Trump acusa Teerão de criar novo local para armas nucleares. Netanyahu avisa que guerra ainda não acabou

EUA e Israel atacaram o Irão a 28 de fevereiro. O Irão retaliou contra países da região com bases americanas bloqueando o Estreito de Ormuz onde passa um quinto do petróleo mundial. Siga aqui.
Donald Trump na chegada a Washington DC no dia 9 de março.
Donald Trump na chegada a Washington DC no dia 9 de março.Foto: Samuel Corum /EPA

Primeiro-ministro israelita avisa que a guerra contra o Irão ainda não acabou

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, avisou esta terça-feira que a guerra contra o Irão ainda não acabou e que os objetivos passam por "libertar" o povo iraniano da "tirania" do regime no poder.

"Não há dúvida de que, com as ações tomadas até agora, estamos a 'partir-lhe os ossos' - e ainda não acabámos", afirmou o primeiro-ministro de Israel, durante uma visita a um centro de emergência coordenado pelo Ministério da Saúde.

"Aspiramos a conduzir o povo iraniano a se libertar do jugo da tirania. Em última análise, isso depende deles", disse ainda o primeiro-ministro de Israel.

Turquia instala bateria antiaérea ‘Patriot’ no centro do país

As forças armadas da Turquia anunciaram hoje a instalação de uma bateria de mísseis de defesa aérea ‘Patriot’, de fabrico norte-americano, no centro do país, um dia depois da segunda interceção de um míssil alegadamente disparado do Irão.

"Foi instalado um sistema ‘Patriot’ para reforçar a proteção do nosso espaço aéreo, em Malatya", província a leste de Anatólia, informou o ministério da Defesa turco em comunicado.

Naquela região está instalada a base militar norte-americana de Kurecik, que possui um radar de alerta antecipado capaz de detetar lançamentos de mísseis inimigos.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) confirmou na segunda-feira o abate de um míssil destinado à Turquia, sem especificar a sua origem, e afirmou estar preparada para “defender todos os aliados contra qualquer ameaça”.

“A NATO voltou a intercetar um míssil destinado à Turquia. A NATO mantém-se firme na sua prontidão para defender todos os aliados contra qualquer ameaça”, indicou a porta-voz da Aliança Atlântica, Allison Hart, em resposta à agência Lusa.

Segundo o governo da Turquia “fragmentos do míssil caíram em campos em Gaziantep [sudeste da Turquia]”, mas “o incidente não causou vítimas nem feridos”.

Um incidente idêntico já tinha sido denunciado pela Turquia na quarta-feira, 04 de março, ao quarto dia da guerra desencadeada pela ofensiva conjunta de Estados Unidos da América (EUA) e Israel contra o Irão.

A Turquia é membro da NATO, organização da qual Portugal é um dos membros fundadores e que conta atualmente com 32 membros.

Lusa

Donald Trump na chegada a Washington DC no dia 9 de março.
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Teerão ameaça impedir a navegação de petroleiros a países aliados dos EUA

A Guarda Revolucionária iraniana disse hoje que o Irão não vai permitir a exportação de petróleo produzido na região para países aliados dos Estados Unidos e de Israel enquanto a guerra no Médio Oriente se mantiver.

O porta-voz da Guarda Revolucionária, Ali Mohammad Naini, citado pela agência de notícias Tasnim, disse que as forças iranianas não vão permitir a exportação "de um único litro de petróleo" da região até novas ordens.

A navegação no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do crude mundial, está condicionada desde o início da guerra, a 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

Teerão retaliou com ataques de drones e mísseis contra interesses israelitas e norte-americanos em toda a região e atacou repetidamente petroleiros que utilizam a rota marítima.

Os preços do petróleo aumentaram, ultrapassando os 100 dólares por barril, o nível mais elevado desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que as operações militares no Irão vão terminar "em breve" revertendo a tendência de subida do preço do petróleo.

"Os esforços [de Donald Trump] para reduzir e controlar os preços do petróleo e do gás são de curta duração e inúteis. Em tempos de guerra, o comércio depende da segurança regional", disse Ali Mohammad Naini.

Na noite de segunda-feira, a Guarda Revolucionária pediu aos países árabes e europeus que expulsassem os embaixadores norte-americanos e israelitas para obterem acesso ao Estreito de Ormuz.

"Qualquer país árabe ou europeu que expulse os embaixadores israelita e americano do respetivo território terá total liberdade e autorização para transitar pelo Estreito de Ormuz a partir de terça-feira", declarou a Guarda Revolucionária através da televisão estatal iraniana.

Lusa

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China, Rússia e França entram em contacto com Irão para discutir trégua, diz Teerão

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, afirmou que vários países, incluindo a China, a Rússia e a França, contactaram Teerão para discutir um possível cessar-fogo.

"A nossa primeira condição para um cessar-fogo é que a agressão não se repita", declarou ainda Gharibabadi, durante uma entrevista divulgada hoje pela agência de notícias persa ISNA.

"Não iniciámos a agressão nem a guerra", disse o diplomata, em resposta aos apelos para um cessar-fogo, acrescentando que o país está a defender-se.

As declarações surgem depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, ter rejeitado, na segunda-feira, negociações de paz com os Estados Unidos (EUA).

"Estamos prontos para continuar a atacá-los com mísseis durante o tempo que for necessário e sempre que for necessário", disse o chefe da diplomacia iraniana à emissora norte-americana PBS News.

Araqchi acrescentou que as negociações com Washington "já não estão na agenda" e que o Irão está preparado para lutar "pelo tempo que for necessário".

No domingo, o ministro já tinha rejeitado apelos para um cessar-fogo imediato, durante uma entrevista com uma outra emissora norte-americana, a NBC.

