Obama voltou a fazer campanha, desta vez na Geórgia, e pela primeira vez ao lado de Harris.
Obama voltou a fazer campanha, desta vez na Geórgia, e pela primeira vez ao lado de Harris.EPA/ERIK S. LESSER

Candidatos fazem desvio ao Texas enquanto sondagens apontam para empate técnico

Kamala Harris vai explorar a questão do aborto num estado com leis cada vez mais repressivas. Donald Trump, cada vez mais popular entre os latinos, é fascista para 44% dos norte-americanos.
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Na mais recente sondagem Siena para o The New York Times, Kamala Harris e Donald Trump recolhem a mesma percentagem de intenções de voto a nível nacional (48%), embora na média das sondagens a democrata mantenha vantagem (48% contra 46,5%) dentro da margem de erro. No terreno, ambos deslocaram-se ao Texas sexta-feira, uma exceção na campanha eleitoral que se joga em sete estados onde o resultado é imprevisível, e com a guerra de palavras a subir de tom quase metade dos norte-americanos consideram Trump fascista.

John Kelly, ex-chefe de gabinete de Trump na Casa Branca, disse há dias, em entrevista ao referido diário nova-iorquino, que o ex-presidente pode ser considerado fascista e contou que mais do que uma vez Trump disse que “Hitler também fez algumas coisas boas”. Na quarta-feira, Harris concordou que a campanha de Trump é "focada no fascismo" e nesta sexta-feira a sua campanha lançou um anúncio com as declarações de Kelly. Ouvidos mais de 2800 adultos numa sondagem da Ipsos para a ABC News, 44% afirmam que o empresário nova-iorquino é fascista, enquanto 18% dizem o mesmo de Harris.

Depois de na véspera ter juntado os atores Samuel L. Jackson e Tyler Perry, o realizador Spike Lee, o ex-presidente Barack Obama e o músico Bruce Springsteen num comício em Clarkston, Geórgia, Harris viajou até Houston, no Texas, onde conta com a participação de outras estrelas musicais, Beyoncé e Willie Nelson. Harris vai explorar a questão do direito à interrupção voluntária da gravidez num estado que tem aprovado leis cada vez mais extremistas ao ponto de nalguns condados quererem impedir as mulheres de sair do estado para abortar, como conta o Texas Tribune. A vice-presidente não terá grandes hipóteses de vencer no estado, segundo as sondagens, mas o candidato ao senado Colin Allred poderá tirar o lugar ao republicano Ted Cruz.

Também no Senado a corrida está em aberto - os democratas deverão perder a Virgínia Ocidental - e a vitória de Allred pode fazer a diferença. O Texas não tem sido visto como um dos estados competitivos - em parte graças à baixa participação eleitoral, leis eleitorais restritivas e com os latinos, que já são a maioria da população (40,2% em 2022), a não votarem. Ou cada vez mais a preferirem Trump, como a sondagem Reuters/Ipsos demonstra. A vantagem de Harris no voto dos homens latinos é de apenas dois pontos percentuais quando há quatro anos Trump estava 19 pontos atrás de Joe Biden, conclui uma análise conduzida a mais de 15 mil eleitores.

A viagem de Trump ao Texas é marcada com um encontro com Ted Cruz para falarem da fronteira e da imigração e sobretudo com uma entrevista com Joe Rogan, o entertainer com o podcast com mais audiência (The Joe Rogan Experience). Termina o dia com mais um comício, mas no Michigan.

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