A AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal) está preocupada com os impactos que a greve geral, marcada para o próximo dia 3 de junho, terá nas infraestruturas aeroportuárias do país e, consequentemente, no turismo nacional, que poderá enfrentar "danos acrescidos" num quadro em que já se confronta com "fortes pressões económicas". Numa altura em que se somam constrangimentos, devido à implementação do novo sistema europeu de controlo automatizado de fronteiras externas, o Entry/Exit System (EES), principalmente em Lisboa, a associação alerta para o agravamento do cenário que poderá levar ao cancelamento de voos e à paralisação serviços aeroportuários, "agudizando uma situação que já hoje penaliza o turismo português"."A adesão à greve geral já anunciada por sindicatos ligados aos transportes, à aviação civil e aos aeroportos, poderá agravar ainda mais os prejuízos junto de toda a constelação de atividades associadas ao turismo, setores que dependem fortemente de previsibilidade", refere em comunicado.A AHRESP ressalva respeitar "integralmente o direito à greve", mas apela a uma "maior fluidez nos aeroportos nacionais e à prevenção de perturbações que penalizem milhares de empresas cuja atividade depende diretamente da chegada regular de visitantes".A associação, que representa maioritariamente a restauração do país, lamenta que os aeroportos nacionais estejam em "colapso" às portas do verão, cenário que, garante, se reflete nas tesourarias do setor. "Para as empresas do alojamento turístico e da restauração e similares, esta realidade representa perdas concretas e uma ameaça crescente à sua operação", afiança.À semelhança do restante setor do turismo e da aviação, que já exigiu a suspenção do EES, também a AHRESP pede um travão temporário e urgente a este mecanismo, até ao final de setembro, conforme as regras de Bruxelas permitem, de forma a "agilizar o controlo de passageiros e reduzir os tempos de espera nos aeroportos, enquanto não estiverem plenamente asseguradas as condições técnicas, operacionais e humanas necessárias ao normal funcionamento deste sistema".A associação deixa ainda um apelo ao diálogo, à negociação e ao sentido de responsabilidade, "de forma a evitar a greve nos serviços ligados à aviação e aos aeroportos"."A contradição é insustentável: Portugal investe na promoção internacional, como destino de excelência, mas permite que a primeira experiência do visitante seja uma fila de horas, uma ligação perdida, uma reação negativa nas redes sociais ou uma reserva que não se repete. Esta falha estrutural não é apenas uma questão de conforto, é um risco direto para a reputação do país e para a confiança dos mercados emissores", acusa.Por fim, relembra que o turismo "é uma das principais forças da economia nacional" e que a sua competitividade assenta no "bom funcionamento de toda a cadeia de valor". .“Um caos e uma vergonha”. Turismo e aviação exigem suspensão do sistema europeu de fronteiras