A Argélia tem pergaminhos no Mundial, onde só participou depois de garantir a independência de França. Em 1982, bateu a Alemanha Ocidental, tornou-se a primeira equipa africana a vencer uma europeia em Campeonatos do Mundo. Madjer, o primeiro a marcar pelo país, seria o herói do FC Porto na final da Liga dos Campeões de 1987. A Argélia não passou da fase de grupos em 1982, 1986 ou 2010, mas em 2014 a campanha, com Slimani na comitiva, foi até aos oitavos de final, obrigando a Alemanha, que se sagraria campeã no Brasil, a ir até ao prolongamento. Desde aí que se estranhou a ausência de uma seleção que tem sempre atletas virtuosos, mas a quem tem faltado consistência e alguma profundidade de plantel. Mahrez foi figura maior do título do Leicester, em 2016, e muito se projetou o favoritismo argelino rumo aos Mundiais. Vladimir Petkovic, técnico que guiou a Suíça aos oitavos de final do Mundial de 2018 e aos quartos de final do Europeu de 2020, cativou desde cedo, com vitórias que deram conforto no apuramento contra Uganda e Moçambique. Só uma derrota com a Guiné no caminho, no qual Amoura, avançado, se destacou com dez golos.A eliminação nos quartos de final da última CAN foi a nota mais negativa no desempenho, mas Petkovic tem procurado alargar a base da convocatória e a lista ainda não está completa. Será anunciada no domingo, dia 31. Na baliza, havia, noticiam os meios argelinos, a tentativa que Rais M’Bolhi voltasse à seleção. Luca Zidane, filho do médio lendário francês Zinedine, mudou a filiação para a Argélia no ano passado e deve ser convocado. Na defesa, o lateral do Manchester City, Rayan Ait-Nouri, e Ramy Bensebaini, do Borussia Dortmund, são os nomes mais conhecidos. Habitual será a titularidade de Aissa Mandi, central do Lille que entrou para a história argelina, celebrando o recorde de internacionalizações (118). No meio-campo, Ismael Bennacer é um dos mais experientes e recuperou de uma lesão na coxa durante a CAN. Adem Zorgane, Himad Abdelli e Nabil Bentaleb ficaram de fora da última convocatória, logo há alguma incerteza sobre o lote final para o setor. Aouar, ex-Lyon e agora no Al-Ittihad, e Fares Chaibi, criativo do Eintracht Frankfurt, serão centrais na estratégia.No ataque, espera-se a chamada da estrela em ascensão no Leverkusen, Ibrahim Maza, de apenas 20 anos. Pode jogar como camisola 10 ou num dos flancos. Mahrez, aos 34 anos, dirá adeus aos Mundiais. Fez oito golos e 14 assistências no Al-Ahli Jeddah, tem vindo a sofrer de problemas físicos e, apesar de não ser o mesmo ícone dos tempos do Manchester City, tem talento para criar mossa. Na frente de ataque, Petkovic conta com a eficiência de Amoura. O jogador do Wolfsburgo tem 19 golos em 42 jogos pela seleção e marcou dez na fase de qualificação. Fez oito golos na Bundesliga depois de contratado pelo Wolfsburgo por 15 milhões de euros. Amine Gouiri, do Marselha, fez 11 golos na época, joga por todo o ataque e vale hoje cerca de 30 milhões de euros, consolidando a zona ofensiva das Raposas do Deserto como principal arma para surpreender. O jovem Adil Boulbina foi o artilheiro da Argélia na Copa Árabe de 2025, no Qatar, e é outro nome a ter em conta. Rafik Guitane, do Estoril, chegou a ser chamado na qualificação, mas tem perdido espaço e não é expectável nos 26.A Argélia encontra a Argentina no Grupo J a 17 de junho, depois a Jordânia a 22 e termina a 27 a fase de grupos com a Áustria, seleção que se espera ser a principal oposição na luta pelo apuramento direto..Egito. Faraós dão ordem de soltura a Salah e Marmoush.Iraque volta ao Mundial 40 anos depois com a lição de defender bem na ponta da língua.Marrocos já não passa despercebido depois do quarto lugar do Mundial 2022