Sábado, 24 de setembro.Só entre quarta-feira, 21 de setembro, quando Vladimir Putin anunciou a mobilização parcial de reservistas para a guerra na Ucrânia, e sábado, 24, mais de 260 mil cidadãos russos terão atravessado as fronteiras do país, segundo o jornal online Novaya Gazeta, que citou fontes do Serviço Federal de Segurança. A estes números juntam-se outros: a Agência Europeia de Guarda de Fronteiras (Frontex) revelou que no espaço de uma semana a quantidade de russos que entraram na União Europeia, através, sobretudo, da Finlândia e da Estónia, aumentou 30%, e países como a Geórgia, Mongólia ou Cazaquistão, entre outros, admitem um tráfego anormal de veículos a tentar cruzar as fronteiras vindos da Rússia, sendo que logo nos primeiros dias assistiu-se a uma corrida aos bilhetes de avião para destinos que não exigiam vistos como a Turquia ou a Arménia..O embaraço que a mobilização causou ao regime russo já não passa despercebido a ninguém. Nem ao Kremlin, que tenta agora travar a debandada através da repressão dos protestos e recusando emitir passaportes para os reservistas já mobilizados. Esta última medida foi conhecida na quarta-feira, dia em que a União Europeia propôs um novo pacote de sanções - o oitavo - à Rússia..Domingo, 25 de setembro.Itália foi a votos e deu a vitória a Giorgia Meloni, 45 anos, líder dos Irmãos de Itália, força política de raízes pós-fascista, fundada em 2012, que nas eleições de 2018 não passou dos 4,4% e agora alcançou 26%. Aos votos de Meloni somam-se os dos dois partidos, também de direita, que assinaram um acordo pré-eleitoral com os Irmãos de Itália: a Liga (8,8%), de Matteo Salvini, político que ganhou popularidade graças às posições radicais antiemigração, e a Força Itália (8,1%), de Silvio Berlusconi, que aos 86 anos regressa ao Senado de onde fora expulso em 2013 acusado de fraude fiscal..Meloni deverá, assim, tornar-se a primeira mulher a governar Itália e o seu triunfo foi celebrado por forças da direita radical europeia, como a Reunião Nacional, de Marine Le Pen, o Vox, de Santiago Abascal, ou o Chega, de André Ventura. Este novo ciclo político em Itália faz adivinhar relações mais tensas na relação com a União Europeia. A Comissão mostrou-se cautelosa ao comentar o triunfo de forças consideradas antieuropeístas num dos países fundadores da UE e que é, ao mesmo tempo, um dos seu principais motores económicos. "Encarar estas eleições como uma espécie de julgamento sobre a Europa parece uma simplificação extrema", frisou o porta-voz Eric Mamer..Segunda-feira, 26 de setembro.Um ano depois da eleição da coligação Novos Tempos, liderada pelo social-democrata Carlos Moedas, para a presidência da câmara de Lisboa, o DN tomou o pulso à cidade. A gestão da autarquia, a mobilidade na capital, a segurança, as questões ambientais, a habitação e o turismo estiveram em análise ao longo da semana e se há pontos em que todas as forças políticas concordam que está quase tudo por fazer - como a segurança, que depende muito mais da ação do governo e da PSP do que da iniciativa municipal -, o que se nota, sobretudo, são motivos de discórdia entre os partidos..A governar sem maioria, Moedas admitiu que se tratou de "um ano difícil, de constantes bloqueios da oposição", que, "em estado de negação", mostrava vontade de "cumprir o programa dela e não o programa de quem ganhou", mas ainda assim destacou decisões "realmente históricas" como os transportes públicos gratuitos para todos os maiores de 65 anos e menores de 23. "Às vezes na política o difícil é tomar decisões e acho que tomámos muitas este ano", sintetizou o autarca. "Vitimização e desresponsabilização", "uma gestão que está a agravar as desigualdades", "uma cidade estagnada" e "sem uma ideia", retorquiu a oposição. Só com diálogo se estabelecem pontes e compromissos. E essa responsabilidade não cabe só a Moedas, é de todos. O conflito político permanente não serve os interesses de Lisboa. Quanto mais depressa todos o perceberem, mais depressa a cidade terá condições para evoluir..Terça-feira, 27 de setembro.Portugal teve o pássaro na mão e deixou-o fugir, aos 88 minutos... Depois da vitória na República Checa, por 4-0, à Seleção bastava empatar em Braga frente à Espanha para estar na final four da Liga das Nações pela 2.ª vez (na 1.