Quem são os candidatos às eleições presidenciais na Colômbia?Há 11 candidatos às eleições presidenciais colombianas, mas as atenções estão focadas em apenas três. O ativista de direitos humanos, filósofo e senador Iván Cepeda, da coligação de esquerda Pacto Histórico, quer continuar o trabalho do presidente Gustavo Petro. Segundo as sondagens, o candidato de 63 anos será o previsível vencedor da primeira volta, neste domingo (31 de maio). Mas tem vindo a perder terreno para o milionário advogado de extrema-direita Abelardo de la Espriella, conhecido como “El Tigre”, que se apresenta pelo movimento Defensores da Pátria e vai a votos pela primeira vez na vida. Admirador dos presidentes Donald Trump (EUA), Javier Milei (Argentina) e Nayib Bukele (El Salvador), o outsider de 47 anos é o mais bem colocado para chegar à segunda volta, a 21 de junho. A direita tradicional apostou na congressista Paloma Valencia, de 50 anos, neta do antigo presidente Guillemo León Valencia (1962-66) e conta com o apoio do popular antigo presidente Álvaro Uribe. Mas as sondagens não são favoráveis à candidata da coligação Grande Consulta pela Colômbia. O que dizem afinal as sondagens?A última, feita pelo Centro Nacional de Consultoria para a revista Cambio e divulgada uma semana antes da ida às urnas, mostra um empate técnico entre Cepeda e De la Espriella, com nenhum deles a chegar aos 50% necessários para evitar uma segunda volta. O primeiro surge com 33,4% das intenções de voto, enquanto o segundo tem 30,9%. A diferença de 2,5 pontos percentuais está dentro da margem de erro, de 3%. Na sondagem anterior do mesmo centro, do início de maio, o candidato da extrema-direita tinha 20,4%, o que significa que cresceu mais de dez pontos percentuais em menos de um mês. Já Cepeda caiu 3,8 pontos no mesmo período (tinha 37,2%). Valencia surge com apenas 12,6% das intenções de voto (também caiu três pontos), parecendo estar afastada da corrida, mas noutras sondagens surge mais próxima de De la Espriella e a expectativa da sua candidatura é que possa surpreender. Os outros candidatos estão todos abaixo dos 2,5%.Nesse cenário, quem poderá ganhar na segunda volta?A mesma sondagem para a revista Cambio coloca Cepeda à frente num eventual duelo com De la Espriella a 21 de junho, mas dentro do empate técnico - 43,6% contra 40,9%. Contudo, tendo em conta que o candidato da extrema-direita tem estado a crescer, nada é certo. Outra sondagem, feita há mais tempo para a revista Semana, dá-lhe a possível vitória, por exemplo, com 44% contra 40,4%. Numa hipotética luta entre Cepeda e Valencia, a diferença é ainda menor (1,7 pontos) a favor do candidato de esquerda, que surge com 40,8% contra 39,1% para a conservadora. Mas afinal quem é Iván Cepeda e o que defende?Filho de militantes comunistas, Cepeda viveu vários períodos no exílio, passando pela então Checoslováquia, Bulgária, Cuba e França. Liderou os apelos por justiça das vítimas dos crimes perpetrados pelo Estado, depois de o seu pai, na altura senador, ter sido morto em 1994 numa operação coordenada entre o exército e os esquadrões paramilitares de direita. Ex-congressista, o senador é apelidado pelos adversários de “herdeiro das FARC”, depois de ter sido chave nas negociações de paz com a guerrilha em 2016. Esteve por detrás do processo contra o antigo presidente Uribe, que seria condenado a 12 anos de prisão domiciliária por manipulação de testemunho antes de ver revogada a sentença. Após ter ganho as primárias do Pacto Histórico com 65% dos votos, aposta pela continuidade do “primeiro governo de mudança” de Petro, o ex-guerrilheiro que chegou ao poder em 2022 (não há reeleição na Colômbia) e cuja aprovação está nos 49,1%, ao mesmo tempo que se tenta afastar dos escândalos de corrupção do seu governo. A sua candidata a vice-presidente é a senadora indígena