O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, revelou este domingo ter proposto uma trégua inicial de dois dias na Faixa de Gaza, para permitir a troca de quatro reféns do Hamas por um número limitado de prisioneiros palestinianos em Israel, como forma de relançar o diálogo. Depois, haveria negociações intensivas ao longo de dez dias com o objetivo de chegar a um cessar-fogo global..A proposta terá sido apresentada ao chefe da Mossad, David Barnea, que viajou ontem para Doha para um encontro com o homólogo da CIA, Bill Burns, e o primeiro-ministro do Qatar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani. O Hamas, aparentemente ainda sem líder após a morte de Yahya Sinwar num ataque israelita, não está diretamente envolvido nesta ronda de negociações, mas tem o seu gabinete político em Doha e estará em contacto tanto com o Qatar como com o Egito..Segundo disse um oficial israelita ao The Times of Israel, o governo de Benjamin Netanyahu está a explorar precisamente a ideia de um pequeno acordo que permita retomar as negociações com o Hamas e perceber a forma como este grupo tomará agora as decisões, sem Sinwar..No passado o primeiro-ministro israelita mostrou disponibilidade para uma trégua temporária, mas faz depender um cessar-fogo da destruição total do Hamas. Já o grupo terrorista palestiniano tem recusado libertar os reféns sem a garantia de um cessar-fogo permanente..Protesto contra Netanyahu.A nova ronda de negociações surge no dia em que Netanyahu foi interrompido por manifestantes. O primeiro-ministro discursava numa cerimónia de homenagem às vítimas do ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, no qual morreram cerca de 1200 pessoas, quando familiares das vítimas e dos reféns (ainda há 101 nas mãos do Hamas) gritaram que ele “devia ter vergonha”. Netanyahu retomou o discurso depois de os manifestantes terem sido retirados da sala..Na Faixa de Gaza, e apesar da nova ronda de negociações, Israel retomou os bombardeamentos. Pelo menos 20 pessoas morreram num ataque a uma casa em Jabalia e outras 11 num bombardeamento a uma antiga escola no bairro de Shati, em Gaza. Os números são das autoridades de saúde do enclave palestiniano, controladas pelo Hamas. Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel disseram ter “eliminado mais de 40 terroristas” em Jabalia..“A situação dos civis palestinianos encurralados no norte da Faixa de Gaza é insuportável”, denunciou o secretário-geral das Nações Unidas, num comunicado citado pela AFP, descrevendo “civis presos sob os escombros, pessoas doentes e feridas privadas de cuidados de saúde vitais e famílias sem comida e abrigo”. O português insistiu ainda que Israel continua a “negar, com poucas exceções” tentativas de entrega de ajuda humanitária a essa zona do enclave. .Segundo o Jerusalem Post, o Knesset (Parlamento israelita) deverá aprovar hoje uma proposta de lei para proibir a atuação da Agência da ONU para os Refugiados Palestinianos (UNRWA, na sigla em inglês) na Cisjordânia ocupada, em Jerusalém Oriental e em Gaza no prazo de 90 dias. Isto apesar da pressão internacional contra esta proposta. .“Irão não procura a guerra”.Ainda no rescaldo dos bombardeamentos israelitas contra o Irão, em retaliação ao ataque iraniano de 1 de outubro, Netanyahu disse que foi “preciso e poderoso e cumpriu os objetivos”. .Mas, numa primeira reação, o líder supremo do Irão, Ali Khamenei, disse no X que “os danos causados pelo regime sionista não devem ser exagerados nem minimizados”, denunciando um “erro de cálculo” de Israel. Por seu lado o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que o país dará “a resposta apropriada a Israel”, defendendo ainda assim que “não procura a guerra”..Um morto em Israel em possível atentado.Uma pessoa morreu e 32 ficaram feridas, cinco delas em estado grave, quando um camião embateu contra uma paragem de autocarro perto de uma base militar em Glilot, a norte de Telavive, com as autoridades a investigarem um possível “ataque terrorista”..O condutor do camião, que os media locais dizem ser um árabe israelita, foi “abatido a tiro por civis presentes na zona”, segundo a polícia. O seu corpo será sujeito a uma autópsia para determinar se terá sofrido algum problema médico antes do incidente..O Hamas emitiu um comunicado a louvar o ataque “heroico”, mas sem reivindicar qualquer responsabilidade. Porém, alegou ser “a resposta natural aos crimes da ocupação sionista” na Faixa de Gaza, na Cisjordânia e Jerusalém e ao “brutal massacre” que decorre no norte do enclave palestiniano..susana.f.salvador@dn.pt