquerda, foi uma exceção, com o presidente da câmara, o ecologista Grégory Doucet, a ser reeleito - apesar de ter sido por uma curta margem (50,67%) - em aliança com a LFI.“A minha conclusão desta noite é que a LFI não ganha nada, e o pior é que é a LFI que causa derrota”, disse Pierre Jouvet, secretário-geral do PS. “Esta noite demonstrámos que nada pode deter um povo em movimento. No próximo ano, a nova França varrerá o mundo de Macron e das suas políticas nefastas”, afirmou, por seu turno, Manuel Bompard, da LFI, lembrando as vitórias da extrema-esquerda em Saint-Denis e Roubaix. O RN, que tem os seus líderes Jordan Bardella e Marine Le Pen à frente nas sondagens para as presidenciais, falhou a conquista de cidades como Marselha, Toulon ou Nimes, mas saiu vencedor em localidades médias, como Menton, Carcassonne, Orange e Castres. Mesmo assim, Bardella sublinhou que “nunca antes a RN e os seus aliados tiveram tantos representantes eleitos em toda a França”. Curiosamente, a maior vitória da extrema-direita veio de um aliado, Eric Ciotti, antigo líder d’Os Republicanos, que conquistou Nice. .França faz contas a alianças após bom resultado dos extremos nas municipais.P&R - O que é que as municipais francesas dizem das presidenciais do próximo ano?