Duas pessoas resgatadas com vida dos escombros dez dias após enxurradas no Nepal
Um homem e uma mulher chineses foram este sábado, 5 de setembro, resgatados no Nepal, em operações separadas, dez dias após as enxurradas devastadoras terem atingido o país.
O homem foi resgatado de um túnel de uma central hidroelétrica, segundo uma publicação nas redes sociais do gabinete do primeiro-ministro nepalês, elevando assim para três o número de trabalhadores resgatados com vida do projeto hidroelétrico de Trishuli, um dia após os outros dois terem sido resgatados.
O exército nepalês explicou que o homem foi resgatado de um túnel de 225 metros por uma equipa conjunta composta por militares nepaleses e especialistas em catástrofes sul-coreanos e que estava a ser submetido a uma avaliação de saúde.
Imagens de meios de comunicação social mostraram o homem a ser transportado para fora do túnel por dois socorristas e a ser evacuado de helicóptero, com um médico do exército a examiná-lo durante o voo.
Os esforços das equipas de resgate têm-se concentrado precisamente em 12 projetos hidroelétricos, onde cerca de 900 trabalhadores estão desaparecidos e aproximadamente 500 estariam presos em diversos túneis. Nas operações participam equipas especializadas de Índia, China, Coreia do Sul e Estados Unidos.
Paralelamente, uma mulher foi resgatada com vida de uma casa, na cidade de Nuwakot, tendo sido transportada de helicóptero para Katmandu para receber tratamento.
Imagens divulgadas pelo exército nepalês mostraram os socorristas a encontrar a mulher coberta de lama dentro de uma casa danificada, tendo-lhe dado uma garrafa de água antes de a retirarem, envolta num cobertor cinzento.
O número de mortos devido às inundações devastadoras no Nepal aumentou para 1.344 e o de desaparecidos situa-se em 4.886, prosseguindo as operações de busca e salvamento nas zonas afetadas, aponta este sábado o último balanço das autoridades.
O mais recente relatório da Polícia do Nepal elevou o número de mortos em 39, enquanto o número de pessoas cujo paradeiro é desconhecido diminuiu ligeiramente face aos anteriores 4.898. Entre os desaparecidos contam-se pelo menos 606 cidadãos estrangeiros.
As operações, que mantêm cerca de 8.000 agentes mobilizados, permitiram, até ao momento, prestar assistência a 8.962 pessoas. Os trabalhos prosseguem com a esperança de encontrar mais sobreviventes na zona zero.
A identificação das vítimas mortais continua a ser um dos maiores desafios logísticos. As autoridades precisaram que, dos 1.344 corpos recuperados, entre os quais se contam 85 menores, 1.270 continuam por identificar. Perante esta crise, os médicos legistas continuam a recolher amostras de ADN, tendo já acumulado 2.272 perfis genéticos de falecidos e familiares.
Por seu lado, no Tibete (China), região também atingida pelas inundações de 26 de agosto, as autoridades chinesas dão conta, na sua última atualização, de 31 mortos e 531 pessoas ainda por localizar.
As cheias repentinas de 26 de agosto, descritas pelos observadores locais como um dos piores desastres de que há memória no Nepal, fizeram o nível da água do rio Trishuli subir entre 15 e 18 metros acima do normal, destruindo povoações ao longo de um troço de 72 quilómetros das suas margens.
Causaram também danos significativos em centrais hidroelétricas e outras infraestruturas, além de terem destruído habitações, estradas e pontes em vários distritos.
Destruíram igualmente o posto fronteiriço de Rasuwagadhi-Kerung, na fronteira entre o Nepal e a China, uma rota essencial para o comércio bilateral, e afetaram dezenas de povoações.
A catástrofe foi desencadeada pelo desprendimento de uma massa de gelo e rochas da face norte de Langtang Lirung, o cume mais alto da cordilheira do Langtang Himal, uma subcordilheira dos Himalaias nepaleses, situado a sudoeste do pico de Shishapangma, a nordeste de Katmandu e cinco quilómetros a sul da fronteira com o Tibete.

