A chegada de JD Vance à estância suíça
A chegada de JD Vance à estância suíçaURS FLUEELER/EPA

Americanos e iranianos na Suíça para o arranque das negociações

Negociações para um acordo definitivo estão ensombradas pela continuação de ataques israelitas no Líbano e pelo bloquio do estreito de Ormuz.
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O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, chegou na madrugada deste domingo, 20 de junho, à Suíça para o arranque das negociações do acordo de paz definitivo com o Irão, cuja delegação chegou no sábado. Um processo que começa com alguns dias de atraso em relação ao previsto – as negociações pós memorando de entendimento estavam inicialmente agendadas para sexta-feira – e ofuscado pelo anúncio das autoridades iranianas de que tinham voltado a bloquear o Estreito de Ormuz e pela continuação de ataques israelitas no sul do Líbano.

A delegação americana, que inclui ainda o enviado Steve Witkoff e o genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, espera que as negociações durem alguns dias, segundo afirmou JD Vance à partida para a Suíça. "Espero que façamos progressos na questão nuclear e no cessar-fogo no Líbano. Estes são os dois principais pontos em que acredito que nos vamos concentrar", disse, prevendo ficar um ou dois dias.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, disse que as conversações, que envolvem os mediadores Qatar e Paquistão, durariam apenas um dia e sinalizou que poucas coisas deverão acontecer até que o Irão sinta que os EUA estão a cumprir o acordo.

“Esta viagem visa, portanto, exigir que o outro lado cumpra as suas obrigações”, disse no sábado, acrescentando que as negociações para um acordo final só começarão quando os principais compromissos, incluindo o fim dos combates no Líbano, forem respeitados.

“Se qualquer parte destes entendimentos, qualquer parte destes compromissos, não for implementada, então o memorando de entendimento como um todo estará em risco”, acrescentou Bagahei.

Já este domingo, o ministro da Defesa israelita afirmou que as forças armadas vão manter-se “na zona de segurança do Líbano” e operam “sem restrições”, após Teerão colocar o conflito Israel-Hezbollah como prioridade nas conversações com os Estados Unidos.

"Não houve nem há restrição aos soldados das FDI [Forças de Defesa de Israel] no Líbano para operarem para eliminar ameaças", afirmou Israel Katz num comunicado citado pelo jornal The Times of Israel.

Segundo o ministro da Defesa, "todas as conquistas das FDI na campanha no Líbano estão a ser mantidas".

As tropas israelitas permanecem destacadas no sul do Líbano, numa zona designada como de segurança, de onde operam contra o grupo xiita Hezbollah.

"O cessar-fogo anunciado ontem [sábado] deixa as FDI em todas as posições dentro da zona de segurança que protege as comunidades do norte [de Israel]", acrescentou.

Katz insistiu que as forças israelitas "não se retirarão da zona de segurança no Líbano", como tem afirmado o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O cessar-fogo no Líbano está previsto no memorando de entendimento assinado na quarta-feira pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian.

Apesar de a trégua já ter entrado em vigor, Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irão, mantêm confrontos, acusando-se mutuamente de violações do cessar-fogo.

A delegação iraniana, composta pelo negociador-chefe Mohammad Bagher Ghalibaf, que é também o presidente do Parlamento, o ministro dos Negócios Estrangeiros Abbas Araghchi e o governador do Banco Central, Abdolnaser Hemmati. chegou a Zurique no sábado à noite.

As negociações vão decorrer num hotel de luxo em Bürgenstock, uma montanha com vista para o Lago Lucerna.

No sábado, o comando central das Forças Armadas do Irão anunciou que voltou a fechar o Estreito de Ormuz em resposta aos ataques israelitas no sul do Líbano, que, segundo o país, violam o memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos.

*Com Lusa

A chegada de JD Vance à estância suíça
Irão volta a fechar estreito de Ormuz em resposta a ataques israelitas no sul do Líbano

As autoridades norte-americanas contestaram o encerramento do Estreito e afirmaram que 55 navios mercantes fizeram a travessia no sábado. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor portagens norte-americanas no estreito de Ormuz, caso não seja alcançado um acordo final com o Irão dentro de 60 dias.

"NÃO HAVERÁ PORTAGENS [sic] após o termo do período de 60 dias, a menos que sejam impostas pelos Estados Unidos da América, caso o acordo não seja concluído”, afirmou na sua rede social Truth Social, recorrendo novamente à escrita em maiúsculas para enfatizar a sua mensagem.

Já este domingo, a agência de notícias iraniana Fars citou uma fonte militar dizendo que não estava a ser emitida qualquer nova permissão para os navios atravessarem o Estreito até novo aviso.

O memorando de entendimento prevê 60 dias de conversações sobre questões como a contenção do programa nuclear do Irão em troca da suspensão das sanções internacionais. Espera-se que o Irão já receba benefícios económicos iniciais, como isenções de sanções e o desbloqueio de bens bloqueados.

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Trump assinou o memorando de acordo com o Irão
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