A seleção nacional de andebol está a viver um dos momentos mais marcantes da sua história. Portugal volta a agora discutir o 5.º e 6.º lugares, com a ambição clara de melhorar o seu melhor resultado de sempre num campeonato da Europa. Em entrevista ao Diário de Notícias o selecionador nacional faz o balanço de um Europeu excecional, fala da maturidade competitiva da equipa, da força do coletivo, do impacto de jogadores como Kiko Costa e da ambição de fechar a prova com mais um feito frente à Suécia. A seleção nacional vai ter, pelo menos, o mesmo resultado do último europeu. Mas pode chegar ao quinto...No último ficámos em sétimo. Sim, portanto, vamos melhorar seguramente o último e igualar ou melhorar o resultado do campeonato europeu. Exatamente, de o 2020.Quando partiu para este europeu esperava poder chegar aqui? O nosso objetivo foi público e foi melhorar o nosso melhor resultado em 2020. Portanto, falta um jogo e ainda estamos com essa opção de o poder fazer. Se o igualarmos já é excecional. Nós fizemos várias coisas aneste campeonato. Parece assim um bocadinho de autopromoção da equipa, mas a minha intenção é só informar. Conseguimos vencer aqui a Dinamarca em casa, que é o atual tricampeão no mundo, foi um jogo excecional para nós, isso já foi histórico. Depois, o segundo momento histórico é estarmos outra vez a disputar um quinto e sexto. É uma coisa brutal. E depois, pela primeira vez na existência do Andebol em Portugal, fomos qualificar-nos diretamente para o próximo Mundial. Ou seja, não vamos jogar o play-off, que jogaríamos se ficássemos em sétimo. Ou seja, já estamos qualificados para o próximo Mundial e já estamos qualificados para o próximo europeu, porque somos organizadores. Se quisermos juntar a isto, hoje tivemos a maior vitória de sempre em termos de números com a Espanha. O que é que se pode pedir mais a esta gente? Acho que é muito difícil pedir-lhes mais qualquer coisa.Em relação ao jogo com a Espanha. Estava à espera de um resultado tão dilatado para Portugal?Aquilo que esta equipa tem aprendido ao longo destes últimos anos, o facto de andarmos sempre nesta alta roda do Andebol permite-nos, não ficarmos muito contentes com um êxito, que é temporário, nem ficarmos muito triste com o contrário. Tudo isto é movimento e estamos a habituarmo-nos a esse movimento: recuperar rapidamente para o dia seguinte ao jogo. Isso dá-nos esta maturidade de acreditar sempre até ao final e de lutar sempre até ao final. Sabíamos que o jogo da Espanha ia ser o último e também sabíamos que se o preparássemos muito bem podíamos vencer. Sabíamos que o podíamos fazer se fizéssemos tudo direito, se seguíssemos o plano de jogo e o plano de jogo desta vez também encaixou na perfeição em nosso benefício..A Suécia é o próximo adversário. É acessível para ganhar? A Suécia é uma seleção de top mundial, portanto é mais uma seleção de top mundial que vamos defrontar e que queremos ganhar, isso é seguro. Recordo-me do europeu em 2020. Participámos nesse ano europeu após 16 anos de ausência e ficámos deslumbrados com o facto de nos qualificarmos para o quinto e sexto lugar. Nesta fase da competição ficam só seis equipas, as que jogam as meias-finais e quem joga o quinto e sexto. Todas as outras abandonam a competição. Portanto, aquela sensação de que também tivemos o ano passado por jogar a meia-final no Mundial, aquela sensação de ter o hotel muito mais tranquilo do que antes, é muito agradável quando nos mantemos em prova. Portanto, é sinal de missão cumprida. Esta Suécia vai ser seguramente uma Suécia forte. Para eles é um pouco indiferente ficar em quinto ou em sexto, mas para nós não é tanto. Ambos conseguimos um apuramento direto para o próximo Mundial, mas para nós tem sempre aquele picante de subir mais um degrau, não é? Melhoramos o nosso próprio melhor resultado. Temos de perceber que vai ser um jogo muito difícil de ganhar, porque normalmente os suecos vão invadir aqui a cidade de Herning. Também imagino que vai haver alguns portugueses que nos vêm apoiar agora à última hora porque o quinto e sexto não é todos os dias que se pode assistirDesde que Portugal jogou hoje com a Espanha até agora, como é que esteve o ambiente ou da equipa? Havia nervoso miudinho? Estivemos a ver com muita atenção a Alemanha, sobretudo, a ganhar a França e agora estivemos aqui todos juntos a ver também este jogo entre Dinamarca e Noruega. Estamos aqui todos juntos e festejar como festejámos em 2020, que foi extraordinário.Sei que não gosta muito de individualizar e gosta mais de falar no todo, mas o que é certo é que um dos jogadores em destaque nesta seleção é o Kiko Costa e, de facto, gostava que me falasse um bocadinho dele.O Kiko é um animal competitivo, não é? Acrescenta muito ao nosso grupo. Mas no andebol é muito difícil uma equipa depender só de um jogador ou de dois jogadores. Ainda hoje, utilizámos vários formatos ofensivos e, num dos quais, eles nem estavam a participar, nem o Kiko Costa, nem o Martim Costa. Nós vivemos mesmo de um todo e, normalmente, dizemos que cada um tem de fazer a sua parte. Há dias em que uns fazem a parte dos outros, portanto, porque toda a gente tem direito a ter um dia mau e o Kiko também está incluído. Eles não são máquinas e nem todos os jogos podem estar muito bem. Num dia mau haverá sempre mais alguém que está preparado para fazer a parte de quem, naquele dia, não está tão bem. Obviamente que o Kiko é um dos jogadores muito influentes da nossa equipa e com quem contamos muito para poder chegar longe.O que é que pode adiantar quando falar com os jogadores, antes do encontro com a Suécia?É a pergunta que lhes vou fazer: se querem ficar já satisfeitos com o 6º lugar ou se ainda estamos prontos para lutar pelo 5º. Em 2020, estávamos tão deslumbrados com o facto de termos de ir ao 5º e 6º que já era um pouco indiferente ficar em 5º ou em 6º. Neste momento, para nós, já não pode ser indiferente porque também é nossa obrigação. Esta geração tem atletas de eleição a jogar este jogo, portanto, temos essa oportunidade e vamos lutar por ela, com certeza, mas a decisão tem de estar sempre muito do lado dos atletas. Nós vamos fazer o nosso trabalho sempre. O staff vai fazer o trabalho da preparação do jogo, como sempre faz. Agora, a decisão de querer jogar e querer ganhar e ir lá para dentro e lutar é sempre mais dos atores. São eles que vão ter de decidir o que é que querem fazer daqui a dois dias. .Europeu de andebol. Portugal vence Espanha e sobe provisoriamente ao pódio da ‘main round’.Entrada à campeão no europeu de Andebol: Portugal impõe-se à Roménia.Paulo Pereira, selecionador de andebol: “No Europeu vamos lutar, lutar, lutar"