Os passageiros que seguiam a bordo do voo da Flydubai na chegada a Israel após o ataque ao piloto
Os passageiros que seguiam a bordo do voo da Flydubai na chegada a Israel após o ataque ao pilotoABIR SULTAN/EPA

Israel investiga possível radicalização de copiloto da Flydubai

O Governo dos Emirados Árabes Unidos anunciou que uma equipa própria começou a investigar o ataque e a apurar "se houve alguma ligação com fins terroristas". Israel pediu que o copiloto seja enviado para o país para ser investigado.
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O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou esta quarta-feira, 1 de outubro, que o copiloto suspeito de atacar o comandante de um voo da Flydubai passou por um processo de "doutrinação islâmica".

Questionado sobre quem poderá ter radicalizado o suspeito, Netanyahu afirmou não saber e indicou que Israel está a colaborar com a investigação conduzida pelos Emirados Árabes Unidos.

"Vamos chegar ao fundo desta história", afirmou Netanyahu ao programa "Fox and Friends", da estação norte-americana Fox News.

Um vídeo gravado no interior do avião por Shota Musayev, um médico dentista que prestou assistência ao comandante, mostra o copiloto ajoelhado e com as mãos amarradas atrás das costas.

A identidade do copiloto não foi divulgada e o seu estado de saúde permanece desconhecido.

O comandante, Smit Machchhar, elogiado pela atuação durante o incidente, encontrava-se em estado estável, segundo informou durante a noite a Embaixada da Índia na Arábia Saudita.

Investigadores israelitas deverão participar no interrogatório do copiloto.

Elementos dos serviços de informações e de segurança israelitas deslocaram-se à Arábia Saudita para colaborar na investigação, segundo uma fonte da região que falou sob condição de anonimato por não estar autorizada a prestar declarações à imprensa.

Israel pediu que o copiloto seja enviado para o país para ser investigado, embora não seja claro se as autoridades sauditas aceitarão o pedido, segundo a mesma fonte.

A Arábia Saudita não mantém relações diplomáticas formais com Israel, embora os dois países cooperem há vários anos em questões de segurança e informações através de canais alternativos.

O Governo dos Emirados Árabes Unidos anunciou que uma equipa própria começou a investigar o ataque e a apurar "se houve alguma ligação com fins terroristas".

As autoridades emiradenses salientaram que têm jurisdição sobre o caso, uma vez que o avião está registado no país e a legislação dos Emirados Árabes Unidos se aplica aos crimes cometidos a bordo.

Questionado sobre a possibilidade de envolvimento iraniano, Netanyahu afirmou à Fox News que "é muito cedo para afirmar".

O primeiro-ministro israelita disse ainda ter falado com o Presidente dos Emirados Árabes Unidos, xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan, que terá concordado com a participação de Israel no interrogatório do suspeito.

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou entretanto aos jornalistas na Casa Branca que discutiu o incidente "detalhadamente" por telefone com Netanyahu.

Segundo Trump, o copiloto "talvez fosse um terrorista ou talvez um maluco".

O avião da Flydubai, que seguia na quarta-feira do Dubai para Israel, foi desviado para a Arábia Saudita depois de o copiloto alegadamente ter esfaqueado o comandante e tentado fazer cair a aeronave.

O aparelho aterrou em segurança em Tabuk, depois de passageiros e membros da tripulação terem conseguido dominar o suspeito.

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