Kika Veselko continua a viver os primeiros meses na elite do surf mundial e garante sentir-se cada vez mais integrada no Championship Tour (CT), principal circuito internacional da modalidade. A surfista portuguesa, que já tinha participado anteriormente em dois eventos do circuito através de convites, admite que a experiência atual é diferente por fazer agora parte oficial da competição entre as melhores surfistas do mundo. “Já tinha tido duas oportunidades de participar em eventos do WCT, por isso não foi algo totalmente novo para mim, mas agora realmente faço parte. Senti-me super bem recebida por todas as surfistas”, afirmou.A atleta portuguesa explica que mantém uma relação próxima com várias competidoras do circuito, algo que ajudou na adaptação à nova realidade competitiva. Ainda assim, admite que existe também um lado competitivo forte dentro de água, independentemente das amizades criadas ao longo dos anos Considera que ainda não conseguiu demonstrar totalmente o nível de surf que acredita ter. Apesar de reconhecer as dificuldades naturais do primeiro ano entre a elite mundial, mantém intacta a ambição de alcançar resultados mais expressivos. “Quero sempre mais e sei que consigo dar mais de mim. Mas também acredito que tudo acontece no momento certo e sinto que isto é apenas o começo de algo bonito”, sublinhou.A presença simultânea de Kika Veselko e Yolanda Hopkins no circuito mundial representa um momento histórico para o surf feminino português. A jovem surfista considera que este feito demonstra a capacidade de Portugal continuar a produzir atletas competitivas ao mais alto nível. “É um orgulho para Portugal ter duas surfistas no CT. Somos um país pequeno, mas conseguimos chegar aqui através de muito trabalho. Tanto eu como a Yolanda tivemos de construir muito o nosso próprio caminho”, afirmou. Kika acredita, porém, que a presença de duas atletas portuguesas no CT representa um passo importante para o surf nacional e para a afirmação das mulheres portuguesas na modalidade. “Claro que olho para a Yolanda como uma adversária quando estamos a competir. A fome de vencer é sempre igual”, afirmou, referindo-se ao duelo entre as duas portuguesas num dos eventos do circuito.Kika acredita ainda que o percurso das duas surfistas poderá servir de inspiração às gerações mais novas. “Espero mesmo conseguir mostrar às jovens surfistas portuguesas que é possível chegar aqui. Portugal tem muito talento e seria incrível ver mais portugueses no CT no futuro.”.A surfista destacou ainda que, apesar do crescimento do surf em Portugal, o percurso até ao circuito mundial foi construído com muito esforço individual. “Nunca tivemos aquele hype internacional ou grandes facilidades. Tivemos de batalhar muito para chegar aqui, mesmo com o apoio das nossas equipas, patrocinadores e famílias”, referiu.Sobre a entrada no circuito mundial, a surfista portuguesa considera que as atletas mais experientes encaram as estreantes com respeito e atenção. Para Kika, as novas surfistas trazem também um fator de imprevisibilidade ao circuito. “Acho que elas próprias ficam um pouco mais nervosas porque somos novidade. Elas já conhecem as estratégias das surfistas contra quem competem há muitos anos e connosco ainda não sabem exatamente o que esperar”, explicou, acrescentando que “quem chega ao CT está entre as melhores surfistas do mundo. Acho que ninguém subestima ninguém. Qualquer surfista consegue virar um heat até ao último segundo”.A preparação para competir ao mais alto nível passa, segundo Kika, por uma rotina diária rigorosa, dentro e fora de água. A atleta explicou que começa os dias com exercícios de ativação física e meditação antes das sessões de treino. “É um trabalho contínuo. Tento surfar cada onda como se estivesse num heat e puxar sempre pelo meu melhor nível. No CT o nível é tão elevado que temos mesmo de surfar no nosso melhor para conseguir passar baterias”.A atleta admite que um dos principais focos de trabalho passa pela consistência competitiva. “Às vezes é difícil estarmos no nosso melhor em todas as condições e em todos os momentos. Tenho trabalhado muito essa consistência e tentar puxar mais pelo meu potencial”, afirmou.Kika considera que uma das suas maiores armas é precisamente o surf mais potente e agressivo. “Sei que sou uma surfista com power e com manobras grandes e tenho tentado colocar isso cada vez mais nas ondas”, acrescentou.A próxima etapa do circuito realiza-se na Nova Zelândia, com início marcado para o dia 15, e Kika mostra-se entusiasmada com o desafio. A surfista vai competir pela primeira vez naquele país e acredita que as condições poderão favorecer o seu tipo de surf. “Vai ser bom voltar a surfar esquerdas porque já estamos há muitos meses em direitas. Vou surfar de backside e isso deixa-me entusiasmada. Dizem que é uma onda mais mole, mas comprida”..Na conversa que teve com o Diário de Notícias, a surfista recordou ainda que o título mundial júnior conquistado em 2023 foi alcançado precisamente em ondas de esquerda, algo que aumenta a confiança para esta próxima etapa. “Quando fui campeã do mundo, o título foi conquistado numa esquerda, por isso sei que tenho um bom backside”, explicou. E espera ainda encontrar condições semelhantes às que costuma enfrentar em Portugal. “Espero apanhar água fria e sentir-me um pouco em casa. Quero simplesmente fazer o meu surf e mostrar aquilo que sei fazer.”.Francisca Veselko estreia-se com vitória histórica no Rip Curl Pro Bells Beach .Francisca Veselko: “Sem trabalho não há sonhos que cheguem ao topo”