"A situação nos aeroportos tem de, imperativamente, ficar diferente, porque é um drama e um desastre nacional. Isto não pode continuar e, no verão, tem de estar resolvido. O Governo tem de resolver isto até julho", alerta, ao DN, Francisco Calheiros.O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) reuniu, na passada sexta-feira, com o ministro da Administração interna (MAI) para debater os atuais constrangimentos nas infraestruturas aeroportuárias nacionais, devido à implementação do novo sistema europeu de controlo automatizado de fronteiras externas, o Entry/Exit System (EES).O líder dos patrões do turismo deixou nota da urgência em encontrar respostas que garantam que a época alta não seja caótica nem pautada por "notícias e imagens diárias de longas filas de passageiros a desesperarem para poderem entrar em Portugal". Em cima da mesa colocou o exemplo de Faro, porta de entrada dos turistas do Reino Unido, o principal mercado emissor da região ."As filas nos aeroportos têm sido um drama total. Estamos a chegar ao verão e os britânicos, graças a Deus para nós, invadem o Algarve e não pertencem ao espaço Schengen. Se não tivermos estes problemas resolvidos, o desastre será total", afiança ao DN.Francisco Calheiros recorda que os constrangimentos são transversais ao mapa nacional e que a pressão não é exclusiva da Portela. "Ainda ontem no Porto houve filas de três horas, o problema já não é só em Lisboa", exemplifica.O responsável avisa ainda que Portugal poderá perder milhares de turistas, se "a experiência começar a ser péssima antes mesmo de entrarem no país".À CTP, o ministro da Administração Interna reiterou não estar satisfeito com o atual quadro atual nos aeroportos e garantiu estar a encetar esforços para minimizar os impactos negativos."O dr. Luís Neves está completamente consciente do que é que se está a passar. Está no cargo há três meses, estes problemas já se arrastam há muito tempo. Não vai conseguir resolver isto para a semana, mas tenho a expectativa de que em julho a situação já seja completamente diferente, terá de ser", indica o presidente da CTP.Recorde-se que a partir da próxima sexta-feira, 29 de maio, será incrementado o número de boxes de controlo manual de fronteiras no aeroporto Humberto Delgado, bem como ampliado o número de e-gates (fronteiras automáticas). Já a partir de julho será feito um reforço de 360 agentes da PSP nas várias infraestruturas aeroportuárias do país. Questionado sobre se as medidas serão suficientes para normalizar os procedimentos e confrontado com as críticas do setor - que considera que as ações anunciadas pelo MAI são "paliativas" - Calheiros diz estar confiante na "firmeza, competência e liderança" de Luís Neves, bem como na sua capacidade de implementar uma solução "rápida e eficaz"."Os efetivos já estão a entrar neste momento. Há o problema da falta de pessoal e nem sempre as máquinas estão a funcionar. Com mais máquinas e mais pessoal, na perspetiva dele [Luís Neves], isto vai funcionar", adianta..“Um caos e uma vergonha”. Turismo e aviação exigem suspensão do sistema europeu de fronteiras.Restauração alerta que greve geral vai adensar "colapso" nos aeroportos e prejuízos no turismo