Presidente do Conselho Europeu, António Costa
Presidente do Conselho Europeu, António CostaJOSÉ COELHO / LUSA

Costa e UE saúdam acordo EUA‑Irão, mas Israel recusa‑o e exige desmantelamento do Hezbollah

António Costa quer cimentar uma "paz duradoura" e Von der Leyen sublinha que o entendimento pode “abrir portas” a negociações mais amplas, apesar das desconfianças israelitas.
Publicado a
Atualizado a

António Costa saudou esta segunda-feira, 15, o acordo anunciado entre os Estados Unidos e o Irão que põe fim à guerra no Médio Oriente e prometeu que a União Europeia está disponível para ajudar a cimentar uma "paz duradoura".

Numa publicação na rede social X, o presidente do Conselho Europeu saudou, de forma sucinta, o “restabelecimento total da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz” e o fim do conflito.

O entendimento, anunciado este domingo pelo presidente dos EUA, Donald Trump, inclui a reabertura do Estreito de Ormuz — por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial — em troca do levantamento do bloqueio marítimo aos portos iranianos.

As partes, segundo o mediador paquistanês, assinarão um memorando de entendimento em Genebra na sexta‑feira, 19 de junho. Os pormenores do texto ainda não foram tornados públicos.

Costa sublinhou que, com o conflito a dar sinais de resolução, cabe agora à Europa contribuir para a estabilidade regional e para garantir que a liberdade de navegação e o comércio não voltem a ser ameaçados.

UE exalta acordo e apela à restauração plena da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz

A União Europeia destacou também o acordo anunciado entre os Estados Unidos e o Irão que visa pôr fim às hostilidades no Médio Oriente e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apelou esta segunda-feira, 15, à restauração imediata e sem condicionantes da liberdade de navegação, destacando o papel desta como pilar da estabilidade regional e da economia global.

Num comunicado divulgado nas redes sociais, von der Leyen sublinhou que o entendimento poderá também “abrir portas” a negociações mais amplas sobre paz e segurança na região.

Fontes comunitárias indicam que, apesar do avanço diplomático, persistem questões técnicas a resolver — nomeadamente relativas ao programa nuclear iraniano — que exigirão conversações adicionais.

A UE diz‑se, no entanto, pronta a acompanhar os esforços e a contribuir para iniciativas destinadas a consolidar a paz e evitar novas perturbações no tráfico marítimo internacional.

Seguro espera que acordo "traga a paz, segurança e estabilidade" e a livre circulação no estreito de Ormuz

O Presidente da República também saudou o acordo alcançado entre os EUA e o Irão, "esperando que este sirva para pôr um fim imediato ao conflito, incluindo no Líbano".

António José Seguro espera que a implementação do acordo "traga a paz, segurança e estabilidade indispensáveis ao desenvolvimento de toda a região, e permita o retomar da livre circulação no Estreito de Ormuz".

"Portugal estará sempre do lado da busca de soluções diplomáticas e do respeito pelo direito internacional e agradece os esforços de todas as partes envolvidas na mediação", lê-se no comunicado divulgado no site da Presidência da República.

Ministro israelita rejeita acordo por não garantir a segurança do país

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben‑Gvir, por sua vez, criticou o acordo anunciado entre os Estados Unidos e o Irão, afirmando que o Executivo israelita não está vinculado aos termos do entendimento e que o documento “não garante a nossa segurança”.

A declaração foi difundida nas redes sociais como a primeira reação oficial israelita ao acordo.

Ben‑Gvir afirmou categoricamente que “não somos parte deste acordo” e sublinhou que Israel não aceitará “nada menos do que o desmantelamento do Hezbollah”.

Acrescentou ainda que o país não recuará “um único centímetro do território que os nossos soldados conquistaram e limparam da infraestrutura terrorista (no Líbano)”.

Este acordo procura pôr termo às hostilidades que começaram a 28 de fevereiro, após uma ofensiva conjunta que envolveu Estados Unidos e Israel e que culminou na morte do Líder Supremo do Irão.

Os dois lados declararam a “cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes”, incluindo a ofensiva israelita no Líbano.

Antes da cerimónia de assinatura marcada para sexta‑feira, 19 de junho, na Suíça, as delegações vão realizar reuniões preparatórias ao longo da semana para acertar os pormenores técnicos e políticos do memorando de entendimento.

Presidente do Conselho Europeu, António Costa
Trump diz que acordo entre EUA e Irão está quase negociado e inclui reabertura do Estreito de Ormuz
Presidente do Conselho Europeu, António Costa
Acordo anunciado entre EUA-Irão apesar do bombardeamento de Israel a Beirute
Diário de Notícias
www.dn.pt