A seleção nacional de râguebi conquistou este domingo, 15 de março, o Campeonato Europeu 2026 ao vencer, em Madrid, a Geórgia por 19-17.O triunfo coloca novamente Portugal no topo da principal competição continental fora do Torneio das Seis Nações e interrompe um domínio prolongado da formação georgiana, que tinha vencido as últimas edições da prova.A conquista representa apenas o segundo título europeu da história da seleção portuguesa, repetindo o feito alcançado em 2004, quando os Lobos derrotaram a Roménia na final. Mais de duas décadas depois, uma nova geração de jogadores voltou a colocar Portugal no lugar mais alto do pódio europeu, numa final marcada pela intensidade física, pela resistência mental e por uma reviravolta que ficará na memória dos adeptos.A equipa georgiana entrou mais forte no jogo, impondo o seu poder físico nas fases de contacto e pressionando constantemente a defesa portuguesa. Esse domínio inicial permitiu aos georgianos construir uma vantagem no marcador, obrigando Portugal a correr atrás do resultado desde cedo.Apesar das dificuldades, a equipa portuguesa conseguiu manter-se dentro da partida graças à eficácia ao pé de Manuel Vareiro. O abertura converteu quatro penalidades ao longo do encontro, pontos fundamentais que mantiveram Portugal próximo do adversário e alimentaram a esperança de uma recuperação.Ao intervalo, o marcador registava uma vantagem georgiana, mas dentro da equipa portuguesa a confiança nunca desapareceu. O capitão José Madeira explicou depois que a equipa acreditava na possibilidade de inverter o rumo do jogo.“Foi uma gestão de emoções muito grande durante todo o jogo. Sabíamos que ia ser uma batalha física muito dura, mas nunca deixámos de acreditar que era possível dar a volta ao resultado”, afirmou o capitão português após o final da partida. A segunda parte manteve o padrão de grande intensidade. Portugal continuou a resistir à pressão georgiana, procurando aproveitar cada oportunidade para somar pontos. Com o passar dos minutos, a equipa portuguesa foi demonstrando uma enorme capacidade de resiliência, mantendo-se organizada na defesa e procurando explorar espaços no ataque..O momento decisivo surgiu aos 73 minutos. Depois de uma sequência de fases ofensivas, Vincent Pinto encontrou uma brecha na defesa adversária e mergulhou para um ensaio que mudou completamente o rumo da final. A conversão de Manuel Vareiro colocou Portugal pela primeira vez em vantagem no marcador e desencadeou a explosão de alegria entre jogadores e adeptos.José Madeira fez questão de agradecer ao público que esteve no estádio, em Madrid. "Deram-nos um apoio imenso. foram fantásticos. Esta vitória também é deles e de todos os que nos ficaram a apoiar em Portugal", disseNos minutos finais, os Lobos tiveram ainda de resistir a uma última tentativa da Geórgia para recuperar o resultado. A defesa portuguesa, no entanto, mostrou-se sólida e disciplinada, garantindo que o marcador não voltaria a alterar-se até ao apito final.No final da partida, o presidente da Federação Portuguesa de Rugby, Carlos Amado da Silva, destacou a capacidade de sofrimento e a determinação da equipa ao longo do encontro.“Foi sofrer do princípio ao fim. Sabíamos que ia ser um jogo muito difícil, porque a Geórgia é uma equipa muito poderosa, mas nunca deixámos de acreditar”, afirmou o dirigente, visivelmente satisfeito com o resultado alcançado. O presidente revelou também que, mesmo quando Portugal estava em desvantagem, manteve sempre a convicção de que a reviravolta seria possível. “Ao intervalo estava convencido de que podíamos dar a volta. A mensagem nestes momentos é sempre a mesma: nunca desistir”, sublinhou. Para Carlos Amado da Silva, este título representa também o resultado de vários anos de trabalho na estrutura da modalidade em Portugal. “Estamos a seguir um bom caminho, mas estou convencido de que podemos fazer ainda melhor. Este grupo tem ambição e quer continuar a crescer”, afirmou. Além do valor desportivo, a conquista pode representar um momento decisivo para o desenvolvimento do râguebi português. Nos últimos anos, a modalidade tem registado um crescimento gradual, impulsionado pelo desempenho da seleção nacional em competições internacionais e pelo aumento da visibilidade mediática.Carlos Amado da Silva acredita que a vitória europeia poderá contribuir para atrair mais praticantes e reforçar a base da modalidade no país. “Estamos a investir muito na formação e no trabalho regional. Temos cerca de oito mil praticantes e acreditamos que, com resultados como este, podemos crescer para dez mil ou quinze mil nos próximos anos”, explicou o dirigente. Segundo o presidente federativo, a seleção nacional desempenha um papel fundamental nesse processo de crescimento. “A seleção nacional é a locomotiva do râguebi. Quando a equipa ganha, toda a modalidade cresce”, afirmou. Apesar da euforia da conquista europeia, o pensamento da federação e da equipa já começa a virar-se para o próximo grande desafio internacional. Portugal garantiu presença no próximo Campeonato do Mundo de râguebi e a ambição passa agora por realizar uma campanha competitiva.