A final do Rugby Europe Championship 2026 coloca frente a frente Portugal e Geórgia no próximo domingo, em Madrid, num encontro que volta a decidir o título europeu entre duas das seleções mais fortes do râguebi fora do tradicional Torneio das Seis Nações. Para os “Lobos”, trata-se da oportunidade de regressar ao topo da competição continental mais de duas décadas depois do único título conquistado, em 2004, enquanto os georgianos procuram prolongar um domínio que tem marcado o torneio na última década. Portugal chega à final depois de derrotar a Espanha por 26-7 nas meias-finais, disputadas no Estádio do Restelo, em Lisboa. O triunfo garantiu a Portugal o regresso à final do Rugby Europe Championship, a principal competição de seleções europeias fora do grupo das Seis Nações — Inglaterra, França, Irlanda, País de Gales, Escócia e Itália. A prova é frequentemente descrita como o “Seis Nações B”, reunindo as melhores seleções do continente que não fazem parte daquele torneio fechado e assumindo também importância no processo de qualificação para o Campeonato do Mundo. Do outro lado estará novamente a Geórgia, a seleção mais bem-sucedida da história da competição, com 17 títulos europeus e um domínio claro nas últimas edições. Os georgianos conquistaram as últimas oito edições consecutivas do torneio e afirmaram-se como a principal potência do râguebi europeu fora do grupo das Seis Nações. .Apesar desse histórico, Portugal tem demonstrado nos últimos anos capacidade para discutir os encontros com a seleção caucasiana. Um dos exemplos mais marcantes foi o empate a 18 pontos registado entre as duas equipas no Campeonato do Mundo de 2023, resultado que evidenciou a evolução competitiva da seleção portuguesa. Para o presidente da Federação Portuguesa de Rugby, Carlos Amado da Silva, a final de Madrid surge num momento particularmente importante para a afirmação da seleção nacional. “Como devem calcular, espero ganhar. Não penso noutra coisa. Vamos lá para ganhar, sabendo que é muito difícil”, afirmou, sublinhando que a equipa portuguesa enfrenta um adversário tradicionalmente dominante, mas que tem demonstrado capacidade para competir ao mais alto nível europeu. O dirigente destaca também a renovação da equipa portuguesa, apontando para a juventude do grupo como um sinal de futuro. “É uma equipa muito nova, com uma média de idades à volta dos 23 anos. Isso dá-nos garantias de futuro e a certeza de que Portugal continuará presente nos próximos Campeonatos do Mundo”, afirmou. Segundo Carlos Amado da Silva, esta geração surge num momento de crescimento do râguebi nacional e num contexto em que Portugal tem conseguido resultados consistentes frente a adversários tradicionalmente difíceis. “Estamos numa sequência de seis vitórias consecutivas, frente a equipas fortes, e isso demonstra que o trabalho que tem sido feito está a dar resultados”, referiu, acrescentando que o grupo ainda tem margem de evolução: “A equipa tem muito a melhorar, mas temos hoje um grupo de jogadores mais alargado do que no passado”. O presidente da federação considera, no entanto, que as diferenças entre as várias seleções europeias não se explicam apenas pela qualidade dos jogadores, mas sobretudo pelas condições estruturais de cada país. “Há equipas muito poderosas e super profissionais, com condições de trabalho que nós não temos”, afirmou, sublinhando que o contexto competitivo europeu continua marcado por desigualdades profundas. Na análise do dirigente, o maior contraste verifica-se entre as seleções que integram o Torneio das Seis Nações e as restantes equipas do continente. “As Seis Nações são uma organização fechada. Nós nunca temos acesso a essa competição porque é uma empresa privada”, explicou. Para Carlos Amado da Silva, essa estrutura cria um fosso entre os países que disputam regularmente esse torneio e aqueles que ficam de fora, mesmo quando demonstram qualidade competitiva. “O verdadeiro campeão europeu, neste momento, é a Geórgia — e espero que venha a ser Portugal no próximo domingo”, afirmou, defendendo que deveria existir um modelo mais aberto no râguebi europeu. O dirigente diz que a atual organização limita a evolução de várias seleções emergentes do continente. “Não há nenhuma razão para a Geórgia, por exemplo, que é uma equipa de grande qualidade, não ter acesso às Seis Nações”, disse, acrescentando que o modelo deveria permitir competição entre todas as seleções europeias. Na sua perspetiva, o desenvolvimento do râguebi europeu depende precisamente desse confronto entre diferentes níveis competitivos. “A maneira de progredir é jogar com os melhores, não é jogar com os piores”, sublinhou. O presidente da federação portuguesa defende por isso uma reorganização profunda das competições internacionais. “Tem de haver uma mudança radical na organização do râguebi mundial e europeu. Todos devem ter a possibilidade de competir e mostrar o seu nível”, afirmou, acrescentando que um modelo mais aberto beneficiaria não apenas Portugal, mas várias seleções em crescimento. Entre essas seleções, Carlos Amado da Silva destaca também a Espanha, que considera ter potencial para se afirmar no panorama internacional. “A Espanha tem um potencial enorme. Em quatro ou cinco anos pode estar no top 10 do mundo em termos de rendimento”, afirmou, embora reconheça que o acesso às competições mais importantes continua condicionado pela atual estrutura do râguebi europeu. “Se não jogarmos regularmente com equipas como França, Inglaterra ou Escócia, o nível de assistência e as receitas são completamente diferentes”, explicou, ilustrando o contraste com os grandes países do râguebi europeu..Portugal sagra-se bicampeão europeu de râguebi sub-20.Seleção Portuguesa de râguebi iguala melhor classificação de sempre no ranking mundial