Presidente do Conselho Europeu, António Costa
Presidente do Conselho Europeu, António CostaJOSÉ COELHO/LUSA

Costa defende sistema internacional baseado "em regras” e Von der Leyen rejeita uma Europa "guardiã da velha ordem mundial"

O presidente do Conselho Europeu considera que a "Europa é um verdadeiro trunfo estratégico” num mundo polarizado e defende uma ordem mundial baseada em normas.
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António Costa, presidente do Conselho Europeu, disse esta terça-feira, 10 de março, que é preciso defender a ordem mundial "baseada em regras". Uma posição transmitida durante a conferência anual de embaixadores da UE depois de a líder da Comissão Europeia ter dito que a "Europa já não pode continuar a ser a guardiã da velha ordem mundial, de um mundo que já não existe e que não voltará".

Na segunda-feira (9), Ursula von der Leyen defendeu que a Europa já não pode confiar só num sistema internacional assente em normas.

"Defenderemos e respeitaremos sempre o sistema baseado em regras que ajudámos a construir com os nossos aliados, mas já não podemos continuar a confiar nele como a única forma de defender os nossos interesses, nem assumir que as suas regras nos protegerão das complexas ameaças que enfrentamos", considerou a líder do executivo comunitário num encontro com embaixadores europeus. "Precisamos de construir o nosso próprio caminho europeu e encontrar novas formas de cooperar com os nossos parceiros", defendeu.

Para Von der Leyen é preciso fazer uma análise "com lucidez e rigor" sobre a "política externa" da Europa "no mundo atual, tanto na forma como é concebida como na forma como é aplicada". "Precisamos urgentemente de refletir sobre se a nossa doutrina, as nossas instituições e o nosso processo de tomada de decisões - todos concebidos num mundo pós-guerra de estabilidade e multilateralismo - acompanharam o ritmo das mudanças à nossa volta", disse.

"A questão é que, se acreditamos – como eu acredito – que precisamos de uma política externa mais realista e orientada para os interesses, então temos de ser capazes de a concretizar", afirmou Von der Leyen.

Já o presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu que a visão global da União Europeia (UE) é um trunfo num mundo polarizado.

“Em tempos de polarização e fragmentação no mundo, a visão global da Europa é um verdadeiro trunfo estratégico”, disse, falando na conferência anual de embaixadores da UE.

“Conhecemos a nova realidade: uma realidade em que a Rússia viola a paz, a China perturba o comércio e os Estados Unidos desafiam a ordem internacional baseada em regras”, referiu ainda.

Perante esta “nova realidade”, Costa considerou, é preciso “defender a ordem internacional baseada em regras”, sublinhando ainda que as violações do direito internacional não podem ser admitidas “seja na Ucrânia, Gronelândia, América Latina, África, em Gaza ou no Médio Oriente”.

António Costa salientou ainda que “as violações dos direitos humanos não podem ser toleradas – seja no Irão, no Sudão ou no Afeganistão”.

Referindo que a guerra no Médio Oriente é a principal preocupação, o líder do Conselho Europeu apontou responsabilidades ao Irão pelas causas da situação e referiu que os ataques de Teerão e dos seus ‘proxies’, como o grupo xiita libanês Hezbollah, a países vizinhos têm de acabar.

Costa salientou ainda que o conflito no Médio Oriente favorece a Rússia, nomeadamente com o aumento dos preços da energia que ajudam a economia deste país exportador de petróleo e a redução da atenção internacional à guerra na Ucrânia.

Os EUA e Israel lançaram a 28 de fevereiro uma campanha de ataques militares contra o Irão.

Em resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre, Azerbaijão e na Turquia.

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