O presidente chinês, Xi Jinping, estendeu este domingo (31 de agosto) a passadeira vermelha para receber duas dezenas de líderes mundiais - entre eles o homólogo russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi - para a cimeira da Organização para a Cooperação de Xangai. Uma desculpa para criticar o mundo “caótico”, para o qual contribuiu a guerra de tarifas de Donald Trump, e apostar num novo mundo multipolar em que o centro não são os EUA e onde a China é uma “força estabilizadora”. O big show Xi fica completo com um desfile militar na quarta-feira (3 de setembro), em Pequim, para assinalar os 80 anos da rendição do Japão no final da II Guerra Mundial. Além de uma mostra do poderio militar chinês, é esperada a presença do líder norte-coreano, Kim Jong-un, ao lado de Putin. O primeiro sucesso da cimeira na cidade portuária chinesa de Tianjin é a nova parceria com a Índia de Narendra Modi, no rescaldo de Trump ter impostos tarifas de 50% a Nova Deli por comprar petróleo russo (e parecer mais próximo do rival Paquistão). O primeiro-ministro indiano, que visita a China pela primeira vez em sete anos, está preparado para virar a página às tensões fronteiriças entre os dois países e anunciou ontem o retomar dos voos diretos, suspensos desde 2020.“É a escolha certa para ambos os lados serem amigos com boa vizinhança e laços de amizade, parceiros que possibilitam o sucesso um do outro, e fazer o dragão e o elefante dançarem juntos”, disse Xi. O presidente chinês referia-se aos símbolos tradicionais dos dois países mais populosos do mundo, que defende que devem ser “parceiros em vez de rivais”. Já Modi, que faltou à cimeira do ano passado, indicou que ambos os líderes concordaram na “importância de manter a paz e a tranquilidade nas zonas fronteiriças” e reafirmaram o compromisso “na cooperação baseada no respeito, interesse e sensibilidade mútuos”.A Organização para a Cooperação de Xangai nasceu em 2001, sendo a herdeira do bloco formado em 1996 por China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão e Tajiquistão para resolver questões fronteiriças. Desde então, Usbequistão, Índia, Paquistão, Irão e Bielorrússia já se juntaram ao grupo - que alguns apelidam de “o mais assustador” ou de “eixo da revolta” - , com outros 14 países (incluindo Turquia ou Arábia Saudita) como “parceiros”. A cimeira deste ano é a “maior de sempre”, segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.No banquete deste domingo, Xi defendeu que a organização está “a assumir maiores responsabilidades para salvaguardar a paz e a estabilidade regionais e impulsionar o desenvolvimento de vários países num mundo de crescentes incertezas e de mudanças aceleradas”. Mas o grande foco não estava na cimeira em si, mas nas várias reuniões bilaterais previstas. Uma dessas reuniões será entre Xi e Putin, recebido com passadeira vermelha tal como há cerca de duas semanas no Alasca, onde se encontrou com Trump. A China alega ser neutral na questão da guerra da Ucrânia, mas desde a invasão russa que Pequim e Moscovo têm reforçado a relação. Antes de viajar para a China, Putin disse que os dois líderes estão unidos contra as “sanções discriminatórias” do Ocidente. Os dois líderes estarão lado a lado na parada de quarta-feira em Pequim, onde os chineses devem também mostrar as mais recentes e avançadas armas. Kim Jong-un também é esperado na bancada presidencial, na primeira viagem do líder norte-coreano à China desde 2019. Os norte-coreanos não escondem a sua participação na guerra ao lado da Rússia, tendo ajudado as forças de Putin a recuperar grande parte do controlo na região de Kursk. Os convidados incluem também os líderes do Irão, Cuba, Sérvia ou Eslováquia, que será representada pelo primeiro-ministro Roberto Fico - é o único país da NATO presente (o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, participou na cimeira, tendo este domingo reunido com Xi, mas não segue para Pequim). .Índia e China prometem ser parceiros em vez de rivais. Retomados voos diretos entre os dois países .Xi Jinping, Narendra Modi e Putin voltam a alinhar agendas em cimeira na China