A presidente da Comissão Europeia e o secretário-geral da NATO foram duas das vozes que esta quarta-feira, 20 de maio, alertaram para a postura cada vez mais assertiva da Rússia em relação aos países do Báltico, depois de Moscovo ter dito na terça-feira que a Letónia e possivelmente outras nações da região estão prontas a autorizar a Ucrânia a atacar a Rússia com drones a partir dos seus territórios - alegações já desmentidas por Kiev e Riga - com o embaixador de Moscovo junto da ONU, Vasily Nebenzya, a avisar que “a adesão à NATO não os protegerá de represálias, mesmo sendo membro da NATO”.“As ameaças públicas da Rússia contra os nossos Estados Bálticos são completamente inaceitáveis. Que não restem dúvidas: uma ameaça contra um Estado-membro é uma ameaça contra toda a nossa União”, afirmou ontem Ursula von der Leyen no X, sublinhando que “a Rússia e a Bielorrússia são diretamente responsáveis pelos drones que põem em perigo a vida e a segurança das pessoas na nossa fronteira leste”.A líder do executivo comunitário adiantou ainda que “a Europa responderá com unidade e firmeza”, garantindo que o bloco continuará “a reforçar a segurança da nossa fronteira leste com uma defesa coletiva robusta e uma preparação a todos os níveis”. Para Mark Rutte, “a alegação russa é totalmente ridícula, e a Rússia sabe disso”. O secretário-geral da NATO abordou ainda o incidente de ontem na Lituânia, que levou o presidente e a primeira-ministra a serem transportados de urgência para bunkers subterrâneos e os residentes da capital, Vilnius, a serem aconselhados a abrigar-se durante um alerta emitido depois de um drone ter violado o espaço aéreo do país - o primeiro num país da UE e da NATO desde o início da invasão da Ucrânia. O tráfego aéreo e ferroviário em Vilnius e arredores também chegou a ser suspenso. “Se os drones vêm da Ucrânia, não estão lá porque a Ucrânia queria enviar um drone para a Letónia, Lituânia ou Estónia. Estão lá por causa do ataque imprudente, ilegal e em grande escala da Rússia, que começou em 2022, depois, claro, do que fizeram na Crimeia em 2014 contra a Ucrânia”, sublinhou Rutte. A interferência eletrónica russa tem sido apontada como a causa da entrada de drones ucranianos na Finlândia, Estónia, Letónia e Lituânia, países que fazem fronteira com a Rússia. O caso confirmado mais recente aconteceu na terça-feira, quando um caça da NATO abateu um drone ucraniano no espaço aéreo da Estónia, com Kiev e Talin a acusarem, precisamente, a Rússia de usar a “guerra eletrónica” para interferir e redirecionar os drones ucranianos para os bálticos. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou esta quarta-feira que as forças armadas russas estão a “monitorizar de perto a situação” dos drones que sobrevoam o espaço aéreo dos países bálticos e a preparar uma resposta adequada.Encontro com ZelenskyO primeiro-ministro da Polónia também abordou ontem este clima de tensão, alertando que a postura da Rússia “pode levar, num futuro próximo, a situações em que será necessário reagir com firmeza”.Donald Tusk avisou ainda que a contínua agressão da Rússia “significa que esta ameaça a outras fronteiras é de facto real”, sublinhando que o aumento das tensões “pode afetar também os nossos vizinhos, especialmente os Estados bálticos, sem que eles tenham culpa alguma”. “Não quero assustar ninguém, não há nenhuma ameaça direta à Polónia neste momento, não é disso que estamos a falar, mas a ameaça de provocações de vários tipos está a tornar-se uma realidade”, acrescentou. Estas declarações de Tusk foram feitas durante uma conferência de imprensa conjunta com o novo primeiro-ministro húngaro, que escolheu a Polónia como destino da sua primeira viagem ao estrangeiro. Falando sobre o conflito entre Kiev e Moscovo, e mostrando uma mudança em relação ao seu antecessor, Viktor Orbán, Péter Magyar disse esperar falar com Volodymyr Zelensky em junho, numa altura em que os dois países estão a tentar melhorar as suas relações. “A Ucrânia é a vítima e tem o direito de se defender por todos os meios possíveis”, declarou..Rússia acusada de desviar drones ucranianos para o Báltico."Abriguem-se num local seguro". Lituânia emite alerta e suspende voos após incursão de drone