Chefes de espionagem europeus avisam que Rússia planeiam intensificar ações contra a NATO
A Rússia pode estar a preparar-se para ações mais concretas contra a NATO, indicaram três chefes dos serviços de espionagem de países europeus ao jornal britânico The Guardian.
O jornal entrevistou os chefes da espionagem da República Checa, Letónia e Suécia ao longo da passada semana, sob o contexto dos avisos crescentes de líderes como o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, de que um ataque russo na Europa poderia estar a caminho.
Michal Koudelka, chefe do serviço checo BIS, admite que é possível que o Kremlin entre em atividades mais diretas, incluindo "uma incursão limitada, provocações de falsa bandeira ou uma campanha massiva de influência". E estes cenários podem chegar "em meses, não anos".
Já Normunds Mežviets, diretor geral dos serviços da Letónia, disse que não há "indicações de um ataque iminente". Mežviets admitiu que há sinais de que pode vir a acontecer mas ainda está em aberto se "há planos diretos e concretos".
O letão notou que a Rússia está a mudar nos seus ataques de sabotagem, virando-se para infraestruturas ligadas ao apoio à Ucrânia e procurando "atacar infraestruturas ferroviárias". "Neste momento, observamos uma tendência para alvos da indústria de defesa", acrescentou.
Na perspectiva do chefe das secretas militares da Suécia, Thomas Nilsson, a Rússia também não está a considerar "negociações reais" de forma séria.
"A minha avaliação é que eles continuam a pensar que podem alcançar os seus objetivos estratégicos, pelo que estão apenas a encenar um teatro de negociações", acrescentou, sublinhando que os atos de sabotagem servem, maioritariamente, para enfraquecer o apoio à NATO e à Ucrânia nas populações.
E um eventual ataque armado russo com drones, como foi ameaçado em Leipzig, pode mudar todo o panorama até agora, avisou Nilsson.
"Se houver ataques que possam resultar na perda de vidas ou na destruição de infraestruturas críticas com enormes implicações para a sociedade, penso que isso é um ponto de viragem", sublinhou.

