Afonso Eulálio
Afonso EulálioEPA/LUCA ZENNARO

Portugal vai terminar temporada de 2026 com o pior ‘ranking’ desde 2019

Limitações de João Almeida têm alto peso no 20.º posto final da hierarquia. Selecionador nacional não acredita que esse mesmo lugar dite uma perda de vagas para os próximos Mundiais.
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Portugal vai ter o pior desempenho dos últimos sete anos no ranking de nações da União Ciclística Internacional. A soma dos pontos dos sete atletas nacionais masculinos a militar em elites não permite, nesta fase, mais do que o 20.º lugar quando se avizinha o final da época. Desde o 23.º lugar de 2019 que não se via pior pecúlio. O resultado é importante para a definição de vagas em provas por seleções. Em 2026, Portugal contou com seis atletas nos Mundiais, apesar de não retirar dividendos daí já que não figurou nos primeiros 50 da prova. Tinha alcançado o 12.º posto do ranking em 2025, um lugar extraordinário face ao reduzido contingente de atletas portugueses no estrangeiro em comparação direta com outras nações europeias. Ao DN, o selecionador nacional, Valter Sousa, refere que “só a partir do 21.º lugar é que Portugal passará para quatro vagas”. Para já, esse lugar está seguro até porque Portugal passou recentemente de pouco mais de 350 pontos para 600 de vantagem para a Chéquia. “Mantendo-se o regulamento de qualificação para 2027, não perderemos nenhuma vaga”, realça Valter Sousa.

Na contabilização de triunfos, registam-se, até aqui, oito vitórias em provas pelas respetivas equipas. Entre os lusos da UAE Emirates, Ivo Oliveira (3) saiu na semana passada de dois triunfos de etapa e a geral no Japão, no Tour de Kyushu, Rui Oliveira (1) ganhou uma etapa na Volta a Portugal, António Morgado (2) foi o mais forte na Clássica da Figueira, em fevereiro, e pouco antes no Troféu Calvià. João Almeida, que desde 2021 que vence a cada ano, não triunfou em 2026, Nelson Oliveira, pela Movistar, e Afonso Eulálio, pela Bahrain, também não o conseguiram. Iúri Leitão (2) corre na segunda divisão do ciclismo, pela CajaRural, e venceu uma etapa no GP Anicolor e uma na China no Tour de Qinghai. São oito vitórias, mas todas elas obtidas em níveis abaixo de World Tour, a larga maioria até no nível continental. Foi de tal ordem o baixo número de pontos que Tiago Antunes, da Efapel, figura no quinto lugar dos mais pontuados, fruto de vitórias nas gerais da Volta ao Alentejo e do GP Torres Vedras, apesar de estas provas valerem menos em comparação a outras internacionais.

Portugal tem para já 4046 pontos e precisaria de ser protagonista, até final da semana, no Tour de Guangxi, última corrida de World Tour, para chegar à Eritreia, 19.º classificado, com 4164 pontos somados. Era necessário um top-5 na geral individual na prova em que estão Rui Oliveira e Afonso Eulálio, o qual só poderá ser alcançado mediante uma boa performance de Eulálio na sexta etapa, no domingo, com o único final em alto da corrida.

Em 2025, Portugal finalizou com 6834 pontos, terminando no 12.º posto da hierarquia. João Almeida somou 4331 pontos, portanto sozinho alcançou mais em 2025 do que todos os atletas portugueses em 2026. Um ano ímpar para o caldense que fez o que desde 2012 (Bradley Wiggins) ninguém conseguia, ganhando três provas de uma semana de World Tour, além do segundo lugar na geral da Volta a Espanha.

Inevitavelmente, o apagamento de João Almeida em provas de uma semana depois do pódio na Volta ao Algarve teve consequências diretas. É desde o aparecimento do voltista de A-dos-Francos que há pontuação regular em provas de uma semana e Grandes Voltas. Em 2024, Portugal atingiu os 4301 pontos e o 18.º lugar, João Almeida fora quarto no Tour. Em 2023, o terceiro lugar no Giro e três pódios em provas WT de uma semana contribuíram para o 12.º posto. Em 2022, as Quinas ocuparam o 17.º do ranking; em 2021 o 14.º e em ano de pandemia o 13.º, graças ao quarto posto de Almeida e às duas semanas vestido de camisola rosa no Giro.

Na década anterior, Rui Costa garantiu pontos importantes com conquistas da Volta à Suíça e presença em top-10 de grandes clássicas. Animador neste ranking de 2026 poderá ser contar com Afonso Eulálio para top-10 em provas por etapas, sendo necessário valorizar o sexto lugar na Volta a Itália e a forma como combateu para manter a camisola rosa uma semana. Em condições normais, João Almeida, pela UAE, será o atleta mais pontuado e mais decisivo para o posicionamento na hierarquia.

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