ª, que foi também a edição de estreia, conquistou o troféu). A chave do jogo esteve nas mexidas operadas pelo técnico espanhol aos 60 minutos, quando lançou em campo três 'motas' - Gavi, Pedri e Pino -, todos sub-20, e agarrou o comando ofensivo da partida. Portugal precisava de ter mais bola mas não conseguia. Fernando Santos demorou a reagir e quando mexeu as peças já o adversário mandava no jogo. E o golo espanhol lá apareceu, ao cair do pano, por Morata, castigando o recuo português..Então, que sirva de lição para o Mundial que está aí à porta. Jogar certinho, muito concentrado na defesa, à espera do erro do rival, pode ter resultado no Euro 2016. Mas seis anos depois, não é esse o ADN da atual fornada de jogadores às ordens de Santos. A quantidade e qualidade da 'matéria prima' ao seu dispor, com vários jogadores no meio-campo e ataque tecnicamente muito evoluídos, a quem a bola não "queima", com capacidade tanto para acelerar como para acalmar o ritmo de jogo, oferece-lhe soluções para montar uma equipa que assuma sempre o controlo da partida em vez de se deixar controlar. Ignorar esse potencial, e viver na expectativa do que pode fazer o adversário, é meio caminho andado para nova desilusão no Qatar..Quarta-feira, 28 de setembro."Estou muito revoltada. Estou com raiva. A minha alma ficou amolgada". Assim reagiu, em declarações à RTP, a médica agredida esta semana no Hospital São Francisco Xavier, por três pessoas, quando prestava serviço de urgência. A obstetra, de 60 anos, disse ter sido cuspida e agredida verbal e fisicamente, com bofetadas que a atiraram ao chão, por ter recusado realizar uma ecografia a uma grávida de quatro semanas. A situação foi denunciada pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM), acrescentado que a médica "ficou sem condições para trabalhar" e que existe "uma sensação de impunidade muito grande". Além disso, lamenta que o Plano de Ação para a Prevenção da Violência no Setor da Saúde, apresentado em janeiro deste ano, "continue na gaveta, porque não há instruções e nunca foi divulgado" - "é lamentável que quem nos tutela não nos proteja"..Manuel Pizarro, ministro da Saúde, visitou o hospital nesta quarta-feira "para se solidarizar com os seus profissionais" e "condenar o ato de violência", defendendo que o Plano de Ação está a ter "resultados positivos" mas que não será capaz de travar todos os incidentes já que "o sistema de saúde é de porta aberta". Para a Ordem dos Médicos, solidariedade não chega e importa avançar com medidas concretas, como a instalação de botões de pânico nos consultórios. A PSP comunicou 961 situações de violência em hospitais e centros de saúde em 2021, mais 16% do que em 2020..Quinta-feira, 29 de setembro.Montijo, Alcochete ou Santarém. Ou outra solução que a "comissão técnica independente", que vai conduzir a avaliação ambiental estratégica, venha a propor (se tudo correr bem, até final de 2023) para a localização do novo aeroporto que servirá Lisboa... Com o Humberto Delgado a rebentar pelas costuras face à retoma do turismo (o número de hóspedes e dormidas em Agosto bateu recordes), entra-se numa nova fase de estudos, pareceres e afins que parece interminável, principalmente tendo em conta que todos os agentes envolvidos neste processo, desde os atores políticos aos operadores turísticos e empresariais, concordam na urgência de se avançar rapidamente para uma obra fundamental para o futuro do país..Enquanto não se chega a uma conclusão sobre o novo aeroporto, e tendo em conta que "vai demorar", o governo, pela voz do ministro Pedro Nuno Santos, o que promete é começar "já" a fazer obras na Portela, que mesmo "não permitindo aumentar a capacidade do aeroporto, vão permitir pelo menos aumentar a fluidez do funcionamento da operação aeroportuária". Quanto ao novo, as soluções já identificadas para serem estudadas são cinco. Em duas, o Humberto Delgado mantém-se como aeroporto principal e o complementar será Montijo ou Santarém; noutra o Montijo adquire progressivamente o estatuto de principal e Humberto Delgado de complementar; e nas restantes duas Alcochete ou Santarém substituem integralmente o Humberto Delgado..Sexta-feira, 30 de setembro.Como se esperava, Putin assinou ontem, em Moscovo, os tratados de anexação de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia (juntam-se à Crimeia, já anexada em 2014), que representam aproximadamente 15% dos território da Ucrânia, validando assim os resultados dos "referendos" realizados nestas quatro regiões. Os mesmos que Kiev e seus aliados ocidentais, onde se incluem UE e EUA, classificam como "uma fraude". Entendimento bem diferente tem o presidente russo. "Foi decisão inequívoca, de milhões de pessoas. Vão tornar-se cidadãos russos para sempre. (...) E serão protegidos por todos os meios necessários", ameaçou, desafiando a Ucrânia a regressar à mesa das negociações para um cessar-fogo..Quase de seguida, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez saber que o seu país "não negociará com a Rússia enquanto Putin for o presidente" e formalizou um pedido de "adesão acelerada" à NATO, o que traria uma nova dimensão a esta guerra. Jens Stoltenberg, o secretário-geral da aliança atlântica, disse que a decisão caberá aos 30 estados que fazem parte da organização e tratou de identificar prioridades: "O nosso foco agora é dar apoio imediato à Ucrânia para se defender contra a invasão brutal russa. Os aliados da NATO não reconhecem e não reconhecerão nenhum destes territórios como parte da Rússia"..pedro.sequeira@dn.pt