Presidente da FIFA, Gianni Infantino, tem tentado amenizar os ânimos entre Irão e EUA.
Presidente da FIFA, Gianni Infantino, tem tentado amenizar os ânimos entre Irão e EUA.FOTO: EPA/BOB FRID

Mais do que um Mundial: ir aos EUA é prova de vida para a seleção do Irão

Proibidos de estagiar em solo americano, jogadores terão de blindar-se do que se passa em Ormuz para passarem pela primeira vez a fase de grupos. Taremi é a figura. Azmoun fora por motivos políticos.
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Todos os Mundiais têm por hábito cenários políticos e bélicos que causam perturbação. Em 2026, a intervenção e ameaças dos Estados Unidos da América em variados países têm especial impacto por se tratar do organizador do evento. E nesse litígio, até com a FIFA, os EUA decidiram que o Irão não poderia estagiar no Arizona, tendo a seleção de se deslocar para Tijuana, no México. Foi dada essa garantia ontem, segunda-feira dia 25 de maio, já depois de os iranianos que vão disputar a competição terem tido autorização para competir, apesar de os EUA recusarem viagens de estrangeiros do país que intervencionaram há três meses. Veremos se as viagens até Los Angeles para defrontar Nova Zelândia e Bélgica, no arranque do Grupo G, decorrem dentro da normalidade possível.

Será impossível blindar por completo o grupo iraniano, ciente dos ataques em Teerão, do bloqueio no Estreito de Ormuz e de um conflito que vai vendo avanços e recuos nas promessas de tréguas. A FIFA tenta reduzir a animosidade, pede que haja contenção nos discursos e ações que hostilizem o anfitrião, que evoquem independência ou religião, mas a luta na sétima participação num Mundial (1978, 1998, 2006, 2014, 2018, 2022) tem uma motivação adicional: passar pela primeira vez a fase de grupos e logo nos Estados Unidos. Em 2022, venceram Gales, mas as derrotas com EUA e Inglaterra ditaram a eliminação. Na altura, com Carlos Queiroz ao leme.

Mehdi Taremi é um dos capitães e goleador com 59 tentos em 103 internacionalizações. O ex-jogador do Porto, que se abeirou dos 100 golos em quatro anos pelo clube, está no Olympiacos gorada a época anterior no Inter. Chegou aos 19 golos na temporada e avança para o terceiro mundial como referência ofensiva. A quarta participação consecutiva do Irão sustenta a evolução: sete vitórias em dez jogos na qualificação, Alireza Beiranvand tem 80 internacionalizações e deve ser o dono da baliza. Saman Ghoddos, antigo jogador do Brentford, é o médio mais influente, apesar de militar hoje no Kalba, nos Emirados Árabes Unidos, num patamar bem distinto. A equipa de 2022 era mais sólida, já tinha mais elementos a jogar fora do país e vê-se hoje que essa geração, em muitos casos, já voltou ao país ou à Ásia, esperando-se, portanto, uma competitividade mais baixa. Porém, tanto com Nova Zelândia como com o Egito, os persas podem embater. Qualquer uma destas luta por passar pela primeira vez a fase de grupos.

Destaque também é a situação de Azmoun, o maior criativo. O quatro vezes campeão na Rússia, destaque no Rubin Kazan e Zenit antes de ir para o Leverkusen, milita no Al Ahli e nos Emirados Árabes Unidos publicou uma foto ao lado de Mohammed bin Rashid Al Maktoum, líder do Dubai. É figura central de um governo no país que teve tensões diplomáticas e militares indiretas com o Irão. Por isso, especula-se que o jogador de 31 anos tenha sido afastado por motivos políticos. A possível identificação de um caso de censura à convocatória foi contornada com a declaração de que Azmoun estaria lesionado. O jogador tem vindo a tomar posições públicas de patriotismo e há um movimento iraniano que pede a sua inclusão no Mundial.

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