Portugal prepara-se para disputar mais uma final do Rugby Europe Championship frente à poderosa Geórgia, num duelo marcado para domingo em Madrid, que coloca frente a frente duas das seleções mais fortes do râguebi europeu fora do Torneio das Seis Nações. A partida decide o campeão continental e representa também mais um capítulo de uma rivalidade marcada pelo domínio georgiano nas últimas duas décadas. A tarefa dos “lobos” não será fácil. A Geórgia é historicamente a grande potência desta competição, acumulando a esmagadora maioria dos títulos e mantendo uma supremacia clara nos confrontos diretos. Portugal não vence os georgianos desde 2005 e, desde então, o melhor que conseguiu foram alguns empates — dois deles recentes, em 2022 e no Mundial de França de 2023, ambos sinais da evolução da equipa portuguesa. Apesar do favoritismo do adversário, o selecionador nacional, Simon Mannix, acredita que a equipa chega preparada para o desafio. “A Geórgia é uma equipa muito forte, mas estamos muito bem preparados. Sabemos que vamos ter de fazer o nosso melhor jogo”, afirmou, reconhecendo que a história recente torna o desafio ainda maior. .O técnico sublinha que, numa final, o resultado pode depender de detalhes. “É possível que entremos em campo, joguemos muito bem e atuemos ao melhor do nosso nível e talvez isso não seja suficiente. O râguebi é assim. Alguns dias, particularmente numa final, pode acabar por depender um pouco da sorte”, disse. Ainda assim, o objetivo passa por garantir que Portugal cria todas as condições para discutir o título: “O que temos de fazer é garantir que damos o melhor de nós e que damos a nós próprios todas as oportunidades de vencer.” Para Mannix, o crescimento do râguebi português é evidente, mesmo enfrentando limitações estruturais face às grandes potências da modalidade. “Nunca estaremos ao nível de países como França, Inglaterra ou Escócia porque o número de jogadores em Portugal é muito pequeno. Mas podemos oferecer excelente treino e acompanhamento técnico para que os jogadores se tornem os melhores que podem ser”, explicou, defendendo também mais investimento e profissionalização no futuro da modalidade. Dentro de campo, a responsabilidade de liderar a equipa caberá ao capitão José Madeira, que reconhece o peso do adversário, mas garante ambição máxima. “Todas as finais são para ganhar. Sabemos perfeitamente que é um adversário muito forte e que a Geórgia é claramente favorita, mas estamos a preparar-nos para fazer o nosso melhor resultado”, afirmou. O capitão dos “lobos” explica que a equipa está concentrada sobretudo no próprio jogo. “Estamos muito focados em nós mesmos e no processo que temos vindo a construir. Queremos ser fiéis ao nosso estilo: um jogo rápido, com muita velocidade e aberto”, disse, destacando também o trabalho específico dos avançados para enfrentar a habitual superioridade física dos georgianos. Madeira destacou ainda o crescimento do apoio dos adeptos portugueses, especialmente nos jogos realizados em casa. “Tem sido muito bom sentir o apoio das bancadas. É uma modalidade em crescimento e queremos transmitir este sentimento de orgulho que a equipa criou, sobretudo depois do Mundial”, referiu. Quanto ao discurso antes da final, o capitão garante que não serão necessárias muitas palavras. “Para jogar pela seleção estamos sempre extremamente motivados. Não é preciso grandes discursos; é mais garantir que toda a gente está unida e focada no plano de jogo”, concluiu. .Râguebi. Portugal desafia hegemonia da Geórgia na final europeia .Portugal sagra-se bicampeão europeu de râguebi sub-20