
O enviado especial dos Estados Unidos à Rússia, Steve Witkoff, descreveu como “convincentes” as conversas mantidas com o líder russo, Vladimir Putin, na semana passada, que incluíram medidas para pôr fim à guerra na Ucrânia.
Witkoff disse na segunda-feira à emissora Fox News que esteve reunido quase cinco horas com Putin, a quem pediu para garantir “uma paz permanente”, um ponto a que os dois interlocutores demoraram “um pouco a chegar”.
A chave para um acordo global, segundo o investidor, advogado e diplomata enviado pela Casa Branca a Moscovo, gira em torno de “cinco territórios”, que Witkoff não especificou.
A Rússia insiste que a tomada de controlo de partes da Ucrânia desde 2014, incluindo a península da Crimeia e as regiões de Luhansk e Donetsk, deve ser reconhecida em qualquer futuro acordo.
Embora Putin tenha exigido anteriormente que a Ucrânia fosse impedida de se tornar membro da NATO, Witkoff disse que também levantou questões relacionadas com o princípio central do bloco atlântico de que um ataque a um membro constitui um ataque contra todos os membros.
“Este acordo de paz é sobre os chamados cinco territórios, mas há muito mais do que isso”, disse Witkoff, acrescentando estar convencido de que “podemos estar à beira de algo que seria muito, muito importante para o mundo em geral”.
Por outro lado, na sequência de reuniõs em São Petersburgo, Witkoff disse ver “uma possibilidade das relações entre a Rússia e os Estados Unidos serem remodeladas através de algumas oportunidades comerciais muito atraentes que [na sua opinião] também proporcionam uma verdadeira estabilidade à região”.
Na sequência destes encontros, o Kremlin fez saber esta terça-feira que não há sequer um esboço de um acordo entre os EUA e a Rússia sobre a Ucrânia.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse, no entanto, que os contactos com os EUA foram positivos e úteis, segundo a Sky News.
O ministro dos Negócios Estrangeiros russo disse que “não é fácil chegar a acordo" com os EUA "sobre os principais aspetos de um entendimento" para acabar com a guerra na Ucrânia, em curso há mais de três anos.
Os componentes chave de um acordo "estão a ser discutidos”, disse Sergei Lavrov numa entrevista ao jornal Kommersant, publicada esta terça-feira.
“Estamos bem cientes do que é um acordo mutuamente benéfico, que nunca rejeitámos, e do que é um acordo que nos pode levar a outra armadilha”, considerou o chefe da diplomacia russa na mesma entrevista.
Na segunda-feira, o presidente norte-americano Donald Trump voltou a culpar o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, pela guerra, quando questionado sobre qual dos lados é responsável pelo fracasso do cessar-fogo.
Os comentários de Trump surgiram depois de a Ucrânia ter dito que 35 pessoas foram mortas e pelo menos 84 ficaram feridas após um ataque de mísseis russos contra a cidade de Sumy na manhã do Domingo de Ramos.
Na sexta-feira, o presidente norte-americano escreveu na sua plataforma social Truth que “a Rússia tem de se mexer” para ajudar a conseguir um cessar-fogo.
Já na noite de segunda para terça-feira, um ataque ucraniano à região russa de Kursk, com recurso a dezenas de drones, matou uma mulher e feriu, pelo menos, nove pessoas.
Registaram-se ainda incêndios em vários edifícios no centro administrativo da região, disseram, esta terça-feira, as autoridades russas, citadas pela Reuters, referindo que o Ministério da Defesa russo fez saber que abateu 109 drones.
"Kursk foi submetido a um ataque inimigo massivo durante a noite", informou a administração da região de Kursk numa mensagem divulgada no Telegram. “Infelizmente, uma mulher de 85 anos morreu”, acrescentou.
De acordo com a agência de notícias, o presidente interino da Câmara de Kursk, Sergei Kotlyarov, disse que um edifício de apartamentos foi danificado, o que levou à evacuação do prédio, tendo os moradores sido retirados para uma escola próxima.