Na quarta-feira, houve um "grave incidente de segurança" a bordo de um avião da Flydubai que seguia para Israel quando um copiloto atacou o piloto
Na quarta-feira, houve um "grave incidente de segurança" a bordo de um avião da Flydubai que seguia para Israel quando um copiloto atacou o pilotoABIR SULTAN/EPA

Como a aviação comercial tenta evitar pilotos suicidas

Na quarta-feira, um copiloto de um avião comercial da Flydubai que seguia para Telavive, em Israel, atacou o piloto e esfaqueou-o.
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O incidente ocorrido quarta-feira, 30 de setembro, num avião da Flydubai com destino a Telavive, em que um dos pilotos agrediu e esfaqueou o colega durante o voo, recorda que o posto de pilotagem é um local extremamente sensível para a segurança aérea.

A agência noticiosa France-Presse (AFP) descreve através de várias perguntas e respostas como evitar que um comandante de uma companhia aérea se transforme num piloto suicida.

O QUE ACONTECEU?

O incidente ocorreu num voo entre o Dubai e Telavive, que sobrevoava o noroeste da Arábia Saudita. De acordo com as primeiras informações divulgadas pelo Governo israelita, um dos dois pilotos do Boeing 737 agrediu subitamente o copiloto.

“Um dos copilotos esfaqueou, ou atingiu com um machado, o outro piloto, um piloto indiano”, afirmou na quarta-feira à noite o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, à cadeia de televisão norte-americana CBS.

Existe obrigatoriamente um machado de pequenas dimensões em cada posto de pilotagem, destinado a situações de emergência em que os pilotos tenham de cortar algum objeto.

Independentemente da arma utilizada e do modo como ocorreu a agressão, o atacante foi dominado, a tripulação conseguiu efetuar uma aterragem de emergência no aeroporto saudita de Tabuk e o piloto agredido, que foi hospitalizado, encontra-se fora de perigo.

Os Emirados Árabes Unidos abriram na quarta-feira uma investigação para determinar se existiu ou não “intenção terrorista”.

Netanyahu não tem dúvidas: na sua opinião, foi evitado “outro acidente semelhante ao de 11 de setembro”.

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COMO SÃO CONTROLADOS OS PILOTOS NOS AEROPORTOS?

Em princípio, os controlos de segurança destinados a verificar se os passageiros transportam objetos que possam pôr em risco a segurança a bordo de um avião também se aplicam à tripulação. Os pilotos não estão isentos destes procedimentos.

Consoante a dimensão do aeroporto de partida, passam pelos mesmos pontos de controlo que os passageiros ou por filas próprias. Esta etapa permite detetar eventuais irregularidades, por exemplo, se um piloto estiver invulgarmente nervoso ou sob o efeito do álcool.

As bagagens de cabine também são sujeitas a controlo por raios X e os pilotos passam por detetores de metais.

Israel é um destino particularmente sensível em matéria de segurança aérea desde os sequestros de aviões e os atentados da década de 1970, o que exige um elevado nível de vigilância, a que um aeroporto de grandes dimensões e prestígio como o do Dubai está habituado.

QUE MEDIDAS EXISTEM PARA IMPEDIR O ACESSO AO ‘COCKPIT’?

A 11 de setembro de 2001, passageiros de voos domésticos norte-americanos conseguiram assumir com demasiada facilidade o controlo dos comandos de aviões comerciais, no âmbito de atentados coordenados.

Desde então, o acesso ao posto de pilotagem (‘cockpit’) tornou-se mais difícil, tendo os pilotos a possibilidade de trancar a porta, sempre blindada, caso sejam alertados para uma ameaça proveniente da cabine de passageiros.

Neste caso, porém, a ameaça surgiu no interior do próprio ‘cockpit’, uma situação extremamente rara. O piloto agredido, o indiano Smit Machchhar, conseguiu, segundo os primeiros testemunhos, manter o acesso ao ‘cockpit’ e alertar os colegas.

Foi elogiado como um “herói” pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

COMO PODEM AS COMPANHIAS AÉREAS GARANTIR QUE OS SEUS PILOTOS NÃO REPRESENTAM UM PERIGO

Este é o aspeto mais delicado, uma vez que se trata de detetar uma ameaça que pode não apresentar sinais evidentes prévios.

O caso mais emblemático é o da queda de um avião da Germanwings nos Alpes franceses, em 2015, provocada deliberadamente por um piloto. A investigação concluiu que o piloto alemão, de 27 anos, sofria de depressão e apresentava tendências suicidas que eram pouco conhecidas da entidade empregadora. O acidente, que causou a morte de 150 pessoas, alertou as companhias aéreas de todo o mundo para a necessidade de um acompanhamento rigoroso da saúde mental dos membros das tripulações.

No entanto, as empresas divulgam pouca informação sobre as medidas que adotam nesta matéria, por várias razões, entre elas a confidencialidade.

No caso da Flydubai, continuam por esclarecer numerosas questões. O jornal ‘online’ indiano Firstpost questionou, por exemplo, as razões pelas quais um piloto que, segundo Netanyahu, tem nacionalidade omanita, foi destacado para um voo com estas características.

Omã e Israel não mantêm relações diplomáticas oficiais desde 2000, o que impõe fortes restrições aos cidadãos omanitas que pretendam deslocar-se a Telavive.

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