Russo detido por espiar bases militares na Roménia
Um cidadão russo, residente na Roménia, foi preso pelas autoridades de Bucareste por ter espiado várias bases militares, incluindo aquelas em que opera a NATO, foi anunciado esta terça-feira pelos Serviços de Informações da Roménia (SRI). Com a detenção do suspeito de 40 anos, foi desarticulada uma operação de sabotagem, alega o SRI.
O suspeito vigiou e recolheu informações militares entre fevereiro e julho deste ano, em bases militares situadas em quatro condados e na região da capital com a intenção de realizar atos de sabotagem híbrida, e sob a coordenação de outrem, com quem se mantinha em contacto através de serviços de mensagens encriptadas, afirma o SRI.
Em concreto, recolheu imagens de equipamento militar romeno, aliado e também de aviões de carga russos, além do movimento de pessoal e de material nas bases.
"Os dados obtidos mostram um padrão de ação similar ao usado em países europeus por redes de sabotadores coordenadas por entidades da Federação Russa", disse o SRI em comunicado.
A Roménia também tem sido palco de campanhas de desinformação e de informações falsas. O seu expoente deu-se durante a campanha para as eleições presidenciais de 2024, onde Calin Georgescu, um nacionalista místico quase desconhecido, venceu a primeira volta graças ao apoio escondido de Moscovo, o qual se traduziu numa fortíssima presença nas redes sociais. Os resultados dessa eleição acabaram por ser anulados pelo Tribunal Constitucional face às informações obtidas pelo SRI.
O anúncio da detenção ocorre no mesmo dia em que o governo da vizinha Hungria informou sobre a expulsão de dez funcionários da embaixada russa em Budapeste por suspeitas de espionagem.
Nas últimas semanas deu-se um aumento de incidentes relacionados, ou sob suspeita, com as operações híbridas da Rússia. A que teve mais consequências diplomáticas foi a operação falhada com drones explosivos no aeroporto de Leipzig/Halle, com medidas e contramedidas por parte de Berlim e de Moscovo, e com o chefe da diplomacia russo a acusar os alemães de iniciarem uma "verdadeira guerra". Mas outras operações têm ocorrido, em especial em fábricas, armazéns ou sedes de empresas ligadas à indústria de defesa, em vários países europeus.

