Memorial na praia de Bondi, Austrália, onde ocorreu um ataque durante o festival de Hanukkah da comunidade judaica
Memorial na praia de Bondi, Austrália, onde ocorreu um ataque durante o festival de Hanukkah da comunidade judaicaEPA/MICK TSIKAS AUSTRALIA AND NEW ZEALAND

Austrália anuncia inquérito nacional sobre antissemitismo após ataque em Bondi

Liderada por uma ex-juíza do Supremo Tribunal, investigação irá analisar a natureza, a prevalência, os fatores que impulsionam o antissemitismo e as circunstâncias do ataque em Bondi que fez 15 mortos
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O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, anunciou esta quinta-feira, 8 de janeiro, um amplo inquérito nacional sobre antissemitismo, semanas depois de dois atiradores matarem 15 pessoas num evento judaico em Bondi Beach.

"Repeti várias vezes que a prioridade do nosso Governo é promover a unidade e a coesão social. É disso que a Austrália precisa para recuperar", disse Albanese, aos jornalistas, ao anunciar o estabelecimento de uma comissão real para o efeito.

Na Austrália, as comissões reais são comités de inquérito público do mais alto nível, com amplos poderes.

A investigação vai ser liderada pela ex-juíza do Supremo Tribunal Virginia Bell, notou Albanese a repórteres em Camberra, dizendo ainda que vai analisar a natureza, a prevalência e os fatores que impulsionam o antissemitismo em geral, bem como as circunstâncias do ataque a tiro em Bondi.

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Terrorismo em família e um herói sírio no ataque de Bondi

A magistrada também poderá fazer recomendações para a aplicação da lei, o fortalecimento da coesão social e o combate contra a propagação do extremismo.

Um relatório deverá ser apresentado até 14 de dezembro, um ano após o ataque que ocorreu durante uma celebração do Hanukkah em Bondi, uma das praias mais famosas da Austrália.

"Este foi um ataque terrorista antissemita, dirigido aos judeus australianos, inspirado pelo ISIS, o mais mortal que já ocorreu em solo australiano", disse Albanese, referindo-se ao grupo fundamentalista Estado Islâmico.

O suspeito sobrevivente, Naveed Akram, 24, enfrenta dezenas de acusações, incluindo homicídio e terrorismo. O segundo atirador, o pai de Naveed, Sajid Akram, foi morto a tiros pela polícia durante o ataque.

O anúncio seguiu-se a semanas de pressão de legisladores de todo o espetro político, alguns líderes judeus e outras figuras públicas, como desportistas proeminentes, para que fosse convocada uma comissão real nacional, em vez de um inquérito estadual em Nova Gales do Sul, onde ocorreu este episódio.

Albanese sugeriu inicialmente que um inquérito tão abrangente poderia demorar demasiado tempo, mas rejeitou hoje a sugestão de que tinha sido pressionado a mudar de opinião.

"Eu ouvi", disse, notando que "numa democracia, isso é uma coisa boa".

Albanese já tinha arrancado com uma investigação às agências de segurança e polícia da Austrália após o ataque.

O primeiro-ministro planeia também promulgar uma agenda legislativa em resposta ao ataque, que inclui o endurecimento das já rigorosas leis sobre armas da Austrália e a criminalização do discurso dos chamados pregadores do ódio.

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