Aida Quilcué, de Cauca. Se for eleito presidente vai contar com uma maioria nas duas câmaras do Congresso, após as eleições legislativas de 8 de março. E de onde veio o desejo de Abelardo de la Espriella para entrar na política?O advogado milionário de 47 anos lançou-se na política com o anúncio da candidatura à presidência, há dois anos, mas não é um estranho nestes meandros - devido aos clientes de alto perfil que defendeu, entre eles o antigo presidente Uribe. E também não é um total desconhecido, apesar de viver em Miami antes disso, tendo editado várias covers de músicas em espanhol e italiano e lançado uma marca de roupa. Autointitula-se “El Tigre”, uma alcunha que surgiu de forma espontânea nas redes sociais depois de Uribe ter dito um dia que o seu partido estava à espera de um tigre para liderar as presidenciais. O partido do ex-presidente apostou na candidatura de Valencia, mas a alcunha pegou. O seu candidato a vice-presidente é José Manuel Restrepo, que foi ministro das Finanças de Iván Duque. Qual foi o principal tema da campanha?A violência é uma das grandes preocupações dos colombianos. O problema é crónico, com o diálogo com grupos terroristas e criminosos a criar inúmeras dissidências e outros grupos que controlam mais território e entram em choque uns com os outros. Em 2025, houve um assassinato a cada 38 minutos, segundo os dados oficiais. Cepeda insiste na ideia de “paz total” de Petro, segundo a qual a violência tem causas sociais e não se resolve apenas com a força, mas com diálogo e políticas sociais. Em relação ao narcotráfico, propõe a legalização da coca, para tirar uma fonte de rendimento aos grupos armados. De la Espriella, que fez campanha rodeado de seguranças e com colete e vidro à prova de bala, não vai buscar a Bukele apenas o estilo de barba: quer construir 10 megaprisões na Colômbia e defende uma abordagem militarizada ao tráfico de droga, com ataques a aviões e barcos suspeitos (ao estilo dos EUA) e a fumigação das plantações de coca. Valencia, crítica tanto do acordo de paz com as FARC de há dez anos como a “paz total” de Petro, propondo um Plano Colômbia 2.0 (numa referência à iniciativa contra o narcotráfico que existiu com o apoio dos EUA até 2016). Quer contratar mais 60 mil polícias e militares e aumentar o orçamento para a segurança.E que outros temas foram discutidos?A crise na saúde e a corrupção também marcaram a campanha, este último tema pelas denúncias a envolver membros do governo de Petro. Na saúde, o problema prende-se com a falta de medicamentos, além dos atrasos em conseguir consultas. Neste âmbito, Cepeda quer reverter a privatização do setor e defender o sistema público, mas o Senado até agora tem rejeitado a proposta de Petro no mesmo sentido. Vê a saúde como um direito fundamental e não um negócio. De la Espriella quer maior controlo sobre o que os privados fazem com o dinheiro do Estado, pondo o paciente no centro do sistema. E, no final, quem vai eleger o sucessor de Gustavo Petro?Há 41,4 milhões de eleitores colombianos, sendo que os que estão no estrangeiro tiveram uma semana para votar (desde segunda, 25, até ao domingo). Os eleitores votam na dupla formada pelo presidente e pelo vice-presidente, com a foto de ambos a surgir lado a lado no boletim de voto, assim como o quadrado onde têm que colocar a cruz. No sorteio dos lugares onde cada dupla aparece, Cepeda foi o mais beneficiado, surgindo no primeiro lugar, no canto superior esquerda, com De la Espriella (que na foto está a fazer continência) a surgir logo abaixo, sendo o primeiro da segunda linha. Valencia perde-se no meio de todos. O boletim de voto tem não só os 11 candidatos oficiais, como outros três que entretanto desistiram (todos a favor do candidato da esquerda)..Dois ataques terroristas elevam nível de violência na Colômbia a um ano das eleições