Rajada de vento de 208,8 km/h registada em Soure, no distrito de Coimbra
Foro: Reinaldo Rodrigues

Rajada de vento de 208,8 km/h registada em Soure, no distrito de Coimbra

Segundo o IPMA, o valor "foi registado numa estação da Comunidade Intermunicipal de Coimbra (CIM), instalada a 524 metros de altitude".
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Uma rajada de vento de 208,8 km/h foi registada em Soure, no distrito de Coimbra, o valor máximo relacionado com a passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na madrugada de quarta-feira (28 de janeiro), de acordo com dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

A rajada de vento foi registada às 05h40 de quarta-feira na Estação Meteorológica da Comunidade Intermunicipal da região Coimbra (CIM), situada no Parque Eólico das Degracias, disse à Lusa fonte oficial da CIM.

Este é um valor superior ao registado na estação da Base Aérea de Monte Real - 178 km/h. A localização das estações poderá explicar a diferença.

De acordo com o IPMA, citado pela CNN Portugal, a rajada de vento superior a 200 km/h é um valor que "foi registado numa estação da Comunidade Intermunicipal de Coimbra (CIM), instalada a 524 metros de altitude", pelo que o vento é sentido com maior intensidade face às cotas mais baixas, "onde foram registados os valores de 150 e 176-178 km/h", como aconteceu na Base Aérea de Monte Real, no distrito de Leiria.

"Os valores máximos das rajadas, registados na rede do IPMA, foram da ordem de 150 km/h, sendo que o valor de 176-178 km/h difundidos foram registados numa estação da Força Aérea, na Base Aérea de Monte Real, Leiria, com caraterísticas técnicas iguais às que são usadas pelo IPMA e que estão de acordo com as normas da Organização Meteorológica Mundial", explica o organismo.

Contactada pela Lusa, fonte do IPMA afirmou que esta situação está reportada no seu site, mas sublinhou que os dados ainda carecem de validação oficial.

“Trata-se de uma estação da Comunidade Intermunicipal de Coimbra, integrada na nossa rede”, mas, explicou, nem sempre as estações operam exatamente com os mesmos parâmetros e, para efeitos de comparação, é necessário garantir que as condições são equivalentes.

A mesma fonte admitiu que a rajada registada em Soure poderá ter sido a mais forte até ao momento, mas ressalvou que poderão existir outras, eventualmente ainda mais intensas.

Realçou que o facto de a estação estar a 524 metros de altitude impacta “muito em termos de vento”.

Exemplificou que uma estação localizada a esta altitude pode registar rajadas nesta ordem, enquanto outra localizada a uma cota inferior, próxima de uma zona habitada, pode registar valores mais baixos, mas ter um impacto muito maior na vida das pessoas.

Dez estações meteorológicas registaram rajadas de vento superiores a 120 km/hora

Até ao momento, a rajada mais forte validada pelo IPMA foi de 149 km/hora no Cabo Carvoeiro, Peniche, às 04h00 de quarta-feira, no entanto a base aérea de Monte Real registou uma rajada de vento com 176 quilómetros por hora pelas 05h00 e com 178 quilómetros por hora pouco tempo depois.

"A partir daí deixaram de ter registo porque a estrutura ficou destruída", disse na quarta-feira, em conferência de imprensa, Nuno Lopes, do IPMA afirmando ainda que terá sido Monte Real a zona de entrada desta depressão.

Na lista do IPMA seguem-se rajadas registadas em Ansião, no distrito de Leiria, (146 km/h, às 05h30), Leiria/aeródromo (142 km/h, às 05h00), Castelo Branco (137 km/h, às 06h20), Fóia, na Serra de Monchique, (135 km/h, às 06h40).

Em Vale Donas, em Tomar, foi registada uma rajada de vento de 133 km/h, às 05:30, no Cabo da Roca, 131 km/h, às 03:00, Santa Cruz, em Torres Vedras, 128,9 e Cavalos de Caldeirão, em Loulé, 120,2 km/hora, segundo dados publicados no ‘site’ do IPMA consultados pela Lusa.

A passagem da depressão Kristin pelo território português deixou um rasto de destruição, causando cinco mortos, vários feridos e desalojados.

Os distritos mais afetados foram Leiria (por onde a depressão entrou no território continental), Coimbra, Santarém e Lisboa.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

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