Portugal pôs-se a jeito e acabou punido outra vez perto do fim

Depois de uma hora em que foi melhor, Seleção mostrou não ter aprendido a lição e acabou afastada da final four da prova por uma Espanha que sabia o que queria.

Portugal tinha tudo a seu favor para marcar presença na final four da Liga das Nações pela segunda vez. Mas, a jogar em casa e bastando o empate para seguir em frente, a equipa de Fernando Santos mostrou não ter aprendido a lição que sofrera na qualificação para o Mundial frente à Sérvia: deixou-se adormecer pelo jogo espanhol, desperdiçou um punhado de ocasiões para se adiantar no marcador, recuou em demasia e acabou derrotada nos minutos finais por um adversário que preparou a estratégia ao pormenor, guardando-se para uma meia hora final em que se mostrou intratável. A Espanha ganhou, e ganhou bem, o 40.º confronto ibérico, e juntando-se a Croácia, Itália e Países Baixos, que deverá ser o organizador da final four da competição.

Sem grande surpresa, Fernando Santos trocou os dois laterais em relação ao jogo na República Checa. João Cancelo e Nuno Mendes entraram nos lugares de Diogo Dalot e Mário Rui, mas o selecionador ainda promoveu mais uma alteração, esta no trio da frente: em vez do sempre imprevisível Rafael Leão, o técnico escolheu Diogo Jota, autor do último golo em Praga, para compor o seu onze inicial. E, obviamente, com polémica ou sem, Cristiano Ronaldo também jogou de início - o capitão mostrou-se lento e cansado (a partir de certa altura) e desperdiçou três ocasiões claras de golo. Do outro lado, Luis Enrique foi bastante mais radical, ou não tivesse a sua equipa sido derrotada pela Suíça: nada mais nada menos que sete alterações.

Com a rara visão de uma Pedreira praticamente lotada, o jogo começou morno e assim se manteve durante os primeiros 45 minutos. Os espanhóis dedicaram-se a uma espécie de futebol sem balizas, trocando a bola entre os seus jogadores - arte na qual se revelaram uns mestres -, tentando chegar à baliza portuguesa com o maior número de jogadores possível. Mais confortável com o resultado, Portugal não se descompôs, deixando o seu adversário praticar o seu jogo lento e previsível, e o único susto que apanhou resultou de um mau passe de João Cancelo, que acertou em Rúben Neves e permitiu à roja tentar alvejar, sem sucesso, a baliza de Diogo Costa.

Foi preciso esperar pelo 23.º minuto para o médio do Wolverhampton dar o primeiro safanão na modorra com que a partida se ia jogando. Na sequência de um canto, arriscou um remate de fora da área, que obrigou Unai Simón a aplicar-se, desviando para o lado. E, apesar de uma posse de bola esmagadora e um número de passes que triplicava o dos seus adversários, a Espanha continuou a revelar-se inócua, cabendo a Portugal os principais lances de perigo. Aos 33 minutos, um lançamento de Bruno Fernandes deixou Diogo Jota com espaço na área adversária, mas o guarda-redes visitante voltou a negar o golo com uma excelente intervenção. Logo a seguir, aos 38, foi o médio do United a arrancar um remate de pé esquerdo só travado pela malha lateral da baliza. E o nulo manteve-se mesmo até ao descanso, apesar de um toque de Ferrán Torres, após cruzamento largo, ainda ter pregado um pequeno susto ao guardião português.

Jogada de mestre

Para o segundo tempo, Luis Enrique prescindiu do amarelado Guillamón e fez entrar a experiência de Busquets (recuou Rodri) mas a primeira grande oportunidade voltou a ser dos portugueses, graças a um roubo de bola de Diogo Jota a Carvajal. O extremo dos Liverpool progrediu e soltou no momento certo para Ronaldo, mas o atento Unai Simón saiu que nem uma flecha da baliza e encurtou o ângulo, pelo que o remate do capitão português lhe esbarrou no peito (47"). O jogo parecia ir continuar na mesma toada mas, aos 60 minutos, Luis Enrique mexeu as peças do seu tabuleiro, numa jogada de mestre. Fez entrar um trio fresco e atrevido (Pedri, Gavi e Pino) e tudo mudou. O meio-campo português mostrava-se fatigado e a Espanha começou a aproximar-se da baliza nacional. A equipa de Fernando Santos já não conseguia sair e o técnico demorou a mexer: quando o fez, lançou João Mário, quando provavelmente necessitava de um jogador mais intenso e físico para contrariar o domínio espanhol e, quando Rafael Leão e Vitinha entraram já o controlo estava perdido. Espanha ia ganhando cantos uns atrás dos outros, começava a acertar com a baliza e Portugal punha-se a jeito. O inevitável aconteceu: cruzamento largo ao segundo poste, Nico Williams a amortecer para o meio e Morata a desviar para a baliza (88"). No desespero, Portugal até podia ter empatado mas não era a noite de CR7 - essa foi de Unai Simón, que uma vez mais negou a festa portuguesa.

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