Lusa

MNE chinês pede cessar-fogo em conversas com homólogos do Bahrein e Kuwait

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, pediu hoje um cessar-fogo imediato e diálogo para resolver a crise no Médio Oriente, em conversas telefónicas com os homólogos do Kuwait e do Bahrein.

Wang indicou na conversa com o homólogo do Kuwait, Yarrah Yaber al Ahmad al Sabah, que o conflito atual “constitui uma guerra que nunca deveria ter eclodido e que não beneficia nenhuma das partes”, de acordo com um comunicado publicado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

O diplomata chinês sublinhou que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irão sem autorização do Conselho de Segurança da ONU e enquanto as negociações entre Washington e Teerão ainda estavam em andamento, o que constitui uma “violação do direito internacional”.

Wang afirmou que a soberania, a segurança e a integridade territorial dos países do Golfo devem ser plenamente respeitadas, ao mesmo tempo que sublinhou que qualquer ataque contra civis ou alvos não militares “deve ser condenado”.

“A prioridade imediata é parar as operações militares e evitar que o conflito se alastre ainda mais”, acrescentou o ministro.

O chefe da diplomacia chinesa afirmou ainda que vários países do Golfo têm defendido a resolução das tensões através do diálogo, uma posição que Pequim aprecia, e reiterou que a China continuará a promover esforços diplomáticos para reduzir as tensões na região.

Wang indicou que o enviado especial do Governo chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, já se encontra na região para realizar esforços de mediação e que manterá contactos com os países envolvidos.

O ministro chinês lamentou, em conversa com o homólogo do Bahrein, Abdulatif bin Rashid al Zayani, que “a situação no Golfo se tenha deteriorado drasticamente” e que a segurança do país insular “tenha sido comprometida”, uma conjuntura que “preocupa profundamente” Pequim.

Wang indicou a Al Zayani que o enviado especial chinês visitará o Bahrein durante a viagem pela região, que já o levou no domingo a reunir-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Faisal bin Farhan, em Riade.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Bahrein declarou que o país “sempre defendeu a paz” e “não deve ser afetado por ataques ilegais”, de acordo com o comunicado chinês.

O ministro do Kuwait afirmou a Wang que o país “não faz parte” da guerra, embora “tenha sido afetado” pelas repercussões, e sublinhou que os Estados do Golfo “continuam empenhados na resolução de disputas através do diálogo”, embora “não renunciem ao seu direito legítimo à autodefesa”.

Os diplomatas garantiram a Wang que continuarão a tomar medidas para garantir a segurança das instituições e cidadãos chinesas nos seus territórios, depois de o Irão ter respondido aos bombardeamentos por parte de Israel e dos Estados Unidos com ataques a países da região, entre os quais o Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

A China, principal parceiro comercial de Teerão e maior comprador de petróleo, condenou repetidamente os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel por “violarem a soberania” do país persa.

As autoridades chinesas têm também defendido nos últimos dias a “manutenção da segurança das rotas marítimas”, tendo em conta que 45% do petróleo importado pela China chega através do Estreito de Ormuz.

Lusa

Trump acusa Teerão de criar novo local para desenvolver armas nucleares

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, alegou que a guerra com o Irão começou porque o país estava a iniciar a construção de um novo local para o desenvolvimento de material para armas nucleares.

Numa conferência de imprensa realizada na segunda-feira, Trump diz que o Irão tinha um novo local para desenvolver armas nucleares protegido por granito, para substituir as instalações bombardeadas no ano passado pelos EUA.

“Mas estavam a começar a trabalhar noutro local, um local diferente, um tipo diferente de local — e esse estava protegido por granito”, disse Trump.

O presidente acrescentou que o Irão queria utilizar a “ameaça crescente dos mísseis balísticos para tornar praticamente impossível impedi-los de obter uma arma nuclear”.

Trump garantiu ainda que o Irão teria sido capaz de dominar o Médio Oriente se os EUA e Israel não tivessem lançado a atual campanha de ataques aéreos.

"Se eu não os atacasse primeiro, eles atacariam primeiro os nossos aliados. Acredito nisso com base em informações", disse o Presidente, antes de acrescentar: "Eles iriam tomar conta do Médio Oriente".

O republicano disse aos jornalistas estava desapontado com a escolha de Mojtaba Khamenei como líder supremo do Irão, suceder ao pai, o 'ayatollah' Ali Khamenei, que foi morto em ataques dos EUA e de Israel.

A escolha de Mojtaba Khamenei levaria a "mais do mesmo" para um país que Trump procura mudar, lamentou o chefe de Estado.

Ainda assim, o Presidente disse que "não seria correto" dizer se o novo líder do Irão seria alvo de um ataque letal, como aconteceu com o pai, o 'ayatollah' Ali Khamenei.

Trump disse que gostou da ideia de um líder interino, escolhido a partir de um grupo de candidatos locais, afirmando que este processo "funcionou bem" com a nova líder da Venezuela, Delcy Rodríguez, após a captura de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas.

"Acho que mostrámos isso até agora na Venezuela. Temos uma mulher, Delcy Rodríguez, que é muito respeitada e está a fazer um grande trabalho", disse o republicano.

O presidente dos EUA elevou ainda as expectativas ao dizer que gostaria de um candidato no Irão que fosse "interno e eterno".

Trump também falou por telefone na segunda-feira com o presidente russo, Vladimir Putin, para discutir a guerra e outros assuntos.

O Kremlin avançou que os dois líderes tiveram uma conversa "franca e objetiva" que durou cerca de uma hora.

Lusa

Donald Trump na chegada a Washington DC no dia 9 de março.
Irão dá sinal de reforço da linha dura, mas Trump diz que a guerra está a caminho do fim
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