O presidente dos Estados Unidos afirmou este domingo à tarde ter dado instruções aos seus representantes para não se precipitarem em qualquer acordo com o Irão, colocando um travão nas esperanças de um entendimento iminente entre Washington e Teerão, hipótese que tinha sido levantada horas antes pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. “As negociações estão a decorrer de forma ordenada e construtiva, e informei os meus representantes para não se precipitarem num acordo, pois o tempo está a nosso favor. (...) Ambos os lados devem ter calma e fazer tudo bem. Não pode haver erros!”, escreveu Donald Trump na Truth Social, acrescentando que as negociações estão a progredir e a relação dos Estados Unidos com o Irão está mais profissional e produtiva.Trump avisou, porém, que o bloqueio norte-americano aos navios do Irão no Estreito de Ormuz “permanecerá em pleno vigor e efeito até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado”. E deixou claro que os iranianos “devem compreender, no entanto, que não podem desenvolver ou adquirir uma arma ou bomba nuclear”.Horas antes, Marco Rubio tinha dito acreditar “que talvez haja a possibilidade de, nas próximas horas, o mundo receber boas notícias”, adiantando que tinham sido “feitos alguns progressos nas últimas 48 horas num esboço que poderia resolver a situação no Estreito de Ormuz”. No entanto, o secretário de Estado norte-americano havia ressalvado que estas boas notícias ainda não seriam “notícias definitivas”.Fontes disseram à Reuters que a estrutura proposta para a paz que estará em cima da mesa das negociações se desenvolveria em três fases: o fim formal da guerra, a resolução da crise no Estreito de Ormuz e a abertura de um período de 30 dias para negociações sobre um acordo mais amplo, que poderá ser prolongado. De acordo com Rubio, se o esboço fosse aceite, significaria “estreito completamente aberto” e “sem portagens”, com duas fontes paquistanesas a adiantarem à Reuters que, segundo o memorando proposto, o estreito seria aberto imediatamente após os EUA terem levantado o bloqueio. Uma das fontes referiu ainda que se Washington aceitar o memorando poderão decorrer novas negociações após o feriado muçulmano do Eid, na sexta-feira.Já a agência de notícias Tasnim, afiliada da Guarda Revolucionária Islâmica, garantiu que quaisquer alterações na navegação pelo Estreito de Ormuz estariam condicionadas ao cumprimento de outros compromissos por parte dos EUA, adiantando que alguns fundos iranianos, congelados globalmente como parte das sanções, deverão ser libertados na primeira fase do acordo. De fora do acordo preliminar, avançou este domingo uma fonte iraniana de alto nível à Reuters, está a questão nuclear, com Teerão a não concordar em entregar o seu stock de urânio enriquecido. “A questão nuclear será abordada nas negociações para um acordo final e, portanto, não faz parte do acordo atual”, disse a fonte.No entanto, Rubio, que estava este domingo numa visita à Índia, declarou que o mundo já não teria de temer que o Irão obtivesse uma arma nuclear, sem adiantar mais pormenores. O que levou a embaixada do Irão na Índia responder ao norte-americano nas redes sociais, afirmando que Teerão tem um direito “inalienável” à tecnologia nuclear. Numa conversa telefónica mantida no sábado à noite e revelada este domingo por uma fonte israelita, Trump garantiu ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que qualquer acordo final com Teerão inclui o desmantelamento do seu programa nuclear e a transferência do stock de urânio para fora do país.Ainda durante a conversa, segundo a mesma fonte, Netanyahu referiu que Israel manteria a sua liberdade de ação face às ameaças em todas as frentes, incluindo no Líbano, tendo Trump reafirmado o seu apoio a este princípio..Irão propõe aos EUA deixar nuclear para depois da guerra e reabrir Ormuz