Os votos ainda estão a ser contados no Reino Unido, mas com mais de 2500 conselheiros eleitos dos cinco mil em jogo em 136 autoridades locais (councils), já é possível antecipar quem são os vencedores e vencidos das eleições locais em Inglaterra.De um lado está o líder do Reform UK, Nigel Farage, que fala numa "mudança verdadeiramente histórica na política britânica". Do outro está o líder do Labour, Keir Starmer, que admite uma derrota "muito difícil" mas recusa demitir-se da chefia do governo.A contagem dos votos continua nas eleições para o parlamento da Escócia, havendo a expectativa que o Partido Nacionalista Escocês repita a vitória (apesar de cair em votos e haver uma subida do Reform UK). No Parlamento do País de Gales, o Labour já admitiu a derrota, com os nacionalistas do Plaid Cymru e o Reform UK a disputar a vitória.VENCEDORESNigel Farage:O líder do Reform UK é, como as sondagens já previam, o grande vencedor da jornada eleitoral em Inglaterra – ainda à espera de saber o que vem aí no País de Gales, onde tem expectativa de poder ganhar também, estando a disputar a vitória com os nacionalistas do Plaid Cymru.Dos mais de 2500 representantes eleitos até às 16h30, o Reform UK já tinha conquistado 873 – antes das eleições só tinham dois – e assumido o controlo de seis "councils"."O melhor ainda está para vir", disse Farage, na primeira reação, falando numa "mudança verdadeiramente histórica na política britânica".O partido populista Reform UK nasceu oficialmente em 2018, uma evolução do UKIP (Partido da Independência do Reino Unido) que tinha feito campanha pelo Brexit. Desde o ano passado que lidera as intenções de voto para as legislativas, oito pontos à frente do Labour e dos Conservadores."O sistema bipartidário está morto e o Reform é o grande vencedor destas eleições locais", disse o número dois do partido, Richard Tice, à Sky News.Zack Polanski:Os Verdes são também vencedores, mas ainda aguardam os resultados de Londres – onde estava previsto que se saíssem melhor. A ideia do líder, Zack Polanski, era o partido poder ser uma alternativa ao Labour, tal como aconteceu em duas eleições parlamentares especiais no ano passado.O sistema bipartidário "não está apenas a morrer, está morto e enterrado", referiu após conquistar a sua primeira autarquia de forma direta, em Hackney. Zoë Garbett derrotou o até agora mayor trabalhista. Em relação aos representantes, já tinham ganho 187, mais 119 do que tinham.Ed Davey:O líder dos Liberais-Democratas era outro que estava satisfeito com os primeiros resultados, defendendo que "tanto os Conservadores como os Trabalhistas precisam de acordar para a realidade de que os partidos tradicionais estão fora de moda".Mas também teve uma mensagem de preocupação, devido ao crescimento dos partidos "populistas", dizendo "não são as mudanças que os populistas prometem que são as mudanças que o nosso país precisa e que as pessoas querem", colocando os liberais-democratas como os únicos capazes de ser uma alternativa.O partido já tinha eleito, às 16h30, 502 representantes, mais 50 do que tinha e conquistado mais um council.VENCIDOS:Keir Starmer:O primeiro-ministro entrou nas eleições sabendo que não ia ser um dia fácil, no meio de críticas ao seu trabalho no número 10 de Downing Street. O Labour era o partido que defendia mais representantes, dos mais cinco mil a votos, e às 16h30, com mais de 2500 já declarados, só tinha eleito 420 e tinha perdido 620. A derrota parece contudo que, no final, será menor do que o que alguns previam, com eventuais perdas de 1800 conselheiros. Tinha 17 councils, tendo perdido já 15.“Não há forma de suavizar a situação”, disse Starmer logo de manhã, falando numa derrota "muito difícil" para o Partido Trabalhista. “Quando os eleitores enviam uma mensagem destas, devemos refletir e devemos responder”, afirmou, acrescentando, no entanto, que não ia “desistir e mergulhar o país no caos”.A derrota do Labour estende-se também ao País de Gales, onde nunca tinha perdido uma eleição. Dos 96 deputados que tinha no Parlamento regional, a expectativa da líder do partido a nível local era que só ganhasse dez. A vitória estava a ser disputada entre o Reform UK e o Plaid Cymru.Até a líder do Labour no País de Gales e atual chefe do governo, Eluned Morgan, perdeu o seu lugar. Kemi Badenoch:O cenário era mau para o Labour, mas também não era muito positivo para o Partido Conservador e para Kemi Badenoch. Em Essex, onde foi eleita deputada, os conservadores perderam o controlo das autoridades locais para o Reform UK, que elegeu 52 representantes neste council (só tinha um até agora). Os conservadores perderam 37, ficando com apenas 13.A nível das eleições locais em Inglaterra, o partido tinha eleito 437 representantes (e perdido 402), mais uma vez não tão grave como era esperado. Daí que a líder do partido tenha vendido os resultados como uma vitória, tendo ganho Westminster ao Labour e conseguido manter a liderança noutros councils, superando o desafio do Reform UK."Os conservadores estão a regressar. Prometi renovar este partido, disse que iríamos reconstruir depois da nossa pior derrota de sempre. Podemos ver estes sinais de renovação em todos os lugares onde estamos", afirmou, numa primeira reação. "Este é o início, não é o fim", indicou, defendendo que o país "precisa dos conservadores". .P&R - Irá Keir Starmer conseguir resistir ao desaire eleitoral dos trabalhistas?.Starmer recusa demissão após resultados “difíceis” nas eleições autárquicas