‘El Tigre’ surpreende a esquerda ao vencer a 1.º volta na Colômbia. Segunda volta é a 21 de junho
A segunda volta das presidenciais colombianas será, como as sondagens previam, entre o candidato da esquerda, o senador Iván Cepeda, e o da extrema-direita, o advogado Abelardo de la Espriella. Mas, ao contrário do que as sondagens previam, a primeira volta não foi ganha pelo candidato apoiado pelo presidente Gustavo Petro, mas pelo líder do movimento Defensores da Pátria. A segunda volta está marcada para 21 de junho e as três próximas semanas prometem ser de confronto.
De la Espriella, advogado conhecido como El Tigre, de 47 anos, conseguiu 10,3 milhões de votos no domingo, o equivalente a cerca de 43,74%, com Cepeda, de 63 anos, a não ir além dos 9,6 milhões de votos (40,90%).
As sondagens davam a vitória de Cepeda, mas De la Espriella estava há semanas a subir nas intenções de voto - numa das pesquisas subiu mais de dez pontos percentuais em menos de um mês. Uma tendência crescente que se confirmou na ida às urnas. A participação foi de 57,9%.
O presidente reagiu de imediato nas redes sociais, dizendo não aceitar os resultados preliminares, aguardando os oficiais divulgados pelas comissões eleitorais.
Também o candidato do Pacto Histórico colocou em dúvida a contagem de votos. "Há uma discrepância que queremos verificar em relação ao recenseamento eleitoral, e não se trata de uma discrepância qualquer: estamos a falar de 885 mil pessoas", disse Cepeda no domingo à noite (31 de maio) em Bogotá aos seus apoiantes, apelidando o adversário de “fascista” e “antidemocrático”.
Mas já esta segunda-feira (1 de junho) admitiu “não haver irregularidades suficientes para falar de fraude” e reconheceu a vitória do adversário.
“Petro e Cepeda são dois bandidos que vamos reformar para sempre. Não ousem desrespeitar a vontade popular, porque o povo vai levantar-se e castigá-los”, tinha reagido De la Espriella diante dos seus apoiantes, em Barranquilla, após serem conhecidos os resultados preliminares.
A segunda volta será a 21 de junho, com El Tigre a dizer que será uma disputa entre os que defendem a democracia e os que representam a continuidade do atual governo. “Já não há espaço para divergências”, declarou o candidato de extrema-direita, que apelou à união da oposição para derrotar Cepeda na segunda volta.
A maior surpresa na primeira volta foi o resultado de Paloma Valencia, candidata da direita tradicional apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe. Obteve pouco mais de 1,6 milhões de votos, 6,9%, muito abaixo dos 15% previstos pelas sondagens e até dos 3,2 milhões de votos que obteve nas primárias da coligação de partidos de centro e direita pela qual se candidatou (a Grande Consulta pela Colômbia).
Valencia, neta do antigo presidente Guillemo León Valencia (1962-66) que esperava ser a primeira mulher no poder, já anunciou o apoio “a nível pessoal” a De la Espriella. “Quero felicitá-lo pela sua impressionante e extraordinária vitória. Ela deixa claro que a Colômbia não cairá nas mãos do neocomunismo que Cepeda e Petro representam”, disse.
O ex-presidente Uribe também declarou o apoio ao candidato do Defensores da Pátria. “Cumprimos a nossa palavra, votaremos nele e pedimos que votem nele e na Colômbia, pela defesa da Constituição, das liberdades, da criatividade individual, da coesão social, de uma economia fraterna, de um Estado pequeno e austero”, escreveu no X, acusando Petro e Cepeda de serem apoiados por grupos terroristas.
Depois do choque inicial , Cepeda decidiu passar para o ataque, desafiando De la Espriella para um debate - sendo que antes da primeira volta ele próprio não aceitou participar em nenhum ou impôs condições que não seriam aceitáveis para os adversários. “As condições para a sua realização serão acordadas pelas pessoas que designei para o efeito, e cujos nomes irei divulgar”, acrescentou Cepeda.
De la Espriella, que acusou o adversário de se “esconder” enquanto Petro fazia campanha, exige que Cepeda (e o presidente) reconheçam o resultado e “parem de alimentar um golpe”.
Mas aceitou debater: “Isto não é com negociadores como os que costuma ter quando acompanha as FARC e outros bandidos; isto é perante o povo e sem condições”, respondeu no X. Mais tarde, propôs a Cepeda que aceitasse a data de 9 de junho, proposta pelo semanário Semana para o debate.
Cepeda também criticou a “politização” da camisola da seleção nacional de futebol, usada pelo adversário e pelos seus apoiantes (não só na noite eleitoral, mas durante a campanha).
“A seleção colombiana pertence a todos os colombianos. A sua camisola é um símbolo nacional e está sujeito a restrições comerciais e políticas. A sua utilização para fins eleitorais, pessoais ou ideológicos é um acto claramente oportunista, cujas implicações legais devem ser analisadas”, disse.

