Alemanha. Merz assume “desastre” eleitoral mas mantém-se como chanceler
Friedrich Merz classificou este domingo os resultados da sua CDU nas eleições regionais de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental como “um desastre”, mas este lamento veio acompanhado de um tom desafiador quanto ao futuro da Alemanha, afastando assim um cenário de demissão.
“Não se pode minimizar o resultado em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, é um desastre”, afirmou o chanceler alemão em comunicado, sublinhando, porém, que “a resposta não pode ser um regresso aos ‘bons velhos tempos’”, nem “destruir constantemente verbalmente tudo o que é bom.”
Para o líder da União Democrata-Cristã e do governo federal, “a resposta deve ser preparar o nosso país para o futuro”, sublinhando que “as reformas têm de acontecer” e dizendo acreditar que “a Alemanha é capaz de realizar reformas”. “Estas reformas são um remédio contra o veneno autoritário”, prosseguiu Merz no mesmo comunicado, no que parece ser uma referência ao partido de extrema-direita AfD.
“Estamos a assumir esta responsabilidade. Estou a assumir esta responsabilidade porque quero fazer o nosso país avançar”, acrescentou.
Mais tarde, numa curta declaração aos jornalistas, Friedrich Merz disse que iria continuar a trabalhar para concretizar a sua visão para o futuro da Alemanha. “Quero que o nosso país seja um país que acredita na sua própria força”.
O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) deverá conquistar a maioria dos votos no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, enquanto o partido de extrema-esquerda Die Linke saltou para o primeiro lugar em Berlim, segundo as projecções iniciais divulgadas pela ARD.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, as sondagens à boca das urnas indicavam que o partido de extrema-direita AfD irá obter 37,3% dos votos, ligeiramente à frente do Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, que registava 35,5%, e até agora governava este estado da ex-RDA. Já a CDU deverá cair para 5,3%, apenas 0,3 pontos acima do mínimo para entrar no parlamento estadual. A confirmar-se, este será o pior resultado regional da CDU, que nas últimas eleições tinha obtido 13,3% dos votos.
Esta será a segunda vitória estadual seguida da AfD - há duas semanas foi o partido mais votado na Saxónia-Anhalt -, mas a expressão dos votos é insuficiente para que consiga governar, já que nenhum outro partido se mostrou até agora disponível para cortar o cordão sanitário à extrema-direita.
CDU perde Berlim para a extrema-esquerda
Em Berlim, projeta-se que o Die Link fosse o partido mais votado, com 24,9%, uma subida de 12,7 pontos face à última eleição. A CDU, que até agora governava esta cidade-estado, é apontada como a segunda maior força política, com 20%, menos 8,2 pontos que nas últimas eleições. Seguia-se a AfD, com 15,7%, o que representa uma subida de 6,6 pontos.

