A tempestade Kristin, que devastou muitas regiões do centro e algumas do sul de Portugal na madrugada de 28 de janeiro, derrubou 61 postes de eletricidade de muito alta tensão e danificou "muitos mais", deixando inoperável 7% da rede elétrica nacional, revela a empresa Redes Energéticas Nacionais (REN), responsável em Portugal pelo transporte de eletricidade e gás em muito alta tensão e pressão, respetivamente.A destruição dos postes e das linhas ajudam a explicar o apagão elétrico prolongado que muitas regiões sofrem há dias, não havendo ainda data definitiva para a resolução completa da situação.Estamos a falar de várias cidades e vilas do distrito de Coimbra (como Soure), a cidade de Leiria e outras localidades do distrito (como Figueiró dos Vinhos), etc.Sem eletricidade, as regiões mais afetadas também ficaram privadas de telecomunicações.Em comunicado, a REN indica que a depressão Kristin, que atingiu o território continental às primeiras horas da madrugada de 28 de janeiro, "deixou fora de operação um total de 774 quilómetros de linhas de muita alta tensão da REN, o que corresponde a 7% de toda a Rede Nacional de Transporte de Eletricidade".Assim foi porque "a tempestade derrubou um total de 61 postes de muito alta tensão e danificou muitos mais".A empresa recorda que o fenómeno meteorológico "com maior impacto na infraestrutura da REN registado até hoje tinha ocorrido em 2009", mas este foi muito menos grave quando comparado com a destruição trazida pela Kristin."Na altura, foram perdidos 25 apoios – menos de metade" face aos 61 postes derrubados na passada quarta-feira..Rajada de vento de 208,8 km/h registada em Soure, no distrito de Coimbra.A REN explica ainda que "várias das dez linhas afetadas têm importância crítica, nomeadamente na ligação das Zonas Norte e Sul do Sistema Elétrico Nacional (SEN)".A empresa garante que "horas antes" da chegada da tempestade levou a cabo "operações técnicas e medidas de prevenção" que "asseguraram" que não houvesse "quaisquer perturbações de abastecimento do SEN atribuíveis às infraestruturas operadas pela REN".Mas houve uma. A REN refere que registou "uma única exceção": "cortes de abastecimento de âmbito local junto à Subestação do Zêzere, que foi parcialmente destruída".Reposição de postes e linhas só dentro de "algumas semanas""A depressão Kristin provocou ainda alguns danos na Rede Nacional de Transporte de Gás", mas "sem consequência para a segurança do abastecimento". No caso do gás, "os estragos mais evidentes ocorreram nas instalações de superfície do Armazenamento Subterrâneo do Carriço", acrescenta a mesma fonte oficial.A empresa garante que as suas equipas estão "desde as primeiras horas totalmente empenhadas na total recuperação de todas as infraestruturas afetadas, em articulação com a E-Redes, Rede Elétrica de Espanha, Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e demais autoridades", nomeadamente o governo."A reposição total dos postes só deverá acontecer dentro de algumas semanas, de acordo com um plano já traçado que implicou a realocação de todas as equipas disponíveis para os trabalhos agora considerados prioritários", prevê a REN, sem apontar uma data concreta.Entretanto, Leiria, Nazaré, Ferreira do Zêzere, Figueiró dos Vinhos e Castelo Branco pediram ao governo que declare estado de calamidade nestes municípios..Repor a normalidade "vai comportar um esforço financeiro grande". Governo em contacto com entidades europeias.Nuno Melo: “As Forças Armadas estão empenhadas no apoio à população”.“Estamos completamente desesperados". Autarca de Figueiró dos Vinhos pede "socorro"