Abelardo de la Espriella durante a campanha. Discursou sempre rodeado de seguranças e vidro à prova de bala.
Abelardo de la Espriella durante a campanha. Discursou sempre rodeado de seguranças e vidro à prova de bala.FOTO:EPA/STR

"El Tigre" vence a primeira volta na Colômbia e esquerda contesta resultados. Segunda volta é a 21 de junho

Abelardo de la Espriella, o candidato da extrema-direita, foi o mais votado com 43,7% dos votos, à frente do senador Iván Cepeda (40,9%), que é apoiado pelo presidente Gustavo Petro.
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A segunda volta das presidenciais colombianas será, como as sondagens previam, entre o candidato da esquerda, o senador Iván Cepeda, e o da extrema-direita, o advogado Abelardo de la Espriella. Mas, ao contrário do que as sondagens previam, a primeira volta não foi ganha pelo candidato apoiado pelo presidente Gustavo Petro, mas pelo líder do movimento Defensores da Pátria.

De la Espriella, conhecido como "El Tigre", conseguiu 10,3 milhões de votos nas eleições de domingo (31 de maio), o equivalente a cerca de 43,74% dos votos, com Cepeda – que se tinha mostrado confiante de uma vitória à primeira volta, mesmo não estando previsto em nenhuma sondagem – a ficar-se pelos 9,6 milhões de votos (40,90%).

O presidente reagiu de imediato nas redes sociais, dizendo não aceitar os resultados preliminares, apenas os resultados oficiais divulgados pelas comissões eleitorais presididas por juízes da República.

Também o candidato do Pacto Histórico colocou em dúvida a contagem de votos. "Há uma discrepância que queremos verificar em relação ao recenseamento eleitoral, e não se trata de uma discrepância qualquer: estamos a falar de 885 mil pessoas", disse Cepeda em Bogotá aos seus apoiantes, sem adiantar detalhes sobre este número.

As sondagens davam a vitória de Cepeda, mas De la Espriella estava há semanas a subir nas sondagens e numa tendência crescente.

Iván Cepeda durante a campanha.
Iván Cepeda durante a campanha.FOTO:EPA/Mauricio Duenas Castaneda

“Petro e Cepeda são dois bandidos que vamos reformar para sempre. Não ousem desrespeitar a vontade popular, porque o povo vai levantar-se e castigá-los”, reagiu, por seu lado, De la Espriella diante do seus apoiantes, em Barranquilla.

A segunda volta será a 21 de junho, com "El Tigre" a dizer que será uma disputa entre os que defendem a democracia e os que representam a continuidade do atual governo. "Já não há espaço para divergências", declarou o candidato de extrema-direita, que apelou aos sectores da oposição para se unirem para derrotar Cepeda na segunda volta.

A maior surpresa na primeira volta foi o resultado de Paloma Valencia, candidata da direita tradicional apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe. Obteve pouco mais de 1,6 milhões de votos, 6,9%, muito abaixo dos 15% previstos pelas sondagens e até dos 3,2 milhões de votos que obteve nas primárias da coligação de partidos de centro e direita pela qual se candidatou (a Grande Consulta pela Colômbia).

Valencia, neta de um ex-presidente colombiano que esperava ser a primeira mulher nesse cargo, já anunciou o apoio "a nível pessoal" a De la Espriella. “Quero felicitá-lo pela sua impressionante e extraordinária vitória. Ela deixa claro que a Colômbia não cairá nas mãos do neocomunismo que Cepeda e Petro representam”, declarou.

Abelardo de la Espriella durante a campanha. Discursou sempre rodeado de seguranças e vidro à prova de bala.
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