Manuel Vareiro foi um dos grandes protagonistas da vitória da seleção portuguesa de râguebi frente à Geórgia, num encontro que ficará para a história da modalidade em Portugal. O jovem abertura, de apenas 21 anos, assumiu papel decisivo dentro de campo e acabou distinguido como Homem do Jogo, reconhecimento que recebeu com satisfação, mas também com grande humildade.“Estou muito contente, estou muito satisfeito, mas o prémio de Homem do Jogo não é o mais importante”, afirmou após o encontro. Para o internacional português, o destaque individual só faz sentido quando enquadrado no trabalho coletivo da equipa. “Diz-me muita coisa, claro, mas não é a minha prioridade. Acho que todos merecíamos ter sido MVP neste último jogo”, sublinhou.Vareiro fez questão de destacar o espírito de grupo que tem marcado esta geração da seleção portuguesa. “O trabalho que a equipa fez durante o jogo e durante a semana foi o que fez a diferença”, explicou. Para o jovem jogador, o triunfo representa sobretudo o resultado de meses de preparação e união dentro do grupo. “Estou muito contente, sobretudo pela vitória da equipa e pelas amizades que temos vindo a criar desde novembro”, acrescentou.Apesar da euforia natural de um título europeu, o abertura português prefere olhar para o futuro com prudência. Com o Mundial cada vez mais próximo, considera que a equipa deve manter o mesmo foco e continuar a evoluir. “O Mundial está aí à porta. Parece que falta muito, mas está quase. Este progresso que temos vindo a fazer desde novembro tem dado frutos e espero que continue até lá”, afirmou..A história de Manuel Vareiro no râguebi começou muito cedo. Cresceu num ambiente familiar profundamente ligado à modalidade, algo que marcou o início do seu percurso. “Desde pequenino que me ensinaram a bola de râguebi. O meu pai, os meus tios e os meus primos sempre estiveram muito ligados ao desporto”, recordou.Ainda assim, o caminho não foi totalmente linear. Durante alguns anos afastou-se do râguebi para experimentar o futebol, tendo passado pelas camadas jovens do Sporting e do SIF. Mas acabou por regressar ao desporto que verdadeiramente o apaixonava. “Aos 13 anos decidi escolher o râguebi. Foi muito por causa das amizades, dos valores do desporto e também da minha família”, explicou.Formado no GD Direito, onde jogou até ao início da idade adulta, Vareiro deu recentemente um passo importante na carreira ao mudar-se para França, onde representa o Provence Rugby. A experiência profissional fora de Portugal trouxe novos desafios. “Foi uma adaptação difícil: nova língua, viver sozinho… venho de uma família grande, somos oito irmãos, e passei de uma casa sempre cheia para uma casa vazia”, contou. Ainda assim, não tem dúvidas sobre a decisão tomada. “Foi das melhores decisões que tomei sozinho na minha vida.”Apesar de estar a afirmar-se no râguebi profissional, Vareiro mantém também o foco na formação académica. O internacional português está a terminar uma licenciatura em engenharia e considera essencial garantir um equilíbrio entre desporto e estudos. “Acabar o curso é uma das minhas grandes prioridades. No râguebi tudo pode mudar com uma lesão ou um acidente, por isso é importante ter outra base”, explicou.Com apenas 21 anos, Vareiro evita fazer grandes projeções sobre o futuro e prefere concentrar-se no presente. “Tenho aprendido a fazer as coisas passo a passo. Não penso muito no futuro a longo prazo, penso no que vem a seguir”, disse. Para já, o objetivo passa por terminar a época com o Provence Rugby e continuar a crescer como jogador.Sobre a atual geração da seleção portuguesa, o abertura não tem dúvidas quanto ao fator que mais distingue o grupo. “A palavra que define esta equipa é amizade”, afirmou. “Criámos ligações muito fortes e acreditamos todos uns nos outros. No râguebi isso é fundamental, porque todos temos de andar para o mesmo lado.”O internacional acredita também que o momento positivo da seleção pode ajudar a aumentar a visibilidade da modalidade em Portugal. “Nos últimos jogos vimos estádios muito cheios e isso é muito bom”, referiu. Ainda assim, considera que o crescimento do interesse depende sobretudo do desempenho dentro de campo. “Como em tudo na vida, é com resultados que as pessoas começam a aparecer e a interessar-se mais.”Para Manuel Vareiro, o râguebi continua a ser muito mais do que um desporto. “O râguebi tem valores muito bons e faz parte da minha vida desde pequenino”, concluiu, depois de uma noite em que ajudou a escrever mais uma página importante da história dos “Lobos”..Portugal vence Geórgia e conquista o Campeonato Europeu de Râguebi pela segunda vez.Portugal preparado para discutir final do europeu frente à Geórgia