O treinador inquieto que faz sonhar os sportinguistas

Treinador cumpre esta sexta-feira um ano de leão ao peito. Renovou contrato com o Sporting até 2024, com uma cláusula de rescisão a aumentar para 30 milhões de euros. Percurso atribulado e sempre a subir começou no Casa Pia em 2018-19. Tem 40 jogos em Alvalade e uma percentagem de vitórias de 72,5%. Hoje joga com o Santa Clara.

Faz esta sexta-feira um ano que Rúben Amorim foi apresentado como treinador do Sporting. E 365 dias bastaram para o jovem técnico de 36 anos convencer os sportinguistas e os adversários que tanto contestaram o valor pago ao Sp. Braga pelos leões - 10 milhões de euros, mais juros de mora que elevaram o valor a mais de 15 milhões.

Esse era o valor da cláusula de rescisão que assinou depois de assumir o banco dos guerreiros do Minho. Valor esse que duplicou ao assinar pelos leões e que agora triplicou. A renovação de contrato até 2024 foi ontem anunciada pelo clube e contempla um aumento da cláusula de rescisão dos 20 para os 30 milhões de euros. É esse o valor que tem de pagar quem o quiser contratar agora.

O ordenado também aumenta e de que maneira. Ser campeão dá-lhe o prémio de 2, 3 milhões de euros e aumenta o ordenado bruto de 2,7 milhões para os 4 milhões de forma automática, mas o novo vínculo pode fazer dele o mais bem pago do país, com um ordenado bruto de seis milhões.

Em 40 jogos de verde e branco venceu 29, empatou sete e perdeu quatro, o que lhe dá uma percentagem de vitórias de 72, 5%. E esta época ainda não perdeu um jogo para o campeonato e está bem embalado para colocar um ponto final num jejum de títulos que dura há 19 anos, com a equipa na liderança do campeonato a nove pontos do Sp. Braga, dez do FC Porto e e a 13 do Benfica. Hoje joga com o Santa Clara (20.45) e pode estabelecer novo recorde de jogos sem perder (22) no campeonato.

"E se corre bem?"

Foi apresentado no dia 5 de março. O discurso empolgou. Abordou o passado ligado ao Benfica e algumas feridas leoninas, deixando uma pergunta no ar. "As pessoas perguntam - "e se corre mal?" - e eu digo - "e se corre bem?".

Foi com resultados que começou a mexer com a nação sportinguista. Estreou-se frente ao Desp. Aves com um triunfo (2-0). Depois o campeonato parou devido à pandemia e isso ajudou-o a conhecer os cantos à casa e a preparar a equipa à sua ideia de jogo, embora dentro da anormalidade de não poder treinar com eles.

Na retoma conseguiu cinco vitórias seguidas, mas falhou o objetivo da época, acabando por perder o terceiro lugar do campeonato 2019-20, que dava entrada direta na Liga Europa, para o antigo clube, depois de duas derrotas (FC Porto e Benfica) e um empate (Vit. Setúbal). No total foram 11 jogos, seis vitórias, duas derrotas e três empates.

Passada a frustração o pior (e o melhor) ainda estava para vir. Começou esta a época com uma eliminação europeia humilhante diante do LASK Linz no play off de apuramento para a Liga Europa. Falhar as competições europeias deixou os sportinguistas à espera de uma época intermitente igual a tantas outras nas últimas duas décadas, mas a entrada em cena no campeonato mudou o paradigma.

O primeiro jogo da I Liga 2020-21 com o Gil Vicente foi adiado devido a surtos de covid-19 nas duas equipas e por isso a estreia foi com o Paços de Ferreira. O triunfo na capital do móvel (2-0) foi o primeiro de 21 jogos (17 vitórias e quatro empates) até agora sem perder no campeonato, um recorde para os lados de Alvalade. No total são 29 encontros (23 vitórias, quatro empates e duas derrotas).

Apesar de ser líder do campeonato e com mais nove pontos do que o Sp. Braga, Amorim recusa assumir a candidatura ao título que foge aos leões há 19 anos. Mas a verdade é que nesta altura já ninguém o questiona e todos acreditam que acabará com a maior seca de títulos do Sporting e irá ganhar um lugar na história do futebol português aos 36 anos, com apenas dois anos de carreira e dois troféus ganhos (Taça da Liga pelo Sp. Braga em 2020 e pelo Sporting em 2021).

Competência, ambição, inquietude e até uma certa revolta

Foi no modesto Casa Pia que o antigo jogador do Benfica deu início à carreira de treinador na época 2018-19 apesar de não estar devidamente habilitado para isso. Essa polémica ainda hoje o persegue, apesar de já estar inscrito como técnico na folha de jogo. No Casa Pia mostrou competência, ambição, inquietude e até uma certa revolta com os poderes instituídos. Não teve problemas em pedir a demissão quando a Federação Portuguesa instaurou um processo ao clube lisboeta que acabou com a perda de seis pontos, multas e a proibição de treinar por um ano.

Recorreu e ganhou no Tribunal Arbitral do Desporto, e depois esperou por novas oportunidades. Teve algumas abordagens, incluindo um convite para treinar a equipa B do Benfica, que recusou. Queria um projeto que o levasse ao topo e a oportunidade chegou quando recebeu um telefonema do Sp. Braga. Aceitou treinar a equipa B, fez 11 jogos (8 vitórias, dois empates e uma derrota), mas numa jogada surpreendente Salvador despediu Sá Pinto e promoveu Rúben Amorim à equipa principal.

Deu logo nas vistas. Colocado no centro das atenções pelo presidente da Associação Nacional de Treinadores, respondeu com resultados. Fez 13 jogos (10 vitórias, em empate e duas derrotas na Liga Europa) e conquistou a Taça da Liga.

Era impossível não reconhecer a influência do antigo jogador, mas o valor da cláusula de rescisão (10 milhões de euros) dava algum conforte ao clube minhoto, que nada pôde fazer quando Frederico Varandas, influenciado por Hugo Viana, aceitou bater a cláusula. Rúben subia assim mais um degrau na carreira e revelava também uma ambição desmedida. Numa questão de meses foi do Campeonato de Portugal à I Liga.

Foi apresentado em Alvalade no dia 5 de março de 2020, depois de o antecessor (Silas) o ter anunciado em primeira mão. Faz sexta-feira precisamente um ano. Os resultados estão à vista e o título de campeão está muito perto de ser uma realidade, depois de este temporada já ter conquistado a Taça da Liga para o Sporting.

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