Milhares aguardam pela distribuição de comida no sul de Gaza.
Milhares aguardam pela distribuição de comida no sul de Gaza.EPA/HAITHAM IMAD

Chefe da Mossad volta a Doha para retomar negociações de cessar-fogo na Faixa de Gaza

Muitos viram uma oportunidade de diálogo na morte de Sinwar, mas Israel intensificou os ataques.
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Os EUA e o Qatar anunciaram esta quinta-feira que vão retomar as negociações sobre um cessar-fogo na Faixa de Gaza, que estão praticamente paradas há dois meses. Israel já confirmou que este domingo vai enviar o líder da Mossad, David Barnea, a Doha. E o primeiro-ministro do Qatar, Mohammed Bin Abdulrahman Al Thani, revelou ter retomado os contactos com o Hamas após a morte na semana passada do líder do grupo terrorista palestiniano, Yahya Sinwar.

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, disse numa conferência de imprensa no Qatar, após o encontro com Al Thani, ter discutido “opções para aproveitar este momento e os próximos passos para levar o processo avante”, não sendo claro se o acordo apresentado pelos EUA em maio ainda está em cima da mesa. Blinken explicou apenas que a ideia é um plano “para que Israel se possa retirar, para que o Hamas não se possa reconstituir e para que o povo palestiniano possa reconstruir as suas vidas e o seu futuro”.

Um comunicado do gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, indicou que Barnea irá encontrar-se em Doha com o líder da CIA, Bill Burns, e o chefe de Governo do Qatar, que têm servido de mediadores junto com o dirigente dos serviços secretos egípcios. “No encontro, as partes vão discutir as várias opções para avançar as negociações para a libertação dos reféns do Hamas, tendo como pano de fundo os desenvolvimentos recentes”, indica o texto.

O primeiro-ministro do Qatar disse que “houve trocas de impressões com representantes do gabinete político [do Hamas] em Doha”. Contudo, “ainda não é claro como vamos proceder” no futuro. O Hamas ainda não apontou um novo dirigente após a morte de Sinwar. 

Vários líderes mundiais, a começar pelo presidente dos EUA, Joe Biden, viram nesta morte uma oportunidade para retomar as negociações para o cessar-fogo e a libertação dos reféns. E pressionaram Netanyahu. Mas a semana que passou foi de novos bombardeamentos - ontem pelo menos 16 palestinianos morreram num ataque a uma escola no campo de refugiados de Nuseirat - e quase isolamento da região norte do enclave.

As famílias dos reféns - ainda há 101 nas mãos do Hamas - apelaram esta quinta-feira a Netanyahu para que chegue a um acordo neste fim de semana: “Pedimos (...) que dê à equipa de negociação toda a autoridade para chegar a este acordo. O tempo está a esgotar-se para os reféns.”

Com Lusa 

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